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Casal é condenado após manter irmãos órfãos trancados e com fome em situação de tortura nos EUA | Collector
Casal é condenado após manter irmãos órfãos trancados e com fome em situação de tortura nos EUA
Jornal O Globo

Casal é condenado após manter irmãos órfãos trancados e com fome em situação de tortura nos EUA

O que começou com hematomas misteriosos e sinais persistentes de fome observados dentro de uma escola terminou em uma descoberta que chocou autoridades no Kentucky, nos Estados Unidos: três crianças órfãs viviam sob maus-tratos extremos, trancadas em um quarto fechado por fora, com janelas vedadas por tábuas e submetidas a punições que incluíam privação de comida e trabalho forçado. Entenda: Homem cria aparelho para entreter cães e gatos, mas tecnologia acaba sendo usada em drones na Guerra da Ucrânia Vídeo: Turista morre após ser atingida por estátua arremessada de sacada na Itália Mary Hall e Jerome Norman, casal do condado de Pike, foram condenados por abuso infantil criminal após confessarem culpa diante de Eddy Coleman, juiz do Tribunal do Circuito de Pike, nesta sexta-feira. Cada um recebeu pena efetiva de 20 anos de prisão — a máxima dentro do entendimento firmado no processo — pelo papel que, segundo promotores, desempenharam no abuso das três crianças que estavam sob os cuidados de Hall. A tragédia familiar havia começado anos antes. Mary Hall assumiu a guarda dos filhos da irmã após a morte dela em um acidente de carro, em 2018. Segundo Bill Slone, promotor do condado de Pike, o pai das crianças também deixou de fazer parte da vida delas. — Eles não apenas perderam a mãe, como também perderam o pai. O pai foi condenado por algum tipo de homicídio culposo e foi para a prisão — disse ao porta WYMT. Em 2023, Hall se mudou com as crianças para o condado de Pike, onde iniciou um relacionamento com Jerome Norman. Pouco tempo depois, profissionais da Escola Primária Kimper começaram a notar sinais de alerta: hematomas inexplicáveis e, ao menos em um dos alunos, uma fome visível e recorrente. Escola percebeu sinais e ajudou a revelar o horror A situação se agravou após uma tempestade de inverno em 2025 (último verão no Brasil) provocar um longo recesso escolar. Quando uma das crianças voltou às aulas, estava desnutrida, machucada e com um dente quebrado. A condição levou à denúncia à Polícia Estadual de Kentucky. — Esses professores estavam tentando garantir que ele estivesse bem. E ele não estava bem. Ele foi praticamente deixado à beira da morte por fome durante cinco semanas — afirmou Bill Slone. A partir daí, a investigação revelou um cenário descrito pelas autoridades como comparável à tortura. Segundo a polícia, as crianças eram mantidas confinadas em um quarto trancado pelo lado de fora, em condições degradantes. Uma delas teria sofrido a maior parte dos abusos. Amber Hunt, guardiã judicial nomeada para as crianças, relatou uma das cenas mais brutais do caso: — Ele [uma das vítimas] sugava a umidade das paredes tentando conseguir água. Segundo promotores, além da privação de alimento, as crianças eram forçadas a realizar trabalho manual e ensinadas a esconder a verdade. A criança que sofreu os abusos mais severos, de acordo com a acusação, não podia participar de passeios escolares nem dividir momentos simples com colegas, como comer bolo ou pizza em atividades da escola. O impacto do trauma permanece. Uma assistente social descreveu sequelas emocionais profundas e duradouras. — Imagine carregar esse medo com você todos os dias depois disso, passando por hospitais, lares temporários e noites sem dormir — diz. Hoje, segundo defensores envolvidos no caso, as crianças sequer conseguem viver juntas em um mesmo lar por causa de gatilhos emocionais e do estado mental em que ficaram. Ao fim da sentença, o promotor destacou o trabalho da equipe escolar, quem considera responsável por evitar um desfecho ainda pior. — E ele impôs uma sentença de 20 anos. Estamos satisfeitos com isso — disse Slone, antes de completar: — Nossas leis não permitem punição cruel e incomum, nem mesmo a prisioneiros. Portanto, eles jamais serão submetidos ao tipo de punição a que submeteram aquelas crianças.

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