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Como o smartwatch sabe que você está dormindo? Especialistas explicam
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Como o smartwatch sabe que você está dormindo? Especialistas explicam

Um dos wearables mais querids pelos brasileiros, os smartwatches passaram a atuar como aliados de quem busca uma vida mais saudável, inclusive na hora de dormir. Ao monitorar noites inteiras e gerar relatórios detalhados, esses dispositivos ajudam o usuário a entender padrões, identificar hábitos ruins e acompanhar a evolução do descanso ao longo do tempo. Apesar da sensação de precisão, porém, eles não “enxergam” o sono de forma direta: na prática, estimam quando você dorme a partir de sinais do corpo, coletados por sensores como PPG (fotopletismografia), acelerômetro e oxímetro (SpO₂). Para saber como os smartwaches monitoram o sono, o TechTudo conversou com o neurologista chefe do departamento de neurologia do sono da Mayo Clinic, Erik St. Louis, e com o Diretor de Inovação da Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa (AFIP)/Instituto do Sono Jacques Chicourel. Os especialistas ajudam a entender até onde é possível confiar nas métricas dos relógios inteligentes, se dá para melhorar a precisão dos wearables e ainda compartilham dicas para melhorar as noites de sono. Confira a seguir. Comparador de celulares do TechTudo: analise preços, ficha técnica e recursos Melhor smartwatch 2026: veja opções poderosas e custo-benefício Redmi Watch 5 pode acompanha todos os ciclos do sono Divulgação/Xiaomi ➡️ Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews  Quais são os melhores smartwatches para comprar na atualidade? Confira no Fórum TechTudo Como o smartwatch sabe que estou dormindo? Médicos explicam Confira, no índice abaixo, os assuntos abordados nesta matéria. O relógio sabe mesmo que você está dormindo — ou só “deduz”? Quais sensores entram nessa conta Até que ponto dá para confiar no rastreamento dos smartwatches? Dá para melhorar a precisão do smartwatch? Dicas para dormir melhor O relógio sabe mesmo que você está dormindo — ou só “deduz”? Apesar da sensação de precisão, os smartwatches não detectam o sono de forma direta. Diferente de exames clínicos, eles não têm acesso à atividade cerebral, que é o único indicador definitivo do sono. Segundo Jacques Chicourel, o smartwatch deduz o sono, mas com base em uma combinação sofisticada de sinais. "O que o dispositivo faz é monitorar continuamente movimento, frequência cardíaca, variabilidade cardíaca (HRV) e, nos modelos mais avançados, saturação de oxigênio, cruzando esses dados com algoritmos de machine learning. Os principais fabricantes usam sensores embarcados como PPG (fotopletismografia) para frequência cardíaca, acelerômetros para movimento, além de oximetria de pulso e temperatura para inferir tempo total de sono, interrupções e fases por meio de algoritmos proprietários", explica. Na prática, isso funciona como um “quebra-cabeça biológico”. Se o usuário fica imóvel por um período prolongado e apresenta queda nos batimentos cardíacos, o sistema interpreta isso como início do sono. Por isso, de acordo com o Dr. Erik St. Louis, o mais correto dizer que o smartwatch “estima” o sono. Huawei Watch Fit 4 consegue monitorar todas as etapas do sono Divulgação/Huawei Quais sensores entram nessa conta O principal sensor envolvido no monitoramento do sono é o acelerômetro, responsável por detectar movimentos do corpo. Ele identifica desde grandes mudanças de posição até pequenos ajustes durante a noite. E quando há pouca movimentação por um longo período, o sistema entende que o usuário está em repouso, o que acaba sendo um dos principais indícios de sono. Outro componente essencial é o sensor óptico de frequência cardíaca. Durante o sono, especialmente nas fases mais profundas, os batimentos tendem a diminuir. Essa queda ajuda o smartwatch a diferenciar um momento de descanso acordado de um estado real de sono. Entram também nesta conta dados como variabilidade da frequência cardíaca (HRV), aferidos pelo sensor PPG (fotopletismografia). Este usa LEDs que piscam centenas de vezes por segundo, detectando pequenas mudanças na reflexão de luz para calcular frequência cardíaca e HRV. Smartwatches calculam hora em que você dorme e desperta com base em uma combinação de dados coletados por sensores Reprodução/Freepik "A HRV é especialmente valiosa porque reflete o estado do sistema nervoso autônomo durante cada fase do sono. A atividade parasimpática e a HRV tendem a aumentar durante o sono profundo, enquanto a atividade simpática aumenta e a HRV diminui durante o sono REM e períodos de vigília", explica Chicourel. O especialista ainda acrescenta sensores presente em modelos mais avançados. É o caso do sensor de temperatura da pele, que costuma cair no início do sono, e do oxímetro (SpO₂), responsável por medir a saturação de oxigênio no sangue usando luz vermelha e infravermelha. "[O sensor] É essencial para detectar perturbações respiratórias e potencial apneia do sono. Quedas de SpO2 durante o sono podem indicar eventos de obstrução das vias aéreas", afirma o Diretor de Inovação do Instituto do Sono. Até que ponto dá para confiar no rastreamento dos smartwatches? De forma geral, os especialistas ouvidos pelo TechTudo concordam: a confiabilidade dos smartwatches depende do que está sendo medido. Segundo Jacques Chicourel, algumas métricas já atingiram um