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‘Milhares’ de crianças têm risco de contrair malária devido aos cortes dos EUA | Collector
‘Milhares’ de crianças têm risco de contrair malária devido aos cortes dos EUA
Jornal de Brasília

‘Milhares’ de crianças têm risco de contrair malária devido aos cortes dos EUA

Os cortes na ajuda internacional, sobretudo por parte dos Estados Unidos, obrigaram um programa mundial de vacinação a reduzir drasticamente o fornecimento de vacinas contra a malária na África, o que coloca em risco "dezenas de milhares" de crianças, declarou a responsável pelo programa à AFP nesta sexta-feira (24). "Nosso programa contra a malária sofreu os cortes mais drásticos", afirmou Sania Nishtar, diretora‑executiva da Gavi, a Aliança de Vacinas, que reúne doadores públicos e privados com o objetivo de ajudar os países em desenvolvimento a adquirir vacinas a preços acessíveis. Os Estados Unidos, que contribuíam com cerca de 25% do seu orçamento, retiraram no ano passado, sob a direção do seu ministro da Saúde, Robert Kennedy Jr., 1,58 bilhão de dólares (R$ 8,8 bilhões, na cotação da época) de financiamento, segundo a Gavi. A organização apoia a distribuição da vacina contra a malária em 25 países africanos. Esta doença causa, anualmente, cerca de 600.000 mortes, principalmente de crianças, na África. A meta de alcançar uma cobertura vacinal de 85% nos países selecionados até 2030 foi reduzida para 70%, indicou Nishtar durante uma entrevista telefônica à AFP. A Gavi havia estimado que esta implantação permitiria evitar 180.000 mortes durante esse período. O impacto dos cortes "provavelmente se traduzirá em dezenas de milhares de vidas de crianças perdidas", estimou. "Se alguma vez viram uma criança hospitalizada sofrendo convulsões relacionadas com a malária, sabem o que isso significa. É uma cena horrível", comentou a diretora‑executiva. Sania Nishtar também mencionou à AFP as dificuldades encontradas nos esforços para desenvolver a produção de vacinas no continente africano, um tema que veio à tona durante a pandemia de covid-19, quando os países desenvolvidos reservaram em grande medida as doses para si. A Gavi anunciou em 2024 um programa de auxílios de bilhões de dólares para ajudar os futuros fabricantes africanos de vacinas a iniciar suas atividades. No entanto, 18 meses depois, "nenhum dos fabricantes conseguiu receber uma subvenção até agora", constatou. AFP

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