Jornal O Globo
Na cidade de São Paulo, criminosos focados no roubo de motos de marcas mais caras integram bandos especializados, ostentam os veículos em redes sociais e usam os veículos de luxo para praticar roubos. No ano passado, 768 motos do tipo, de marcas como Triumph, Kawasaki e BMW, foram roubada. É o que mostram dados exclusivos do Mapa do Crime, ferramenta interativa do GLOBO, com dados exclusivos sobre a marca dos celulares, carros, motos e outros itens, como relógios, que são roubados na capital paulista. CLIQUE AQUI E VEJA NO MAPA DO CRIME A SITUAÇÃO DOS ROUBOS NA SUA RUA Nesse nicho, 43% das ocorrências se concentram nos finais de semana, quando as vítimas estão em momentos de lazer. Pirituba, na Zona Norte, é cortado por rodovias e fica no encontro das marginais Tietê e Pinheiros, vias propícias para a atuação de ladrões dessas motos. O bairro registrou 44 roubos de modelos de alto padrão em 2025, liderando as ocorrências nesse nicho. Mapa do Crime SP - Gráfico 3 - Dia 4 Arte O GLOBO Um dos casos aconteceu às 18h40 de uma sexta-feira, em janeiro, quando uma Kawasaki ER-6N foi encurralada e roubada na Rua da Despedida. A via dá acesso para a Marginal Tietê e integra um dos pontos críticos da cidade, nos arredores da Rua Capitão Mor Rodrigues de Almeida, epicentro criminal que concentrou 33 assaltos a motociclistas em um raio de 500 metros no ano passado. Dois dias depois, no domingo, quase no mesmo horário, os ladrões voltaram a agir, também em Pirituba, a 3 quilômetros do primeiro roubo, em uma avenida próxima da rodovia Anhanguera. Armados e a bordo da Kawasaki roubada dias antes, pararam o piloto de uma BMW K1200 e levaram o veículo. As motos foram encontradas na segunda-feira. Policiais militares se depararam com homens negociando peças na frente de uma casa, em Perus, na Zona Norte. Dentro da residência encontraram a BMW e a Kawasaki, parcialmente desmontadas. No local, foram presos três suspeitos reconhecidos pelas vítimas como autores dos roubos. Investigações da Polícia Civil já identificaram dezenas de perfis nas redes sociais que ostentam motos de alta cilindrada roubadas pela cidade. Os nomes de usuário podem conter o número 46, em referência ao italiano Valentino Rossi, multicampeão da MotoGP. São jovens de até 25 anos de idade, que primeiro se exibem com os veículos e, depois, realizam a desmontagem para a revenda das peças no mercado clandestino. O delegado Daniel Borgues, da 1º Delegacia Seccional (Centro), designado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) para responder aos questionamentos da reportagem, afirma que a Polícia Civil tem atuado contra o mercado de receptação de motos de luxo e afirma que a polícia realiza investigações contra grupos especializados em motos de alto valor e cita a operação Cilindrada, que ocorreu em fevereiro, em que 22 suspeitos de participar de um bando envolvido nesse tipo de roubo foram presos. A SSP, por meio de nota, afirma ainda que analisa os dados georreferenciados para identificar locais que concentram ocorrências e orientar o policiamento preventivo da Polícia Militar e as investigações da Polícia Civil. A prefeitura de São Paulo informa que a Guarda Civil Metropolitana realiza patrulhamento orientado por análise de dados georreferenciados, o que tem contribuído “para que os indicadores criminais apresentem queda consistente nos últimos anos”. Procurado, o Detran afirma que fiscaliza locais que realizam desmontagem de veículos em parceria com as forças de segurança, e que entre 2023 e 2026 lacrou 403 endereços que registraram irregularidades. O que é o Mapa do Crime de São Paulo? O Mapa do Crime de São Paulo foi produzido a partir de microdados de 330 mil boletins de ocorrência disponibilizados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado. Ao contrário do Rio, São Paulo torna públicas as coordenadas e os nomes das ruas das ocorrências. O levantamento cobre roubos ocorridos entre 2023 e 2025. Diferentemente do governo paulista, O GLOBO usou a data do fato — e não a do registro na polícia. Assim, um roubo ocorrido em 31 de dezembro e registrado no dia seguinte é contabilizado no ano correto. Erros de grafia e inconsistências nos dados foram corrigidos com auxílio de inteligência artificial. Disponível no site do jornal, com acesso pelo computador, celular ou tablet, a ferramenta permite navegar por uma compilação inédita de dados de roubos na capital, com filtros sobre tipos, marcas e cores dos bens subtraídos. Para usá-la, busque o endereço da sua casa, do trabalho ou de qualquer outro ponto da cidade e escolha um dos quatro tipos de crime disponíveis: roubo de celular, de carro, de moto e de rua — esse último inclui carteiras, colares, alianças e relógios levados de pedestres. Cada ponto no mapa corresponde a uma ocorrência e, ao ser clicado, mostra detalhes do crime e dados sobre a rua: total de casos em 2025, série histórica dos últimos três anos, bens mais roubados ali e um mapa de calor com horários e dias de maior incidência. Também é possível refinar as buscas por tipo, marca e cor do bem roubado — para descobrir, por exemplo, quantos HB20 brancos foram roubados em determinada via — ou navegar por um ranking de ruas.
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