Jornal O Globo
A Microsoft divulgou um crescimento em seu negócio de nuvem que ficou apenas um pouco acima das estimativas dos analistas, o que decepcionou os investidores, preocupados com a possibilidade de a empresa não estar aproveitando plenamente a demanda por serviços de inteligência artificial. A empresa registrou lucro líquido de US$ 31,8 bilhões no terceiro trimestre fiscal de 2026, encerrado em 31 de março, representando alta de 23% ante o registrado no mesmo período do ano anterior. O lucro por ação saiu de US$ 3,46 no último ano para US$ 4,27. O lucro operacional ficou 20% acima do reportado no mesmo trimestre fiscal de 2025, chegando a US$ 38,4 bilhões, enquanto a receita da companhia avançou 18% no período, para US$ 82,9 bilhões. A unidade Azure registrou um aumento de receita de 39% no período, ajustado por variações cambiais, informou a empresa na quarta-feira em comunicado. Isso apenas superou a estimativa média dos analistas, que projetavam um crescimento de 38%. As obrigações de desempenho restantes, uma medida de carteira de pedidos, totalizaram US$ 629 bilhões, uma leve queda em relação aos US$ 631 bilhões reportados no trimestre anterior. A maior fabricante de software do mundo está focada em comercializar a inteligência artificial por meio de seus serviços em nuvem e aplicações como o Copilot. No entanto, a Microsoft tem enfrentado dificuldades para disponibilizar capacidade de centros de dados com rapidez suficiente para aproveitar plenamente a demanda dos clientes. O gasto de capital — acompanhado de perto como indicador de investimentos em centros de dados — foi de US$ 31,9 bilhões no trimestre, abaixo da estimativa média dos analistas, de US$ 35,3 bilhões, que inclui arrendamentos. As ações caíram nas negociações após o fechamento. O papel da Microsoft acumulava uma queda de cerca de 12% no ano até o fechamento de quarta-feira. Essa queda se deve principalmente às preocupações com a baixa adoção do Copilot e com a solidez do negócio de software Office da Microsoft, escreveu o analista da Jefferies, Brent Thill, antes da divulgação dos resultados. No comunicado, o CEO Satya Nadella afirmou que a empresa superou uma taxa anual de receita de US$ 37 bilhões em seu negócio de inteligência artificial, que mais do que dobrou em relação ao ano anterior. No trimestre passado, a Microsoft recebeu uma reação fria de Wall Street ao revelar que apenas cerca de 3% de sua base de usuários corporativos estava pagando pelo Copilot. Desde então, a empresa tem se concentrado em impulsionar as vendas — e não a adoção gratuita — da ferramenta.
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