Jornal O Globo
Por muito tempo, o envelhecimento da pele foi associado principalmente ao surgimento de rugas. No entanto, especialistas explicam que as primeiras mudanças acontecem de forma mais sutil e bem antes desse estágio se tornar visível. O que costuma dar o primeiro sinal não é uma marca profunda, mas a perda progressiva do viço e da luminosidade natural. 'Gerenciamento do envelhecimento': como mulheres assumem o controle do próprio tempo Por que a busca por juventude se tornou uma obsessão? Especialistas explicam o fenômeno Segundo o dermatologista Abdo Salomão Jr., membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), esse processo começa por volta dos 25 anos. "A partir dos 25 anos, a renovação celular diminui gradualmente, assim como a produção de colágeno. Nada drástico, mas o suficiente para que alguns sinais muito sutis apareçam e muitas vezes passem despercebidos. E o primeiro sinal não é uma ruga, mas sim a falta de luminosidade. Quando somos mais jovens, a pele elimina naturalmente as células mortas e as substitui rapidamente, resultando em uma luminosidade natural. Com o passar dos anos, essa renovação se torna mais lenta. Como resultado, as células mortas se acumulam na superfície e a pele fica mais opaca", explica. O conceito de "glow" — associado ao aspecto saudável e luminoso da pele — também tem explicação fisiológica. De acordo com a dermatologista e membro da SBD, Flávia Brasileiro, esse brilho natural é resultado do bom funcionamento das estruturas cutâneas. "O famoso 'glow' da pele, aquele brilho saudável e natural, tem uma base fisiológica interessante: ele é resultado de uma combinação de fatores anatômicos, celulares e bioquímicos que refletem o bom funcionamento e a saúde da pele como um todo. Quando há a perfeita coesão entre os corneócitos na camada córnea (a mais externa da epiderme), a luz interage com a superfície cutânea promovendo esse brilho natural”, explica. Ela acrescenta que fatores externos e internos podem comprometer esse equilíbrio. “Mas o dermatologista pode ajudar, pois muitas das vezes o glow da pele é prejudicado por falta de colágeno, aparecimento de manchas e o próprio envelhecimento", afirma. Na prática clínica, as queixas mais comuns estão ligadas à perda de luminosidade, mesmo em peles que parecem bem cuidadas. O Dr. Abdo observa que essa mudança costuma ser percebida de forma gradual. "Pode ser uma diferença sutil, mas muito reveladora. Aquele brilho saudável e natural começa a desaparecer, mesmo quando tudo (sono, hidratação, rotina) está em ordem", diz. Para recuperar esse aspecto mais iluminado, os especialistas apontam que a estratégia passa pela renovação celular, sempre respeitando a integridade da barreira cutânea. Entre os recursos disponíveis, a Dra. Flávia cita tecnologias que promovem limpeza e reposição de ativos essenciais. "A hidrodermoabrasão do Hydrafacial, por exemplo, remove o que impede a luz de refletir de forma harmônica (células mortas, excesso de sebo, poros sujos) e repõe o que a pele precisa para brilhar (água, lipídios, antioxidantes), respeitando a fisiologia cutânea. É como se fosse um detox para a pele, o que ajuda na clareza óptica, com menos opacidade e mais brilho", esclarece. O procedimento é indolor e pode ser associado a boosters específicos para manchas, rugas e hidratação. Quando o fator predominante são as manchas e a hiperpigmentação, o tratamento pode envolver tecnologias a laser. O Dr. Abdo detalha a atuação desses recursos no controle do pigmento: "Nas manchas, lasers como Quadri Pico agem nos melanócitos para esvaziá-lo, ou seja, ele interage com os grânulos de melanina na hora para destruir esse pigmento". O protocolo indicado pode variar, mas ele sugere em média quatro sessões com intervalos de 15 dias. Por que sua pele perde brilho com o tempo, mesmo sem rugas visíveis Freepik No cuidado domiciliar, fórmulas com ativos voltados à renovação celular e à melhora da qualidade da pele vêm ganhando espaço. Especialistas destacam o avanço da biotecnologia aplicada a esses produtos e seus potenciais benefícios. "Peptídeos bioativos de nova geração trazem biotecnologia avançada que mimetiza mecanismos naturais de comunicação intercelular. Na prática, essa abordagem favorece o restabelecimento do 'diálogo' entre células e matriz extracelular, promovendo regeneração, reorganização dérmica e melhora da qualidade estrutural da pele", comenta gerente científica da Biotec, Patricia França. Já o farmacêutico e especialista em cosmetologia Maurizio Pupo aponta soluções que combinam diferentes mecanismos de ação: "Alguns produtos promovem microestimulação até nas camadas mais profundas, favorecendo a produção de colágeno e ativando a renovação celular de maneira indolor e sem os efeitos adversos dos procedimentos tradicionais". Segundo ele, essas formulações também podem reunir ativos como vitamina C, niacinamida e peptídeos de retinol, associados à melhora da luminosidade cutânea. Em estágios mais avançados, quando as rugas passam a interferir no viço da pele, a toxina botulínica também pode contribuir para o aspecto luminoso. A Dra. Flávia descreve o mecanismo envolvido. "Quando a toxina botulínica reduz a contração dos músculos faciais (principalmente da mímica), isso suaviza as linhas de expressão dinâmicas e até melhora algumas estáticas. Como resultado, a pele se torna mais plana e regular, com menos sulcos e rugas. Superfícies lisas refletem a luz de forma mais especular (espelhada), ao invés de difusa. Isso aumenta a luminosidade percebida da pele, um dos componentes do glow", pontua. Ainda assim, a especialista reforça a importância da avaliação médica individualizada antes de qualquer conduta. "Nem toda falta de glow pode ser explicada apenas pela falta de hidratação. Então, buscar um dermatologista é importante para que ele possa examinar a pele e orientar as melhores estratégias para conquistar o glow", finaliza.
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