Revista Oeste
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, continua em estado grave, porém estabilizado, cerca de dois meses depois dos ataques ao complexo da família. Mesmo ferido, ele tenta passar mensagem de força. Na verdade, sua preocupação é evitar uma ruptura no comando do país, hoje dividido entre correntes que defendem a via diplomática e setores que pressionam por confronto e pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Neste sentido, os objetivos do presidente Donald Trump surtiram algum efeito, já que começam a transparecer divergências no comando iraniano. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste Segundo uma reportagem do The New York Times , Khamenei permanece isolado e sob forte proteção. O acesso ao líder é extremamente restrito. Ele é acompanhado por uma equipe médica permanente, da qual fazem parte o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que tem formação em cirurgia cardíaca, e o ministro da Saúde, Mohammad Reza Zafarghandi. Comandantes militares e autoridades civis evitam visitá-lo pessoalmente por receio de que deslocamentos até o esconderijo possam ser rastreados por Israel. https://www.youtube.com/watch?v=GISPq7q0DXM Fontes iranianas citadas pela reportagem afirmam que o líder passou por três cirurgias na perna e deverá receber uma prótese. Uma das mãos também foi operada e começa a recuperar os movimentos. Além disso, ele sofreu queimaduras graves no rosto e nos lábios, o que dificulta a fala e exigirá novos procedimentos de reconstrução. Apesar das lesões, autoridades afirmam que Khamenei permanece lúcido e acompanha os principais acontecimentos políticos. Para não expor sua imagem comprometida, o líder não tem aparecido em vídeos ou gravações de áudio. A comunicação com o governo ocorre por um sistema discreto: mensagens escritas à mão são enviadas em envelopes lacrados por mensageiros que percorrem rotas secundárias até o local onde ele está escondido, e suas orientações retornam pelo mesmo caminho. Khamenei tem mesmo todos os motivos para se preocupar. Em março, durante coletiva, o porta-voz militar israelense Effie Defrin afirmou que as Forças de Defesa de Israel não sabem ainda do paradeiro do aiatolá, mas acrescentou: "Continuaremos a perseguir qualquer um que represente uma ameaça ao Estado de Israel… Nós o perseguiremos, o encontraremos e o neutralizaremos." Desde o início da guerra, em fevereiro, entre 40 e 50 altos dirigentes do Irã , do núcleo político-militar do regime, foram mortos. Entre eles estão o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do regime iraniano desde 1989 e autoridade máxima sobre as Forças Armadas e a política externa do país. Também foi morto Ali Shamkhani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e um dos principais estrategistas do sistema de defesa iraniano. Outro alvo foi Ali Larijani, influente dirigente do regime e ex-presidente do Parlamento iraniano, figura central na articulação política do establishment. Entre os militares, morreram o ministro da Defesa Aziz Nasirzadeh e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, responsável por coordenar a força mais poderosa do aparato militar iraniano e por supervisionar operações externas e o apoio a milícias aliadas no Oriente Médio. Divergências no Irã Com a mobilidade reduzida de Khamenei, parte da condução do governo passou a ser exercida por generais do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. Entre os nomes mais influentes estão Hossein Taeb, Mohsen Rezaei e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, frequentemente descritos como um “triângulo de poder” que atua ao lado do líder. Leia também: "O estudante e o soldado" , reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 318 da Revista Oeste Embora setores reformistas participem das discussões internas, o peso maior tem sido dos militares. A divergência ficou evidente recentemente, quando foi cancelada a participação de uma delegação iraniana em negociações no Paquistão. Enquanto o presidente Pezeshkian defendia conversas para aliviar o impacto das sanções, comandantes militares argumentaram que as negociações eram inúteis diante do bloqueio naval imposto pelos EUA e das tensões envolvendo o Estreito de Ormuz. Para a analista Sanam Vakil, diretora do programa para Oriente Médio e Norte da África do Chatham House, Khamenei ainda é tratado com respeito dentro do sistema político iraniano, mas nem sempre exerce controle total sobre as decisões. Muitas vezes, afirma, ele é informado sobre resoluções já encaminhadas por outros centros de poder. Mesmo assim, sua posição continua sendo considerada nas decisões estratégicas do regime. O post Irã: aiatolá recluso tenta conter divisão no governo apareceu primeiro em Revista Oeste .
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