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Messias dribla ausência da Alcolumbre e tenta acelerar conversas com senadores às vésperas de sabatina pré-STF | Collector
Messias dribla ausência da Alcolumbre e tenta acelerar conversas com senadores às vésperas de sabatina pré-STF
Jornal O Globo

Messias dribla ausência da Alcolumbre e tenta acelerar conversas com senadores às vésperas de sabatina pré-STF

Ainda em busca de votos para ser aprovado pelo Senado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, acelerou nos últimos dias as conversas com integrantes da Casa e vem se preparando para responder, na sabatina marca da para quarta-feira, sobre temas como o Banco Master, as relações entre Judiciário e Legislativo, anistia a envolvidos na trama golpista e aborto. Messias calcula ter falado com 75 senadores, mas uma ausência na lista, no entanto, causa preocupação: o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Racha na direita: Nikolas chama Jair Renan de ‘toupeira cega’ e amplia atrito com família Bolsonaro após embate com Eduardo 'Impossível não se indignar': Janja rebate falas de aliado de Trump que chamou brasileiras de 'raça maldita' Auxiliares organizaram um roteiro de temas considerados sensíveis e vêm simulando cenários de embate com base em questionamentos já feitos por parlamentares em conversas reservadas. Messias tirou férias da AGU até o fim do mês para se dedicar à sabatina. Os ensaios, segundo interlocutores, não se limitam ao conteúdo técnico das respostas, mas também ao tom e à forma de exposição. Há preocupação em evitar declarações que possam ser interpretadas como confronto com o Congresso ou que estimulem críticas à atuação do STF. A orientação é adotar uma linha institucional, com menor carga de enfrentamento, em sintonia com o esforço de se apresentar como um nome conciliador. Mais moderado Além do treinamento, as interlocuções mais recentes com senadores, sejam ao vivo, por telefone ou via mensagens de WhatsApp, incluíram nomes da oposição e têm servido como teste para o que virá na sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Messias defendeu nas conversas uma postura menos intervencionista da Corte sobre o Congresso, em resposta a críticas de senadores sobre decisões que atingem prerrogativas do Legislativo. Evangélico, ele também afirmou ser favorável às hipóteses já previstas em lei para o aborto e defendeu que eventuais ampliações sejam tratadas pelo Legislativo, não pelo Judiciário. A leitura entre aliados é que a estratégia adotada na reta final — com discurso mais moderado e foco na redução de resistências — busca consolidar o movimento de ampliar apoios. Nos bastidores, aliados trabalham com um universo potencial de até 60 votos favoráveis, mas com uma projeção mais realista entre 46 e 48 votos. A conta inclui parlamentares que evitam assumir posição publicamente, mas que, segundo relatos, indicaram tendência de voto favorável em conversas reservadas. Apesar do avanço nas conversas, a ausência de um encontro com Alcolumbre passou a concentrar as preocupações de interlocutores de Messias. A avaliação é que a reunião poderia funcionar como gesto decisivo para dar previsibilidade ao desfecho e reduzir a margem de incerteza entre parlamentares ainda indecisos. A possibilidade de uma reunião esfriou após a participação de Messias em um jantar organizado pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP), adversário político de Alcolumbre no Amapá. O mesmo grupo havia sido responsável por um encontro, semanas antes, que reuniu 38 senadores e ajudou a destravar o envio da indicação à CCJ, consolidando uma base inicial de apoio ao nome do advogado-geral da União. Integrantes do governo chegaram a discutir a realização de uma agenda envolvendo o presidente Lula, Messias e Alcolumbre antes da sabatina, mas a hipótese perdeu força diante do calendário apertado.

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