Revista Oeste
Facilidades incomuns concedidas a detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, na Bahia, são alvo de investigação, depois da fuga de 16 presos ligados ao PCE, braço do Comando Vermelho no Estado. Os detentos tinham livre acesso a eletrodomésticos, refeições diferenciadas, visitas íntimas e até as chaves das próprias celas, além de terem organizado o velório da avó de um dos líderes do grupo, com o corpo levado até o interior do presídio. + Leia mais notícias de Brasil em Oeste Essas informações constam nos autos da Operação Duas Rosas, ação do Ministério Público da Bahia, que apura ligações entre políticos locais e membros do PCE. Entre os investigados está o ex-deputado federal Uldurico Júnior, preso recentemente sob suspeita de facilitar a fuga dos detentos em troca de R$ 2 milhões. O vínculo entre Uldurico e os traficantes seria Joneuma Silva Neres, ex-diretora do presídio, indicada ao cargo pelo ex-parlamentar. A defesa de Uldurico Júnior declarou que as acusações são “infundadas” e afirmou que “isso será provado”, além de classificar a investigação como “clara perseguição política”, especialmente em ano eleitoral, segundo nota enviada à reportagem. Gestão da diretora e facilitação do PCE Joneuma assumiu a direção do Conjunto Penal de Eunápolis em 14 de março de 2024 e permaneceu até dezembro, quando foi afastada diante da fuga em massa. Ela acabou presa em janeiro de 2025, acusada de facilitar as ações do PCE. Entre os fugitivos estava Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como Dada, apontado como líder do grupo. Relatórios mostram que Uldurico e Dada se encontraram diversas vezes na sala da diretora. https://www.youtube.com/watch?v=HrBMyl7Yb2Q Durante sua gestão, Joneuma teria adotado práticas que favoreceram o PCE, liberando eletrodomésticos, equipamentos de som e visitas íntimas nos pavilhões. Os presos também circulavam livremente no presídio e tinham posse das chaves das celas. Nesse período, ela autorizou o velório da avó de Sirlon Risério da Silva, considerado braço-direito de Dada. O corpo foi levado até a unidade para a cerimônia com a família do detento. Em colaboração premiada ao MP-BA, Joneuma afirmou que permitiu a entrada do caixão por acreditar ser um gesto humanitário, e não algo ilícito. A fuga dos 16 presos ocorreu em dezembro de 2024. Eles foram concentrados em duas celas próximas e utilizaram uma furadeira para abrir um buraco no teto. Dois servidores alertaram sobre ruídos, mas a diretora não tomou providências. Detalhes da fuga e operações policiais Consta nos depoimentos que Joneuma sabia do plano de fuga, previsto para 31 de dezembro de 2024, período de suas férias. Porém, os presos anteciparam a ação ao ouvirem rumores de transferência. Dada, depois da fuga, foi localizado no Rio de Janeiro , onde possuía conexões com o Comando Vermelho. Em operação recente, na segunda-feira, 20, a polícia tentou capturá-lo no Vidigal, mas ele escapou por uma passagem secreta, deixando familiares na residência. O nome Operação Duas Rosas faz referência a códigos usados pela facção para designar propina. “Rosa” era utilizada em mensagens cifradas, segundo a Promotoria, em frases como “quando as rosas vão chorar” ou “choram as rosas”. Relações políticas e repercussão A Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia, sob comando de José Castro, indicado pelo MDB, integra a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) desde 2022. Uldurico Júnior era filiado ao MDB e disputou cargos como deputado federal e prefeito de Teixeira de Freitas, sem sucesso, migrando recentemente para o PSDB. Leia também: “Punição excessiva e impagável" , artigo de Rachel Díaz na Edição 315 da Revista Oeste O post Traficantes fazem velório em presídio na Bahia apareceu primeiro em Revista Oeste .
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