Revista Oeste
A derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou antes mesmo da votação no plenário do Senado Federal. A derrubada do advogado-geral da União já era articulada nos bastidores desde o anúncio de seu nome pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Desde o anúncio de Lula em novembro passado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), demonstrou resistência. O senador defendeu outro caminho: a indicação de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga no STF. + Aborto, Estado laico e autocontenção do STF: o que disse Messias no começo da sabatina Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sarah Peres (@sarahperes2) A escolha de Messias, portanto, já nasceu sob tensão entre o Congresso e o Planalto. Esse desconforto evoluiu quando, em dezembro de 2025, Alcolumbre chegou a pautar a sabatina do indicado, mas foi obrigado a recuar. Isso ocorreu porque o Palácio do Planalto não havia formalizado o envio do nome ao Senado. Sem o ofício presidencial, a sabatina não poderia ocorrer. O episódio expôs a estratégia do governo para ganhar tempo e, assim, tentar viabilizar o nome de Messias para o STF. Jorge Messias cumprimentando o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) durante sua sabatina na CCJ do Senado | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado A situação acabou empurrando o processo para abril, mas ao longo dos últimos meses, Messias intensificou a articulação. O advogado-geral da União percorreu gabinetes, buscou apoio e tentou dialogar inclusive com senadores da oposição. Segundo relatos ouvidos pela Oeste , as investidas foram repetidas — mas não produziram efeito concreto entre os adversários do governo. O principal obstáculo de Messias Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, demonstrou insatisfação com a indicação de Messias desde o anúncio de Lula | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado O principal obstáculo de Messias estava na cadeira da presidência do Senado. Alcolumbre evitou se comprometer publicamente com a indicação e, nos bastidores, manteve distância. O senador só recebeu o AGU às vésperas da sabatina, gesto interpretado como sinal de frieza política diante da candidatura. O presidente do Senado também não atuou para construir maioria favorável a Messias. Parlamentares afirmaram que Alcolumbre que não houve orientação clara da bancada — um movimento que, na prática, liberou votos e esvaziou qualquer tentativa de coordenação pró-governo. A escolha pela votação secreta também teve peso. Sem exposição pública, os senadores ficaram mais à vontade para rejeitar o nome do indicado sem custo político imediato. Em sabatina, Jorge Messias disse ser 'totalmente contra' o aborto | Foto: Carlos Moura/Agência Senado + Veja os principais temas da sabatina de Messias Em paralelo, Alcolumbre teria dito a parlamentares da oposição que aquele era o momento de barrar a indicação — e que, caso contrário, não faria sentido pressioná-lo posteriormente por pautas como pedidos de impeachment de ministros do STF. A votação confirmou o desfecho histórico. Desde 1894, o Senado não rejeitava uma indicação ao Supremo Tribunal Federal — foram apenas cinco recusas em mais de um século, todas ainda no governo Floriano Peixoto. O post O papel de Alcolumbre na derrota de Messias ao STF apareceu primeiro em Revista Oeste .
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