Jornal O Globo
A mais recente proposta do Irã para encerrar a guerra em curso encontrou resistência imediata do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliando a incerteza sobre uma saída diplomática para um conflito que já afeta o abastecimento global de energia, pressiona a inflação e acumula milhares de mortos. Relembre: ataques dos EUA e de Israel deixaram escolas e hospitais em ruínas no Irã 'Coração aperta de dor': ONU cobra investigação rápida dos EUA sobre ataque a escola iraniana, e mãe relata última despedida dos filhos Veja também: avião que levou delegação do Irã para negociação com os EUA no Paquistão fez homenagem a crianças mortas em escola Segundo informações divulgadas pela agência de notícias Reuters e atribuídas a um funcionário ligado ao governo americano, no centro do impasse está a prioridade das negociações. O Irã quer abrir as conversas pelo fim da guerra e pelas disputas marítimas no Golfo, enquanto os EUA exigem que a questão nuclear iraniana seja tratada desde o início. Segundo a fonte, a insatisfação do presidente decorre justamente do fato de a proposta iraniana empurrar para depois o debate sobre o programa nuclear do país. Publicamente, a Casa Branca evitou detalhar o conteúdo das negociações. Olivia Wales, porta-voz da Casa Branca, afirmou que "não negociarão pela imprensa" e acrescentou que "foram claros sobre nossas linhas vermelhas". Pela proposta apresentada por Teerã, a primeira etapa envolveria o fim da guerra americano-israelense contra o Irã, além de garantias de que os Estados Unidos não poderiam retomá-la. Em seguida, entrariam em pauta o bloqueio da Marinha americana ao comércio marítimo iraniano e o futuro do Estreito de Ormuz. Só depois seriam discutidos outros temas, incluindo a disputa histórica em torno do programa nuclear iraniano. Estreito de Ormuz, a peça central da crise Enquanto a diplomacia segue emperrada, o mercado reage diretamente ao que acontece no Golfo. Os preços do petróleo voltaram a subir nas primeiras negociações da Ásia nesta terça-feira, refletindo a percepção de que Washington e Teerã seguem distantes de um acordo. Galerias Relacionadas Os números mostram o tamanho da disrupção. Antes da guerra, entre 125 e 140 navios cruzavam diariamente o estreito nos dois sentidos. No último dia citado no levantamento, apenas sete embarcações fizeram a travessia — e nenhuma transportava petróleo destinado ao mercado global. Pelo menos seis petroleiros carregados com petróleo iraniano também foram obrigados a retornar ao Irã após bloqueio americano, segundo dados de rastreamento marítimo. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou as apreensões como "legalização descarada da pirataria e do roubo armado em alto-mar". Nos bastidores, a movimentação diplomática se intensificou. Abbas Araqchi, chanceler iraniano, viajou duas vezes a Islamabad durante o fim de semana, passou por Omã e, na segunda-feira, esteve na Rússia, onde se reuniu com Vladimir Putin e recebeu manifestações públicas de apoio. Ao mesmo tempo, Trump cancelou uma visita planejada de Steve Witkoff, enviado especial, e de Jared Kushner a Islamabad, esfriando as expectativas de retomada de esforços de paz.
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