nível bastante sólido. A detecção de sono versus vigília, por exemplo, apresenta sensibilidade superior a 95% em dispositivos recentes quando comparada a exames clínicos. Isso significa que, na prática, na maioria das vezes o relógio acerta se você está dormindo ou acordado. Ainda de acordo com Chicourel, o tempo total de sono e a eficiência geral da noite — ou seja, quanto tempo você realmente dormiu dentro do período em que ficou deitado — também costumam ser estimativas consistentes. Por outro lado, a situação muda quando o assunto são as fases do sono. O especialista explica que a discriminação entre sono leve, profundo e REM ainda apresenta grande variabilidade, com níveis de acurácia que podem oscilar entre cerca de 50% e 86%, dependendo do dispositivo, do algoritmo e da fase analisada. O erro mais comum é na identificação do sono leve, além da tendência de subestimar períodos acordados durante a noite. Imagem ilustrativa de um exame de polissonografia, exame de monitoramento do sono DC Studio Essa limitação existe porque os relógios não medem diretamente a atividade cerebral. Em exames como a polissonografia são analisados sinais como ondas cerebrais, movimentos oculares, atividade muscular e respiração. Já os wearables trabalham com sinais indiretos, como movimento e batimentos cardíacos. Erik St. Louis reforça esse ponto. “Os smartwatches, em geral, podem fornecer informações úteis sobre a duração total do sono e os horários em que se dorme, mas costumam ser bastante imprecisos ao fornecer estimativas exatas da profundidade do sono”, afirma o especialista. Trocando em miúdos, os relógios inteligentes são ferramentas confiáveis para acompanhar tendências e padrões ao longo do tempo, mas não devem ser interpretados como instrumentos de diagnóstico. “Testes de nível médico em ambiente doméstico ou em laboratórios do sono em centros especializados em medicina do sono são as melhores maneira para avaliar problemas clínicos do sono", completa Erik St. Louis. Dá para melhorar a precisão do smartwatch? Para Erik St. Louis, não há evidências de que ajustes simples — como apertar mais o relógio ou mudar a posição ao dormir — tenham impacto relevante na qualidade das medições. Chicourel discorda: embora esses cuidados não resolvam as limitações da tecnologia, eles podem, sim, melhorar a qualidade dos dados coletados. O especialista faz algumas recomendações: Ajuste firme no pulso: use o relógio cerca de 2 dedos acima do osso do pulso, firme mas sem apertar a circulação. A tecnologia PPG é altamente sensível a ruídos — folga entre sensor e pele reduz drasticamente a qualidade da leitura; Mantenha a bateria carregada: alguns modelos desativam o SpO2 contínuo com bateria baixa, daí a importância de dormir com o relógio carregado; Use o relógio de maneira consistente: wearables fornecem detecção de ciclos com ~80% de acurácia vs PSG, e o uso contínuo permite que os algoritmos melhorem as estimativas personalizadas ao longo do tempo, segundo Chicourel; Limpe os sensores: suor, protetor solar e resíduos de pele interferem na leitura óptica. Por isso, lembre-se de limpar o relógio regularmente; Evite álcool e cafeína antes de dormir: além de afetarem o sono em si, alteram os padrões fisiológicos e podem confundir os algoritmos de detecção de fases; Mantenha um horário regular de sono: além de melhorar a qualidade do sono, facilita a predição do ritmo circadiano pelo dispositivo. Galaxy Watch 8 é opção de smartwatch com monitoramento de sono Ana Letícia Loubak/TechTudo Dicas para dormir melhor Se por um lado os smartwatches têm limitações, por outro podem ser aliados na construção de hábitos mais saudáveis. Ao observar padrões ao longo do tempo, o usuário pode identificar irregularidades, como horários inconsistentes ou noites mal dormidas, e trabalhar para melhorar sua rotina. Para o Dr. Erik St. Louis, a base de um bom sono está na consistência. Dormir e acordar sempre nos mesmos horários ajuda o corpo a regular o ciclo biológico. Além disso, ele lembra que a meta ideal para adultos é dormir entre sete e oito horas por noite, de forma regular. Chicourel reforça essa ideia e vai além: segundo ele, manter horários consistentes é o hábito isolado com maior impacto na qualidade do sono. O especialista ainda ressalaa importância de dormir em um quarto escuro, silencioso e com temperatura adequada (17–28°C). O sono também é prejudicado pelo excesso de estimulo causado pelo som Reprodução/Bose Outra recomendação relevante é evitar telas antes de dormir, já que a luz azul inibe a produção de melatonina, e e-mails e redes sociais ativam o sistema nervoso simpático. Praticar exercícios regularmente e controlar o consumo de cafeína também contribuem para melhorar a qualidade do sono. Ambos os entrevistados ouvidos pelo TechTudo reforçam que o smartwatch não substitui avaliação médica. Ele funciona melhor como um “termômetro do sono”, útil para perceber mudanças e hábitos, do que como um exame clínico definitivo. Nesse sentido, dados informados pelo próprio smartwatch, como quedas recorrentes na oxigenação do sangue durante a noite, podem servir como um alerta inicial. Sinais como cansaço persistente, dificuldade para dormir, sonolência excessiva durante o dia ou ronco com pausas na respiração devem ser investigados por um especialista. Com informações de Garmin e Runmefit Smartwatch: conheça 4 funções que podem salvar vidas

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