Revista Oeste
Um trecho de 129 km² na Chapada dos Veadeiros, região de forte apelo turístico, virou alvo de um embate judicial entre Goiás e Tocantins. Em audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), os dois Estados concordaram em interromper temporariamente o processo para a realização de estudos técnicos conjuntos sobre a divisa. O prazo vai até 22 de junho, quando a ação será retomada. A disputa teve início em novembro de 2025, quando a Procuradoria-Geral do Estado de Goiás (PGE-GO) acionou o STF. O órgão sustenta que Tocantins ocupa irregularmente a área ao norte de Cavalcante (GO), incluindo o território do chamado Quilombo Kalunga dos Morros. + Leia mais notícias do Brasil em Oeste Segundo a PGE-GO, o governo tocantinense chegou a prestar serviços públicos no local, o que caracterizaria a ocupação indevida. Um dos pontos citados no processo é a instalação de um portal turístico no Complexo do Prata com a mensagem “Bem-vindo ao Tocantins – o turismo começa aqui”, em área que, conforme Goiás, lhe pertence. O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa I Foto: Esequias Araújo/Governo do Tocantins A ação pede tutela de urgência para fixação definitiva dos limites territoriais e a retirada administrativa de Tocantins da área. O argumento central se baseia em um suposto erro na Carta Topográfica “São José”, elaborada pelo Exército em 1977, que teria confundido o Rio da Prata com o Córrego Ouro Fino — este último apontado por Goiás como a verdadeira divisa. O Exército, porém, contesta essa versão. Em nota, afirma que “não há evidências que confirmem a existência de erro de toponímia” e que o material técnico da época já indicava corretamente a posição do Córrego Ouro Fino. A instituição também ressaltou que não tem competência constitucional para definir ou alterar limites estaduais. Grupo de trabalho inclui representantes de Goiás e Tocantins Na audiência de conciliação realizada em 6 de abril, sob condução do ministro Cristiano Zanin, ficou estabelecida a criação de um grupo de trabalho com representantes das procuradorias dos dois Estados para conduzir os levantamentos técnicos. https://twitter.com/QueriaViajar/status/2021621954633961891 Ao justificar a suspensão, o ministro destacou que “em ações judiciais nas quais se discutem limites territoriais, demarcações e divisões de áreas, a autocomposição é método reconhecidamente adequado para a pacificação social”. Enquanto Goiás sustenta sua tese com base em estudos do Instituto Mauro Borges (IMB), que analisou mapas e legislações antigas, Tocantins organizou seu próprio grupo técnico para reunir documentos cartográficos, históricos e jurídicos. Segundo a PGE-TO, esse acervo comprovaria que a área pertence ao território tocantinense. No plano local, a indefinição gera apreensão. O prefeito de Cavalcante (GO), Vilmar Kalunga (PSB), afirma que a população sempre manteve vínculos com Goiás. “Houve um erro no mapa de 1977 e acabou criando uma dúvida que na prática não existe", afirmou. "As famílias do quilombo sempre viveram como goianas, estudaram em Cavalcante, registraram seus filhos aqui.” Ele também citou investimentos municipais, como a construção de uma ponte na região. Daniel Vilela, ex-governador e atual governador de Goiás | Foto: Divulgação/Governo de Goiás O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou não ter atribuição para definir divisas estaduais, responsabilidade que cabe aos entes federativos. O órgão reconhece, no entanto, a existência de lacunas legais na delimitação territorial no país, o que favorece disputas desse tipo. Fora do campo jurídico, a área em litígio segue sendo um dos cartões-postais da Chapada dos Veadeiros. O Complexo do Prata reúne cachoeiras como a Rei do Prata, com sete quedas d’água, e a Rainha do Prata, ambas conhecidas por seus poços de águas cristalinas. Trilhas e formações rochosas, como as do Vale de Marte, completam o cenário que atrai turistas — e agora também disputa entre Estados. O post Goiás e Tocantins disputam trecho de área turística no STF apareceu primeiro em Revista Oeste .
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