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Trump diz que disparos em jantar são sinal de sua importância histórica, muda o tom e defende salão de baile na Casa Branca | Collector
Trump diz que disparos em jantar são sinal de sua importância histórica, muda o tom e defende salão de baile na Casa Branca
Jornal O Globo

Trump diz que disparos em jantar são sinal de sua importância histórica, muda o tom e defende salão de baile na Casa Branca

Apenas horas depois de um homem armado invadir o tradicional jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca na noite de domingo, o presidente americano, Donald Trump, disse enxergar seus repetidos encontros com a violência como um sinal de sua importância histórica; afirmou que o episódio evidencia a necessidade da construção de seu planejado salão de baile na residência oficial da Presidência e adotou um tom incomumente conciliador ao pedir unidade e reconciliação entre partidos. — Estudei assassinatos e devo dizer que as pessoas mais impactantes, aquelas que fazem mais, são as que acabam sendo alvo — disse ele a repórteres na Casa Branca pouco depois da prisão do suspeito, identificado como Cole Tomas Allen, californiano de 31 anos. — É uma profissão perigosa, mas não vejo dessa forma. Estou aqui para fazer um trabalho. Não consigo imaginar uma profissão mais perigosa, mas amo o país e tenho muito orgulho. 'Possivelmente Trump': Atirador 'tinha como alvo membros do governo' Trump, diz secretário de Justiça interino Entenda: Atirador do jantar de imprensa escreveu manifesto 'anticristão' com incentivo a ataques a membros do governo, diz Trump Trump argumentou que o tumulto evidenciava a necessidade de um novo salão de baile na Casa Branca. O projeto é prioridade para o governo desde outubro, mas tem sido alvo de disputas judiciais que vêm atrasando seu avanço. Para o presidente e dezenas de apoiadores, o incidente ajudou a ilustrar o motivo pelo qual a ação judicial que tenta barrar a construção do salão deveria ser rejeitada. Advogados de Trump já argumentaram em tribunal que o projeto melhoraria a segurança e permitiria eventos maiores no complexo presidencial. Há pouco mais de uma semana, um juiz federal intensificou o impasse jurídico ao ordenar a suspensão das obras acima do solo, afirmando que o presidente parecia tentar contornar uma decisão anterior ao redefinir o projeto como uma melhoria de segurança nacional. Na decisão, Richard J. Leon afirmou que a inclusão de elementos como janelas à provas de balas e outros recursos de segurança comuns na Casa Branca não isentava o projeto de suas determinações: “A segurança nacional não é um cheque em branco para avançar com atividades que, de outra forma, seriam ilegais”, escreveu, indicando que Trump não tinha autoridade para reconstruir unilateralmente a Casa Branca sem aprovação do Congresso. Um tribunal de apelações, no entanto, permitiu que a construção continue enquanto analisa a decisão. Motivação é investigada: FBI realiza buscas na casa do suspeito por disparos no jantar dos correspondentes da Casa Branca Os planos do presidente preveem uma estrutura de cerca de 8,3 mil metros quadrados no local da antiga Ala Leste. Ele afirma que o projeto será financiado por US$ 400 milhões em doações privadas, mas se recusa a divulgar os nomes dos doadores. Trump tem reclamado constantemente da falta de espaço interno para eventos na Casa Branca e propôs o salão como solução para receber encontros maiores. Neste domingo, ele criticou o processo judicial que tenta barrar o projeto, classificando-o como uma “campanha ridícula”. “Este evento nunca teria acontecido com o Salão de Baile Militar de Máximo Sigilo atualmente em construção na Casa Branca”, escreveu o presidente nas redes sociais na manhã de domingo, pouco antes de reforçar a mensagem em entrevista à Fox News. O esforço de Trump para vincular a segurança do jantar à disputa em torno do salão, no entanto, ignora as características do evento e as circunstâncias da falha de segurança. A Associação de Correspondentes da Casa Branca, que organiza o jantar anual desde 1921, é uma entidade independente cujos membros são jornalistas que cobrem a Presidência. O grupo enfrentou críticas neste ano por convidar o presidente — como normalmente faz há anos — diante das iniciativas de Trump de investigar jornalistas e processar veículos de imprensa. Não está claro que a organização aceitaria realizar o evento dentro da Casa Branca. Mudança de tom Ao mesmo tempo, o presidente americano também buscou adotar um tom sóbrio ao comentar o ocorrido. O suspeito, munido de armas de fogo e facas, tentou ultrapassar o perímetro de segurança dentro do hotel em Washington onde o republicano estava prestes a discursar. Dentro do salão, onde mais de 2 mil pessoas estavam reunidas, imagens mostram Trump e a primeira-dama sentados em um palco na parte frontal, conversando com outros convidados, quando sons altos foram ouvidos à distância. Na sequência, eles são rapidamente retirados do palco por seguranças, enquanto alguns convidados se abaixam para se proteger. — É sempre chocante quando algo assim acontece. Aconteceu comigo, e isso nunca muda. Nenhum país está imune [à violência] — disse ele em entrevista coletiva a repórteres horas mais tarde. — Temos que resolver nossas diferenças. Havia republicanos, democratas, independentes, conservadores, liberais e progressistas [no evento]. Havia um enorme sentimento de união e de aproximação. Eu observei isso e fiquei muito impressionado. 'Lobo solitário', agente baleado e reação: O que se sabe sobre disparos em jantar de correspondentes da Casa Branca O presidente repetiu o tom em entrevista neste domingo, ao descrever o jantar como “uma noite em que muitas pessoas se reuniram”. Trump afirmou que democratas, “que normalmente são hostis”, estavam acenando para ele, compondo um ambiente “unido”. Ele também disse que inicialmente pretendia fazer um discurso duro contra a imprensa, mas que, após o incidente, quando ainda havia a possibilidade de o evento continuar, declarou que queria mudar a mensagem para algo “muito diferente, um discurso de amor”. — Mas não tive a chance de fazer isso. Talvez tenha sido melhor assim, não sei. Veja vídeos e foto do suspeito: Trump deixa jantar com autoridades e jornalistas em Washington após disparos O episódio de sábado é mais um capítulo da violência política nos Estados Unidos, que, segundo pesquisas, está em alta. Em 2024, houve uma tentativa de assassinato contra Trump na Pensilvânia, quando um tiro de raspão atingiu a sua orelha. Apenas 64 dias depois, ele voltou a ser alvo de um possível assassinato enquanto jogava golfe em seu campo na Flórida. O assassinato do comentarista conservador Charlie Kirk em Utah no ano passado expôs ainda mais as profundas divisões políticas do país. Meses antes, a deputada estadual de Minnesota Melissa Hortman, democrata, e seu marido, Mark, foram mortos a tiros, enquanto Paul Pelosi, marido da ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi, foi atacado com um martelo e hospitalizado com uma fratura no crânio. Em 2023, a Polícia do Capitólio investigou mais de 8 mil ameaças — um aumento de 50% em relação a 2018. Quando questionado sobre se este seria custo de se fazer política nos Estados Unidos hoje, Trump disse: — Se eu decidisse simplesmente não fazer muita coisa, se deixasse todo mundo nos explorar e tirar vantagem de nós… Estamos liderando o mundo no comércio [e] no setor militar. Não podemos permitir que o Irã tenha uma arma nuclear. [Conseguimos coisas] que diziam que não conseguiríamos. Então, quando você faz coisas assim, você se torna um alvo. Se eu não estivesse fazendo isso, acho que seria muito menos. Mas me sinto honrado por isso. (Com New York Times)

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