Jornal O Globo
Para uma mulher disputar eleição pelo PL, não basta que se dediquem a uma campanha. As que decidem ingressar na política pela legenda passam por um processo de formação que envolve posicionamento pessoal, estratégia eleitoral e preparação prática. Racha na direita: Nikolas chama Jair Renan de ‘toupeira cega’ e amplia atrito com família Bolsonaro após embate com Eduardo 'Impossível não se indignar': Janja rebate falas de aliado de Trump que chamou brasileiras de 'raça maldita' Coordenado pelo PL Mulher, sob comando de Michelle Bolsonaro, o modelo busca ampliar a presença feminina e atrair eleitoras que já demonstraram alta rejeição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A candidatura é tratada como uma “jornada eleitoral”, descrita em cartilhas que detalham etapas desde o autoconhecimento até a disputa nas urnas — a ideia é construir um caminho consciente, e “não apenas uma corrida eleitoral”. O processo começa com reflexões sobre propósito e viabilidade. As postulantes são estimuladas a avaliar riscos, identificar potenciais e até listar “sacrifícios pessoais” exigidos por uma campanha, comparando-os com os possíveis resultados. “Vale a pena? Tomara que sim!”, resume um dos trechos. A formação inclui cursos, palestras e materiais didáticos, voltados especialmente a candidatas em sua primeira experiência. Entre eles está a “bússola” do PL Mulher, que define a família como “norte” da atuação política, com base no princípio constitucional de que ela é a base da sociedade. Neste ano, por exemplo, o PL Mulher promoveu treinamento com a estrategista internacional María Irene, que atua na formação de lideranças políticas e já trabalhou com campanhas eleitorais em diferentes países. Outro eixo é o Projeto Alicerça Brasil, que organiza grupos de 12 a 15 mulheres para reuniões periódicas. As participantes, chamadas de “alicerçadas”, seguem roteiros com leitura, reflexão e, ao final, a etapa de “agir”, quando propõem ações concretas para suas comunidades. Os encontros se encerram com uma espécie de grito de guerra. A coordenadora diz em voz alta: “Edificando a nação”. E as mulheres bradam: “Alicerçadas!”. ‘Necessaire política’ Há ainda formatos inusitados, como a “necessaire política”, distribuída em eventos. Com aparência de bolsa, o material reúne orientações sobre comunicação, atuação institucional e organização de base, reforçando o engajamento. Entre as diretrizes, está a recomendação de avaliar o impacto de políticas públicas sobre a família. A preparação também inclui instruções sobre comportamento e imagem pública, com orientações sobre vestimenta, postura e comunicação — incluindo a ideia de que “roupas falam antes da sua voz” e que, em certos momentos, o silêncio pode ser estratégico. O movimento do PL ocorre em um contexto mais amplo de avanço de partidos de centro e direita na eleição de mulheres. Em 2024, essas siglas concentraram a maioria das prefeitas eleitas no país. Somente o MDB elegeu 129 mulheres, seguido por PSD (102), PP (89), União Brasil (88), PL (60) e Republicanos (51). Já o PT elegeu 41 prefeitas, ficando atrás, por exemplo, do PSB, que também alcançou 51. Para este ano, entre os nomes vistos como mais competitivos pelo PL, estão as deputadas federais Caroline de Toni, em Santa Catarina, e Bia Kicis, no Distrito Federal. Ambas vão disputar uma vaga no Senado e são vistas internamente como virtualmente “eleitas”. Integrantes da legenda também apostam na candidatura de Michelle ao Senado, embora interlocutores afirmem que a decisão segue em aberto.
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