Revista Oeste
O deputado federal Nicoletti (PL-RR) intensificou a pressão sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao protocolar requerimentos de informação que questionam a condução da política trabalhista e a gestão da fiscalização no país diante do caso BYD. O foco da ofensiva é a exoneração de Luiz Felipe Brandão de Mello , o então secretário de Inspeção do Trabalho, ocorrida poucos dias depois da inclusão da montadora BYD na “lista suja” do trabalho escravo. A decisão ocorreu depois denúncias de trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas envolvendo operários chineses na construção da fábrica da BYD em Camaçari, Bahia. + Governo demite secretário que colocou a BYD na ‘lista suja’ da escravidão No documento enviado ao Ministério do Trabalho, chefiado por Luiz Marinho, o parlamentar cobra explicações diretas: “Quais razões técnicas, administrativas ou políticas motivaram a exoneração, (…) exatamente sete dias após a inclusão da montadora BYD na Lista Suja do Trabalho Escravo?” https://www.youtube.com/watch?v=DkfVIezMV2E + BYD é processada por trabalho escravo e tráfico de pessoas O requerimento também levantou suspeitas de possível interferência política, ao questionar se houve tentativa de impedir ou adiar a inclusão da empresa no cadastro. “Houve orientação para que a BYD fosse excluída ou para que sua inclusão fosse adiada?”, indagou. O parlamentar ainda mencionou críticas de auditores fiscais e cobra esclarecimentos sobre a hipótese de retaliação ao então secretário. Segundo Nicoletti, o caso levanta dúvidas sobre a “credibilidade institucional e reputação internacional do Estado brasileiro”. Ao sintetizar a crítica, Nicoletti fez uma pergunta direta ao governo: “O Ministério do Trabalho trabalha a favor ou contra a fiscalização trabalhista?” https://www.youtube.com/watch?v=QFuCORuLgHE Déficit na fiscalização trabalhista n o g o vern o Lula Nicoletti também citou o déficit na fiscalização trabalhista. O requerimento apontou que o Brasil conta hoje com cerca de 2.700 auditores, número abaixo do mínimo recomendado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O parlamentar destacou a existência de mais de mil cargos vagos, apesar de cerca de 1,8 mil aprovados aguardarem a convocação. O deputado ainda interpelou por que o governo solicitou a nomeação de apenas 40 candidatos adicionais. Em outro pedido, direcionado ao Ministério da Gestão, o parlamentar cobrou explicações sobre a demora na ampliação do efetivo e alerta para possíveis impactos externos, como sanções comerciais, diante da fragilidade na fiscalização. Entenda o caso BYD Fábrica da BYD | Foto: Divulgação/BYD O caso envolvendo a montadora chinesa BYD no Brasil ganhou repercussão nacional após a identificação de trabalhadores estrangeiros submetidos a condições degradantes durante a construção da fábrica da empresa em Camaçari, na Bahia. As denúncias vieram à tona a partir de uma operação realizada em dezembro de 2024, quando auditores do trabalho encontraram mais de 160 operários chineses — número que, segundo relatos posteriores, pode ter ultrapassado 200 — em situação considerada análoga à escravidão. + Acordo prevê R$ 40 mi por trabalho análogo à escravidão em obra da BYD na Bahia De acordo com as investigações, os trabalhadores haviam sido contratados por empresas terceirizadas para atuar na obra e viviam em alojamentos precários, com indícios de jornadas exaustivas, retenção de documentos e condições inadequadas de higiene e segurança. O caso levou à abertura de procedimentos administrativos e judiciais para apurar responsabilidades. Entenda os desdobramentos do caso: Maio de 2025 — atuação do MPT: o órgão ingressou com ação contra a BYD e as empresas terceirizadas envolvidas — entre elas China JinJiang e Tecmonta — por suposto trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas, com pedidos de indenização por danos morais coletivos e individuais. Janeiro de 2026 — acordo financeiro: foi divulgado um acordo de aproximadamente R$ 40 milhões, com a BYD atuando como avalista para viabilizar o pagamento de indenizações aos trabalhadores resgatados. Abril de 2026 — inclusão na “lista suja”: a BYD foi incluída no cadastro de empregadores flagrados com trabalho análogo à escravidão, mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Abril de 2026 — retirada da lista por decisão judicial: poucos dias depois da inclusão, a empresa obteve uma liminar na Justiça para retirada do nome da lista, sob o argumento de que não teria responsabilidade direta pelas irregularidades, uma vez que os trabalhadores estavam vinculados a empresas terceirizadas. Rescisão de contratos: depois da repercussão do caso, a BYD anunciou a rescisão dos contratos com as empresas terceirizadas envolvidas nas irregularidades. Repercussão internacional: o governo chinês se manifestou, afirmando que empresas do país devem respeitar a legislação trabalhista dos locais onde atuam. + Leia mais notícias de Política em No Ponto O post Deputado cobra Lula por demissão de secretário que pôs a BYD em lista de trabalho escravo apareceu primeiro em Revista Oeste .
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