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Recuo parcial do Departamento de Justiça em investigação sobre Powell mantém tensão no Fed | Collector
Recuo parcial do Departamento de Justiça em investigação sobre Powell mantém tensão no Fed
Jornal O Globo

Recuo parcial do Departamento de Justiça em investigação sobre Powell mantém tensão no Fed

A decisão da procuradora federal dos EUA, Jeanine Pirro, de abandonar uma investigação criminal sobre o Federal Reserve (Fed, banco central americano) pode abrir caminho para que o indicado do presidente Donald Trump assuma o comando do banco central. O que isso não fará é garantir a saída do atual presidente do Fed. Jerome Powell prometeu permanecer no banco central até que a investigação do Departamento de Justiça — relacionada a estouros de custos em uma reforma de edifício — seja concluída “com transparência e de forma definitiva”. ‘Ele mantém o mercado sob controle total’: ações seguem ritmo das postagens de Trump Plataformas de previsões no alvo: entenda o vácuo regulatório que o BC decidiu fechar Não está claro se a decisão de Pirro, que transfere a apuração para o próprio Escritório do Inspetor-Geral do Fed, atenderá a esse critério. Ao anunciar a medida na sexta-feira, Pirro também disse que “não hesitará em reabrir uma investigação criminal caso os fatos justifiquem”. Isso sugere pressão contínua da administração Trump, o que pode levar Powell a permanecer no Fed mesmo que o indicado do presidente para substituí-lo, Kevin Warsh, seja confirmado pelo Senado. Embora o mandato de Powell como presidente termine em 15 de maio, seu assento no Conselho de Governadores, que vota pela taxa de juros, vai até 2028. — Eu não diria que é uma certeza neste momento — afirmou Brett Ryan, economista sênior do Deutsche Bank, sobre as chances de o anúncio convencer Powell a se aposentar. — Pirro deixou em aberto a possibilidade de retomar o caso, e isso pode fazer Powell hesitar em deixar seu cargo no conselho. Pouco acima de R$ 12 hoje: discurso pró-cripto de Trump não consegue frear tombo de sua 'memecoin' Warsh, que compareceu a uma audiência de confirmação no Comitê Bancário do Senado esta semana, conta com amplo apoio de parlamentares republicanos. Mas um senador-chave do partido, Thom Tillis, da Carolina do Norte, prometeu bloquear sua confirmação até que a investigação do Departamento de Justiça seja encerrada. Tillis ainda não comentou publicamente desde o anúncio de Pirro na sexta-feira, embora esteja previsto que conceda entrevista ao programa Meet the Press, da NBC, na manhã de domingo. Trump comentou brevemente sobre o futuro de Warsh ao ser questionado por repórteres no sábado, dizendo que “imagina que será tranquilo” agora que a investigação criminal foi encerrada. Mas evitou dar sinal verde para Powell, citando a investigação do inspetor-geral do Fed e afirmando que “tem a obrigação de descobrir” o que está por trás do estouro de custos. O Comitê Bancário do Senado avançou com a marcação de uma votação sobre a nomeação de Warsh para as 10h do dia 29 de abril. Normalmente, presidentes do Fed deixam a instituição após o fim de seus mandatos — apenas um permaneceu no cargo após esse período em 112 anos de história do banco central. Se Powell decidir ficar, isso impediria Trump de nomear outra pessoa para o conselho de sete membros, limitando seus esforços para remodelar a instituição. Initial plugin text Isso também poderia criar centros de influência concorrentes dentro do Fed em um momento crucial para a política monetária, gerando dúvidas entre o público e nos mercados financeiros sobre quem realmente comanda o banco central mais poderoso do mundo. Trump tem criticado repetidamente Powell por não cortar os juros mais rapidamente e deixou claro que espera que o próximo presidente do Fed o faça. No entanto, Warsh, se confirmado, teria apenas um voto no Comitê Federal de Mercado Aberto, composto por 12 membros, o que significa que precisaria convencer seus colegas. Com Powell ainda no conselho, essa tarefa pode se tornar mais difícil — especialmente se ele discordar do novo presidente. — O que estamos vendo parece normal para a parte política de Washington — coalizões mudando e negociações de bastidores, mas isso está muito distante do que estamos acostumados a ver no Fed, o que acaba sendo disruptivo — disse Stephen Stanley, economista-chefe para os EUA da Santander US Capital Markets. Ao longo de seus oito anos como presidente, Powell conduziu o Fed de maneira semelhante a seus antecessores, priorizando a construção de consenso. Isso lhe garantiu amplo apoio entre seus colegas, muitos dos quais o elogiaram publicamente nos últimos meses desde o início da investigação do Departamento de Justiça. Auge da extravagância em engenharia: Porsche vende participação na Bugatti e recua do segmento de carros ultraluxuosos Autoridades do Fed mantiveram as taxas de juros estáveis neste ano enquanto tentam conter uma inflação persistentemente elevada e monitorar os efeitos da guerra no Irã sobre a economia americana. A inflação está acima da meta de 2% há mais de cinco anos, e o choque no petróleo decorrente do conflito fez os preços dos combustíveis dispararem. Warsh, que foi governador do Fed entre 2006 e 2011, tem criticado a instituição desde que deixou o cargo. Em sua audiência de confirmação na terça-feira, ele defendeu uma “mudança de regime” na condução da política monetária. Também afirmou que as autoridades deveriam adotar um novo modelo para lidar com a inflação, mas deu poucos detalhes. Economistas da Evercore ISI, liderados por Krishna Guha, classificaram os comentários como “provocativos” e disseram que eles podem aumentar as chances de Powell permanecer no Fed como forma de proteger a instituição. — Nossa impressão é que Powell permanecerá como um governador comum do Fed por alguns meses para evitar qualquer percepção de um acordo implícito ou de uma saída sob pressão — escreveu Guha em nota a clientes. Initial plugin text

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