Jornal O Globo
A Polícia Federal investiga a entrada irregular de bagagens de um voo que tinha, entre seus passageiros, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), em abril de 2025. O jatinho particular, de propriedade de um empresário do setor de apostas online, pousou em São Roque, no interior de São Paulo, e retornava da ilha caribenha de São Martinho. Procurado, Motta diz que "cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira" ao desembarcar. "O deputado aguardará a manifestação da Procuradoria Geral da República", diz, em nota enviada por sua assessoria. Também questionado, Nogueira não se manifestou. O inquérito foi aberto em janeiro, inicialmente para apurar possíveis crimes de prevaricação e facilitação de contrabando ou descaminho pelo auditor fiscal que permitiu o desembarque das malas sem que elas passassem pelo raio-x do aeroporto. Imagens de câmera de segurança do terminal executivo, usado apenas para voos privados, mostram que um tripulante da aeronave passou pelo lado de fora do aparelho de fiscalização. Além de malas, havia sacolas e uma caixa em um carrinho usado para o transporte dos volumes. A PF diz que as imagens do aeroporto mostram que apenas o tripulante da aeronave passou por fora do aparelho de raio-x com as bagagens não identificadas. Os investigadores dizem, no entanto, que "não é possível afirmar categoricamente a quem os volumes pertencem ou seu conteúdo". Registro de auditor autorizando o desembarque de volumes sem fiscalização no Aeroporto Catarina Reprodução/PF Diante da presença de parlamentares com prerrogativa de foro entre os passageiros, contudo, o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) há duas semanas, em 13 de abril. Além do presidente da Câmara e do senador, no voo também estavam os deputados Isnaldo Bulhões (AL), líder do MDB na Câmara, e Dr. Luizinho (RJ), líder do PP. Também questionados sobre o episódio, eles não responderam. A decisão de enviar o caso ao STF atendeu a um pedido do Ministério Público Federal. Em manifestação no processo, o órgão de investigação afirmou que, com os elementos até o momento colhidos, "não é possível descartar a possibilidade de envolvimento de um ou mais parlamentares nos delitos sob apuração". Designado relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes remeteu o processo à Procuradoria-Geral da República (PGR) na sexta-feira passada, dia 24, para que se manifeste em até cinco dias. Volumes que não foram fiscalizados no Aeroporto Catarina e são pivô de investigação da PF Reprodução/PF O jatinho, de prefixo PP-OIG, tem como proprietário Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, dono da One Internet Group. Ele chegou a ser alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, criada em 2024 pelo Senado, e teve seu indiciamento pedido pela relatora, senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), por exploração ilegal de jogos de azar. O relatório final da CPI, contudo, foi rejeitado pela maioria do coelgiado. Procurado, Lima não comentou. No ano passado, a PF já havia pedido autorização ao STF para para investigar as conexões o empresário e o senador Ciro Nogueira. Reportagem da revista Piauí publicada na época mostrou que o parlamentar viajou em um jatinho de Lima para para a França, onde acompanhou o Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1. Além disso, a revista afirma que documentos acessados pela CPI das Bets mostram transferências de Fernandin OIG para um ex-assessor de Nogueira no valor de R$ 625 mil. Na ocasião, o senador disse que se tratava do pagamento de um relógio.
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