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Taís Araujo estreia primeiro solo em "Mudança de Pele": "O teatro é o meu grande professor" | Collector
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Taís Araujo estreia primeiro solo em "Mudança de Pele": "O teatro é o meu grande professor"

Trinta anos de carreira, cerca de 20 obras entre novelas e minisséries, 13 filmes no cinema e dez montagens teatrais. Taís Araujo é uma das atrizes mais completas de sua geração, e o teatro ocupa um lugar particular nessa trajetória. "O teatro é o meu grande professor", conta em entrevista à Vogue Brasil. "Eu faço teatro e volto melhor para a televisão, não tenho dúvida." Mas não é só isso. "O teatro me exige muitas coisas, são muitos riscos. Não que a televisão não tenha, é que são bem diferentes." São exigências próprias, ela explica, que não se comparam nem se hierarquizam, apenas coexistem numa carreira construída nos dois territórios com a mesma seriedade. O retorno acontece com Mudando de Pele, espetáculo que estreia nesta quinta-feira (23.04), no Sesc Ginástico, no Rio de Janeiro, com temporada em São Paulo prevista na sequência. Baseado em texto da autora inglesa Amanda Wilkin, tem direção de Yara de Novaes e marca o primeiro solo de Taís, embora ela prefira outro nome. Em cena, a acompanham as musicistas Dani Nega, que assina também a direção musical, e Layla, que toca ao vivo instrumentos como a kora africana, uma harpa tradicional dos povos da África Ocidental praticamente desconhecida no Brasil. A presença das duas foi determinante para Taís descartar o rótulo de solo. "A Yara teve a ideia de trazer duas musicistas, multiartistas. De repente foi se revelando. Não tem condição de chamar de solo. Vamos chamar de solo coletivo e está tudo certo", diz ela. A chegada ao texto foi resultado de anos de pesquisa. Taís buscava uma história sobre mulheres pretas que não gravitasse em torno da dor ou da sobrevivência. Em Mudando de Pele, encontrou o que procurava: uma dramaturgia contemporânea que olha para o quanto as pessoas se adaptam até deixarem de se reconhecer. "Quando a gente se adapta tanto, a gente se desconhece. Quando você nota que está adaptada, você nem sabe viver de outra maneira se não adaptada", afirma. "Eu achei um contexto complexo, ao mesmo tempo divertido, para a gente rir também um pouco da gente e do quanto a gente está a serviço do mercado." Em cena, a história se desdobra em camadas, e não apenas narrativas. O figurino assinado por Teresa Nabuco foi concebido para revelar o estado da personagem fisicamente, peça por peça, do desencaixe à transformação. As músicas originais, tocadas ao vivo, pontuam a jornada, e a kora africana de Layla empresta ao espetáculo uma sonoridade que situa a história num território cultural mais amplo, para além do palco carioca onde estreia. No espetáculo, Taís vive Mayah, uma mulher de quase 40 anos que rompe com os acordos que sustentavam sua vida e parte em busca de si mesma. Ao longo dessa jornada, encontra Mildred, uma senhora jamaicana de 90 anos que lutou pelos direitos civis, e Kemi, uma jovem que não pede licença para existir. As três são vividas por Taís, que transita entre gerações, corpos e registros de voz. Em Mayah, ela diz ter se reconhecido mais de uma vez. "Quantas vezes na nossa vida a gente olha e fala: não estou cabendo nesse lugar, vou ter que mudar a estratégia. Ou: não me reconheço nesse lugar. A vida é isso, a gente vai mudando e isso faz parte." O desafio técnico de habitar três personagens distintas não passou despercebido. "Tem a questão corporal, a questão de voz. Tudo é difícil, na verdade. A transição também é difícil. Há uma coisinha que está fazendo que é muito sutil também. É muito legal, essas três gerações atravessarem a história", refletiu. Para dirigir, a escolha de Yara de Novaes foi deliberada, e nada ingênua. Atriz, diretora e professora premiada, com trabalhos como Prima Facie, com Débora Falabella, e Lady Tempestade, com Andrea Beltrão, Yara trouxe um olhar que Taís descreve com entusiasmo difícil de conter. "A Yara é uma mestra, uma superartista, uma superdiretora, mas uma grande professora também. Ela tem um olhar contemporâneo para tudo, artístico, político. Eu gosto do olhar da Yara, eu acho ela uma grande mulher. Estar com ela é uma honra. A nossa relação é tão forte, tão bonita, é uma troca tão linda. Eu só consigo dizer que é lindo e transformador." Revistas Newsletter

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