Revista Oeste
Episódios recentes evidenciam um problema antigo e negligenciado: a corrosão de estruturas no Brasil. Em janeiro, parte da marquise do Edifício Príncipe de Vivar, no Recife , cedeu — mais um alerta sobre os riscos associados ao desgaste de materiais, sobretudo em regiões litorâneas, onde a combinação de umidade, salinidade e falta de manutenção acelera a deterioração. + Leia mais notícias de Economia em Oeste Os efeitos vão além do prejuízo patrimonial. Falhas estruturais decorrentes de corrosão já estiveram por trás de acidentes com mortes, danos ambientais e interrupções de serviços essenciais. Ainda assim, o tema permanece, em grande medida, restrito ao debate técnico. A chamada Semana Mundial de Combate à Corrosão, cujo ponto alto ocorre nesta sexta-feira, 24, tenta ampliar essa discussão. No Brasil, a iniciativa ganha contornos mais concretos com a realização, em 12 de maio, no Rio de Janeiro, do 1º Fórum Brasileiro de Combate à Corrosão. O evento deve reunir representantes do setor público, empresas e especialistas para discutir medidas de prevenção e gestão de risco. https://www.youtube.com/watch?v=dNtGYvN7Nk4 Um problema bilionário e subestimado Embora pouco visível para a população, o impacto econômico da corrosão é expressivo. Estimativas da Association for Materials Protection and Performance (AMPP) revelam que o custo global do problema chega a US$ 2,5 trilhões por ano — o equivalente a 3,4% do Produto Interno Bruto mundial. Parte significativa dessas perdas poderia ser evitada com medidas preventivas e manutenção adequada. Na prática, porém, a lógica ainda é reativa: corrige-se depois que o dano aparece. Essa inversão de prioridades encarece obras, compromete a segurança e amplia o risco de colapsos. Histórico de negligência O Brasil acumula episódios que ilustram o custo dessa omissão. Em 2023, a ruptura de uma ponte pênsil entre Torres (RS) e Passo de Torres (SC) deixou um morto. Em 2007, o desabamento de parte do antigo Estádio da Fonte Nova, em Salvador, resultou em sete mortes. Anos antes, em 2000, o rompimento de um duto na Baía de Guanabara despejou mais de 1 milhão de litros de óleo no mar, em um dos maiores desastres ambientais do país. https://www.youtube.com/watch?v=GowxSn_qITQ Há ainda casos menos midiáticos, mas igualmente reveladores, como o colapso de estruturas em escolas públicas. Em 2017, a queda de uma caixa-d’água em Nossa Senhora das Dores (SE), associada à deterioração estrutural, deixou mortos e feridos. Os episódios têm um denominador comum: ausência de inspeção sistemática, manutenção insuficiente e baixa prioridade política para a integridade de ativos já existentes. Prevenção ainda fora da agenda A proposta do fórum que será realizado em maio é justamente romper esse padrão. A ideia é discutir desde normas técnicas até políticas públicas capazes de estruturar uma cultura de prevenção no país, algo ainda incipiente. Hoje, a responsabilidade pela conservação de estruturas está fragmentada entre entes públicos e privados, muitas vezes sem coordenação eficiente nem fiscalização adequada. O resultado é previsível: intervenções tardias, custos elevados e riscos que poderiam ser evitados. Leia também: “Punição excessiva e impagável" , artigo de Rachel Díaz na Edição 315 da Revista Oeste O post Contra o prejuízo: combate à corrosão mira segurança e bilhões em economia apareceu primeiro em Revista Oeste .
Go to News Site