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Paula Plim, a gaúcha que virou referência de arte urbana no sul da França | Collector
Paula Plim, a gaúcha que virou referência de arte urbana no sul da França
Vogue Brasil

Paula Plim, a gaúcha que virou referência de arte urbana no sul da França

Tem uma parede de 15 metros no bairro Razimbaud, em Narbonne, no sul da França, que não existia há onze semanas. Hoje ela existe porque Paula Plim passou por ali. A artista e ilustradora gaúcha, baseada em Toulouse, inaugurou o mural monumental como parte do projeto Razim' Beaux-Arts, iniciativa da associação One-One que convocou os próprios moradores do bairro para participar da criação. Para ela, é exatamente nesse tipo de trabalho que algo muda na experiência de criar. "A principal diferença está na interação humana", diz à Vogue Brasil. "A troca que acontece na rua traz encontros e experiências muito ricas e únicas." É o trabalho mais grandioso de uma trajetória que vem crescendo em escala, literalmente, a cada novo projeto. Porto Alegre foi o começo. Nascida em 1983, Paula se formou em Artes Visuais pela UFRGS e encontrou nas ruas da cidade o seu primeiro laboratório. O repertório que foi acumulando ao longo dos anos é geograficamente improvável: os bordados do povo indígena Kuna, do Panamá, a arte de recorte Wycinanki, da Polônia, as esculturas alebrijes, do México, os padrões de estampa da América Latina e da África. Tudo isso passou pelo seu traço e virou outra coisa. "Acho que faço um mashup das referências, que se mistura com o meu traço, as minhas características gestuais", conta. O que saiu desse processo é uma linguagem inconfundível, cores que não pedem licença e formas orgânicas que parecem se mover na parede. A vida entre Brasil, Espanha e França nos últimos três anos não diluiu essa identidade, fez o oposto. "Mais do que simplesmente absorver outras culturas, essa experiência acabou reforçando a minha própria identidade", garante. "Isso se imprime de forma sinestésica no meu trabalho, principalmente na maneira chamativa como utilizo as cores." Mural de Paula Plim na França Divulgação Em Toulouse, esse entendimento virou paisagem. Em 2025, pintou um mural de 8 por 4 metros na entrada do cinema associativo Le Cratère, no bairro Saint-Michel, com uma paleta de inspiração africana que transformou o porche do edifício. Em dezembro do mesmo ano, inaugurou a exposição Minisséries no Centre Culturel Bonnefoy, reunindo três anos de criação em pinturas e colagens entre Porto Alegre, Barcelona e Toulouse. O destaque foi a série Carnaval, na qual projetou luz diretamente sobre as obras e fez as cores escaparem da tela para contaminar o espaço inteiro. "Eu já havia feito alguns experimentos nesse sentido anteriormente, mas a capacidade técnica do espaço me motivou a ir mais longe. Dependendo da hora do dia ou da iluminação noturna, a percepção das obras muda bastante, numa concepção não estática." Ainda em dezembro, suas ilustrações botânicas passaram a ser projetadas todas as noites nas fachadas dos edifícios da Grande rue Saint-Michel, como parte de um projeto de requalificação urbana de Toulouse ao lado de outros três artistas. O desafio era trabalhar apenas com linhas, sem cor. "Estou muito acostumada a trabalhar com cores, então essa limitação acabou provocando novas soluções e tirando um pouco da zona de conforto criativa, o que, no fim, foi muito estimulante", reflete. Caminhar pelo quarteirão depois virou outra experiência. "É muito gratificante sentir que deixei algo meu ali." Entre a rua e a galeria, Paula, que assinou exclusivamente as ilustrações para o Baile da Vogue 2026, não escolhe lados, mas sabe o que cada uma pede. "Quando saio para pintar na rua em projetos não comissionados, sinto uma liberdade muito grande para expressar o que quero, quase uma forma de terapia", diz. "Já os trabalhos comissionados trazem a responsabilidade de corresponder às expectativas ou até surpreender a pessoa, a comunidade ou a empresa com quem estou colaborando." Na arte naïf, encontra o que sente faltar na tradição erudita. A liberdade de não precisar justificar nada. "Há uma certa ingenuidade nessas linguagens que permite uma relação mais direta e livre com a criação", explica. "Na arte naïf, o uso intenso das cores e a simplicidade das formas se manifestam de maneira mais imediata e vital, quase como um impulso natural de expressão." Revistas Newsletter Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!

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