Jornal O Globo
Nos últimos dias, a venda da mineradora Serra Verde, que tem a única operação em escala comercial desses elementos fora da Ásia, para a empresa americana USA Rare Earth abriu um debate político e estratégico no Brasil. O negócio avalia a companhia brasileira em US$ 2,8 bilhões e deve ser concluído no terceiro trimestre. O anúncio chegou a fazer aliados do presidente Lula acionarem a Procuradoria Geral da República para apurar a transação. O Brasil tem a segunda maior reserva de terras-raras, atrás apenas da China, principal adversária dos americanos na corrida tecnológica. Mas afinal o que são terras-raras e por que são tão importantes no mundo contemporâneo? Veja também: Governo Lula tenta definir estratégia para terras raras em meio a divisão interna Após anúncio: Governo prepara medidas para processamento de minerais críticos no Brasil e descarta nova estatal Elas são cruciais para a produção de uma série de novas tecnologias, como baterias de carros elétricos, painéis fotovoltaicos, semicondutores, smartphones, telas e monitores, lâmpadas de LED, novas tecnologias de raio-x, turbinas eólicas e até armamentos. O que são as terras-raras? As chamadas terras-raras estão entre as mais cobiçadas matérias-primas do mundo atualmente e ganharam uma importância geopolítica sem precedentes com a guerra comercial promovida pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Elas são um conjunto de 17 elementos químicos da tabela periódica. Apesar do nome, são facilmente encontrados no solo e em minerais. O problema é que aparecem em baixas concentrações. Isso torna sua extração complexa, cara e ambientalmente sensível. Em depósitos extensos, aproveita-se pouco. Veja para que são usados alguns dos elementos: Titânio: usado na aviação, construção civil, implantes ortopédicos, tintas, cosméticos e outras aplicações. As minas ucranianas representam cerca de 6% da produção global. Lítio: fundamental para baterias de veículos elétricos e eletrônicos. A Ucrânia detém um terço das reservas de lítio da Europa, embora algumas jazidas estejam em áreas de conflito. Urânio: utilizado em usinas nucleares e armas nucleares. O país tem as maiores reservas de urânio da Europa. O que são terras raras? Editoria de Arte O que são os minerais críticos? Já os minerais críticos formam uma categoria mais ampla. O termo não fala de uma propriedade química específica, mas se refere à importância estratégica e ao risco de fornecimento. São considerados críticos aqueles minerais essenciais para setores-chave da economia e cuja oferta está concentrada em poucos países ou sujeita a instabilidades. Entram nessa lista o lítio, o nióbio, o cobalto, o grafite e as próprias terras-raras. No caso do lítio, fundamental para baterias de carros elétricos, o Brasil detém cerca de 8% das reservas mundiais. Já em nióbio, usado na produção de ligas metálicas de alta resistência para a indústria e para o setor aeroespacial, o país responde por 93,1% das reservas globais. Para que servem as terras-raras? Editoria de Arte Os minerais críticos têm sido cada vez mais importantes para a transição energética e para o avanço tecnológico. Por isso, estão no centro da corrida global por inovação e segurança econômica. O rápido desenvolvimento de baterias de carros elétricos, painéis solares, turbinas eólicas, semicondutores e equipamentos de defesa elevou a demanda por esses insumos em todo o mundo. Para especialistas, os minerais críticos vão exercer papel similar na geopolítica global ao do petróleo no século XX. O rápido desenvolvimento de novas tecnologias avançadas, das baterias de carros elétricos e painéis fotovoltaicos aos semicondutores e armamentos, provocou um aumento global da demanda por minerais críticos que são insumos dessas novas indústrias. Onde estão as reservas brasileiras? O Brasil tem interesse em atrair investimentos para explorar elementos de terras-raras (ETRs), cuja produção demanda uma cadeia industrial de beneficiamento. Os oito projetos mais adiantados no país foram mapeados em um relatório do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), feito com o Ibram e instituições de pesquisa. Estão à frente deles empresas estrangeiras, principalmente pequenas mineradoras de capital aberto, conhecidas como “junior mineral companies”, de EUA, Austrália e Canadá. No entanto, a maior parte está em estágios inicias e apenas um está em operação. Faltam planos para explorar cerca de dois terços do potencial brasileiro. O Brasil tem ainda outros 12 projetos nessa área, a maioria ainda sem reservas estimadas. A Terra Brasil Minerals espera concluir nos próximos meses a venda de uma fatia minoritária de suas ações para investidores internacionais como forma de levantar US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) para iniciar um outro projeto em Patos de Minas (MG) que combina ETRs com fosfato e potássio, usados na fabricação de fertilizantes, informou a Reuters.
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