Jornal O Globo
Um menino de sete anos morreu após ficar preso no sistema de sucção de uma piscina em um resort na cidade de Castelforte, na Itália. Gabriele Petrucci comemorava o próprio aniversário com a família e amigos quando foi encontrado inconsciente dentro da água, no sábado (18). Cruzeiro encontra cinco corpos no Mediterrâneo após avistar coletes salva-vidas na costa da Espanha Imigrantes criam 'casamentos falsos' no Facebook para obter vistos e evitar deportação no Reino Unido, diz jornal De acordo com relatos, o menino estava na parte rasa da piscina ao lado da mãe, enquanto o pai, Antonello, permanecia a poucos metros, na borda. Em um momento de distração, Gabriele desapareceu. Ao perceber a ausência do filho, o pai voltou o olhar para a água e identificou o corpo da criança preso ao duto de sucção. — Eu vi o corpinho do Gabriele encolhido naquele tubo — disse Antonello, em relato à imprensa local. O menino ainda se debatia debaixo d’água, mas não conseguia retornar à superfície. O pai mergulhou imediatamente e tentou retirá-lo com as próprias mãos, contando com a ajuda de outras três pessoas. Segundo ele, a força de sucção impediu o resgate imediato, sendo necessário desligar a bomba da piscina para liberar a criança. — Tentei puxá-lo, mas não consegui. Só depois que desligaram o sistema foi possível soltá-lo — afirmou. — O braço dele estava roxo. Ele lutou como um leão para se libertar. Apesar das tentativas prolongadas de reanimação, Gabriele não resistiu. O advogado da família, Francesco Lauri, afirmou que não houve possibilidade de reversão do quadro. Falhas de segurança e investigação Os primeiros levantamentos indicam que o tubo de sucção da piscina externa do complexo termal não possuía grade de proteção no momento do acidente. A ausência ou inadequação desse tipo de dispositivo pode aumentar significativamente o risco de aprisionamento por sucção. O pai da criança também levantou suspeitas de possível tentativa de encobrir irregularidades após o ocorrido. Segundo ele, uma grade teria sido encontrada posteriormente em local distante da piscina. — Como que por mágica, essa grade apareceu bem longe — disse à mídia local, sugerindo que o item pode ter sido recolocado após o acidente. A promotoria de Cassino abriu investigação por homicídio culposo contra quatro pessoas, incluindo gestores do resort, o responsável pela manutenção e o funcionário encarregado da reinstalação da grade. Imagens de câmeras de segurança foram apreendidas e são consideradas fundamentais para esclarecer se o equipamento de proteção estava ausente, danificado ou em desacordo com as normas. A piscina foi interditada para a realização de uma auditoria técnica no sistema de circulação de água. Uma inspeção detalhada está prevista para o dia 27 de abril. O sepultamento de Gabriele ocorrerá em Roma, no dia 25. Riscos do sistema de sucção Sistemas de drenagem em piscinas utilizam sucção para filtrar e tratar a água. Quando as tampas de proteção estão ausentes ou comprometidas, a pressão pode prender partes do corpo ou até mesmo imobilizar completamente uma pessoa contra o ralo. Crianças com menos de oito anos são consideradas as mais vulneráveis, devido ao menor porte físico e à dificuldade de resistir à força de sucção. Em ambientes como spas termais, que podem contar com estruturas mais antigas, o risco é ainda maior caso não haja atualização para sistemas modernos de segurança antiaprisionamento. Casos semelhantes já foram registrados em outros países. No Brasil, uma menina de 12 anos morreu após ter o cabelo sugado pelo sistema de uma piscina em Mirassol, no interior de São Paulo, enquanto nadava com amigos. Familiares descrevem Gabriele como um menino “alegre e feliz”. Para o advogado da família, a tragédia poderia ter sido evitada. — A morte é atribuível à má gestão da piscina e a um sistema de segurança desatualizado e fora das normas — afirmou Lauri.
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