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Shakira no Rio: show em Copacabana celebra a carreira de artista que abriu caminhos o atual boom da música latina | Collector
Shakira no Rio: show em Copacabana celebra a carreira de artista que abriu caminhos o atual boom da música latina
Jornal O Globo

Shakira no Rio: show em Copacabana celebra a carreira de artista que abriu caminhos o atual boom da música latina

Das três divas, certamente a mais brasileira, Shakira é o nome que sucede aos de Madonna e de Lady Gaga, no próximo sábado, como atração do show gratuito na Praia de Copacabana do começo do mês de maio. O evento que deu origem ao projeto Todo Mundo no Rio, da produtora Bonus Track, cresce a cada ano. Se não no número de pessoas nas areias (espera-se que a colombiana vá ficar com algo entre o 1,6 milhão da Material Girl e os 2,1 milhões de Gaga), ao menos no tamanho do palco (leia mais na página 2). Shakira no Rio: Saiba quando será, onde assistir e o que esperar do show da cantora em Copacabana Quando Shakira chega ao RJ? Em finalização, palco vira ponto de encontro de fãs — Como o show da Shakira já é muito grandioso, com muito telão, muita coisa técnica, pegamos o palco da turnê original e ampliamos — explica Luiz Guilherme Niemeyer, sócio-diretor da Bonus Track. — A equipe dela está muito envolvida em fazer a coisa acontecer da melhor forma, em fazer uma promoção. A Shakira foi supersolícita, gravando vídeo, eles estão engajados. Ao trazer Madonna e Lady Gaga quando as estrelas já não se apresentavam no país há mais de uma década, Niemeyer falava de “escassez” como um valor que orientava as escolhas do Todo Mundo no Rio. No caso de Shakira — que abriu sua atual turnê, “Las mujeres ya no lloran”, no Rio, em fevereiro do ano passado —, ele deu mais peso a outros valores. Antônio Carlos e Jocafi: O 'desacato' de sempre, agora para gringo ouvir — A questão da latinidade, do orgulho latino, ficou muito forte, principalmente depois da apresentação do Bad Bunny no Super Bowl (final do campeonato de futebol americano nos EUA) — diz. — Shakira fez um vídeo recentemente falando que Copacabana é o altar do mundo, e seria para ela uma coroação, a consagração global. Com “Las mujeres ya no lloran”, Shakira, artista de 49 anos e mais de 30 de carreira, quebraria o recorde de turnê de maior bilheteria de uma latina (e a maior de uma mulher em 2025 — apenas o grupo inglês Colpdplay arrecadou mais com ingressos que ela). No começo de março, na Cidade do México, ela reuniu mais de 400 mil pessoas em um show gratuito no Zócalo, a maior praça pública da América Latina, quebrando o recorde de plateia, depois de 13 apresentações com ingressos esgotados no estádio GNP Seguros, também na capital mexicana. Shakira é a estrela que caminhou para que Bad Bunny pudesse correr. Em 1998, produzido nos EUA pelo midas do pop latino Emilio Estefan, “Dónde están los ladrones?”, álbum da roqueira mal saída da adolescência, abalroou a parada latina do país com “Ciega, sordomuda”, “Tú” e “Ojos así”, canção em que explicitou suas raízes libanesas, inclusive com a incorporação da dança do ventre. Em 2005, estabelecida nos EUA, inovaria ao lançar dois álbuns: em espanhol (“Fijación oral, Vol. 1”) e em inglês (“Oral fixation, Vol. 2”). O disco não ia lá muito bem de vendas em 2006, quando a gravadora teve a ideia de relançá-lo com uma faixa bônus, “Hips don’t lie”, com participação de Wyclef Jean, rapper dos Fugees. A canção — que incorporava elementos do reggaeton, estilo de Porto Rico que começava a despontar para o mundo com o “Gasolina” de Daddy Yankee (e, uma década depois, daria em Bad Bunny) — chegou ao topo das paradas nos EUA, na Austrália e em toda a Europa, virando um dos maiores sucessos do ano e consolidando a carreira internacional da colombiana. Uma carreira que, por sinal, seguiu de maneira estável ao longo dos anos, mas teve uma espetacular reviravolta (bem próxima de um renascimento) quando em 2022, após 12 anos de casamento com o jogador espanhol Gerard Piqué (com o qual teve dois filhos, Milan e Sasha), ela se descobriu traída e acabou com tudo. Lançada em 2023, a canção de Shakira que contou a sua versão do caso, “Shakira: Bzrp Music Sessions, Vol. 53”, com o DJ argentino Bizarrap, dominou o streaming global e registrou o maior número de visualizações no YouTube na categoria de música latino-americana, com versos de puro veneno como “você trocou um Rolex por um Casio”. Na sequência, em 2024, ela lançou o álbum “Las mujeres ya no lloran”, um documento de todo o processo de queda, dor e superação, esfumaçando as barreiras entre arte e vida, poesia e diário. Concorrendo com álbuns de mulheres pesos-pesados do pop, como Taylor Swift, Beyoncé, Ariana Grande e Billie Eilish, o disco chegou ao 13º lugar na parada americana e ao primeiro das de pop latino. Rock, dance e latinidade Com uma passada por sua história de sucessos (que começou para além da Colômbia em 1995, com o estouro da música “Estoy aquí”), o atual show de Shakira se espalha pelo rock, pelo dance e pelas latinidades dançantes — o reggaeton come solto em “Copa vacía”, “La bicicleta” e “TQG”, hit da nova estrela latina (e também colombiana) Karol G —, com desvios para a explosão de cores africanas do “Waka waka (this time for Africa)”, música oficial da Copa do Mundo de 2010. Não faltam os hits da vingança, caso de “Shakira: Bzrp Music Sessions, Vol. 53” e de “Soltera”, que diz tudo na letra: “Tenho o direito de me comportar mal para me divertir.” E o single que lançou este ano, “Algo tú”, com feat do jovem astro colombiano Beéle. Tudo isso acompanhada por um time robusto de bailarinos, banda afiada, grafismos no telão e uma rampa para ficar próxima do público. A cantora poderá também fazer surpresas para os fãs brasileiros, que conhece desde os tempos que frequentava o sofá da apresentadora Hebe Camargo (seu português é impecável). Uma delas nem seria tão surpresa assim: “Choka choka”, feat com Anitta, e que a brasileira lançou há poucos dias no álbum “Equilibrivm”. No show do ano passado no Rio, Shakira cantou o “Mama África” de Chico César. Outros afagos aos brasileiros são esperados. Como mais uma diva do Todo Mundo no Rio (“o que não significa que a gente não possa mudar tudo aí nos próximos anos, fazer um show de rock, fazer um show de K-pop”, avisa Niemeyer), Shakira chega com potencial para trazer ao Rio um público das vizinhanças. — Tem muita gente vindo da Colômbia, de toda a América Latina. A estimativa é de mais de 500 mil turistas na cidade no fim de semana do show — diz Niemeyer, acrescentando que o plano de segurança para o público é uma versão intensificada dos anteriores. — Tem mais equipamento, câmeras de reconhecimento facial. Estamos aumentando, com o governo do Estado, a quantidade de pessoas para a revista do público.

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