Jornal O Globo
O Papa Leão XIV recebeu nesta segunda-feira a primeira mulher a liderar os cristãos anglicanos do mundo, a recém-empossada arcebispa de Canterbury, Sarah Mullally, e fez um apelo à unidade para promover a paz com maior eficácia. A audiência papal é parte da primeira viagem ao exterior de Mullally desde que se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de principal autoridade clerical da Igreja da Inglaterra, no mês passado. 'Diálogo pela paz': Papa diz que carrega foto de menino muçulmano morto na guerra que ganhou dele próprio ao visitar o Líbano Veja: Papa fala sobre diálogo da Igreja com 'líderes autoritários': 'relações diplomáticas em todo o mundo' — Enquanto o nosso mundo que sofre necessita enormemente da paz de Cristo, as divisões entre os cristãos enfraquecem a nossa capacidade de sermos portadores eficazes dessa paz — disse o Pontífice a Mullally e à sua delegação, em um discurso divulgado pelo Vaticano. — Se queremos que o mundo escute com atenção a nossa pregação, devemos, portanto, ser constantes em nossas orações e esforços para eliminar qualquer obstáculo que dificulte a proclamação do Evangelho. Papa Leão XIV rezando na Capela Urbano VIII com Sarah Mullally SIMONE RISOLUTI / VATICAN MEDIA / AFP No século XVI, o rei Henrique VIII rompeu com a Igreja Católica e criou a Igreja da Inglaterra. Nos séculos posteriores, as relações melhoraram de maneira constante, mas em 2016 surgiram novas fraturas, em particular a respeito da ordenação de mulheres, algo que é proibido na Igreja Católica. Initial plugin text Desde 2014 que as mulheres podem ser nomeadas bispas na Igreja da Inglaterra, mas o tema continua provocando polêmica. Papa Leão XIV recebe a primeira mulher a comandar a Igreja Anglicana SIMONE RISOLUTI / VATICAN MEDIA / AFP Aos 63 anos, Mullally, que é uma ex-enfermeira, casada e tem dois filhos, visitou o Vaticano seis meses após a reunião do rei Charles III com o Papa, quando ele se tornou o primeiro governador supremo da Igreja da Inglaterra a rezar com um Pontífice. Papa critica 'tiranos' que devastam o mundo Nas últimas semanas, o Papa e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, trocaram farpas sobre a guerra no Irã. No último dia 16, Leão XIV criticou os "tiranos" que devastam o mundo durante uma visita à cidade de Bamenda, no noroeste de Camarões. Leia também: Disputa de Trump com o Papa Leão XIV aprofunda divisões na direita americana Os meios de comunicação americanos, em particular, interpretaram essas declarações como uma referência a Trump e o presidente americano classificou o Pontífice como "fraco" e "terrível para a política externa". Na ocasião, disse que tinha "o direito de discordar" do líder da Igreja Católica, e Leão XVI respondeu, afirmando que não tem “nenhum medo” do governo Trump e que planejava continuar se manifestando contra a guerra. Após as críticas, Trump publicou uma imagem de si mesmo que o retrata como uma figura semelhante a Jesus. A ilustração, gerada por inteligência artificial, mostrava o presidente como um líder divino curando os doentes. Dada a repercussão negativa, a postagem foi apagada horas depois.
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