GloboNews
Nos bastidores da sabatina de Jorge Messias no Senado, uma coisa ficou cristalina desde o início: essa nunca foi uma novela sem dono. Teve — e tem — protagonista. O nome dele é Davi Alcolumbre. A derrota histórica imposta ao governo Lula não veio por acaso. Veio com recado. E Alcolumbre tratou de deixar isso muito claro, em várias camadas. A principal: quem manda no Senado é ele, e não há espaço para articulação paralela, negociação de bastidor ou construção fora do seu radar. Alcolumbre sempre repetiu, inclusive a interlocutores próximos, que nunca viu nada passar no Senado sem a sua articulação direta. E, nesse episódio, mostrou na prática. Mais do que uma derrota de um nome, foi uma demonstração de força institucional e política. Nos bastidores, também já se desenhava um movimento mais amplo: um “combo” articulado por setores da oposição, aproveitando o fato de Flávio Bolsonaro ser senador e adversário direto do governo. A leitura é de que houve uma convergência de interesses — com Alcolumbre, que preferia outro caminho (como o nome de Pacheco), e com senadores dispostos a impor uma derrota simbólica ao Planalto. O resultado escancara não só a força de Alcolumbre, mas também um problema sério de leitura política do governo. Faltou termômetro. Faltou pulso sobre o que estava acontecendo dentro do Senado. Enquanto a temperatura subia, o Planalto parecia fora da sala. No fim, a crise expõe um eixo de poder muito claro: no Senado, hoje, a temperatura — e o ritmo — passam por Alcolumbre.
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