Jornal O Globo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto e principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026, creditou a derrota do governo ao não conseguir emplacar Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal como um recado ao Poder Judiciário. – É uma resposta também aos excessos que o Supremo vem praticando há pelo menos uns quatro anos sem que fosse feito absolutamente nada para conter os arroubos de alguns de seus integrantes. São mudados precedentes, é desrespeitada a Constituição a todo momento, a lei penal inventada pra você colocar atrás das grades, ou pra você punir ou inviabilizar lideranças que são de espectro de direito da política – declarou Flávio. Além da queixa de senadores bolsonaristas, há também um incômodo de parlamentares de centro-direita com o Supremo. O Poder Judiciário protagonizou embates com parte do Congresso durante o funcionamento das CPIs que investigam fraudes no INSS e a do Crime Organizado. O senador do PL também criticou o governo Lula e disse que a derrota também teve participação de senadores da base do governo. Segundo Flávio, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não vai pautar nenhuma nova indicação ao STF antes das eleições presidenciais. – Lula perdeu hoje. Vamos ver como é que vai se comportar aqui daqui pra frente. Em função também desse péssimo tratamento que o governo Lula tem dado aqui aos parlamentares, deputados e senadores que são da base, eu não sou da base deles, mas até da própria base que reclama. Foi essa conjuntura que houve essa resposta que foi dada agora, não contra o Messias, foi a resposta dada ao Lula e ao Supremo. O Senado rejeitou um nome ao Supremo após 132 anos, impôs uma derrota histórica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e barrou a indicação do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) à Corte. O revés para o governo tensiona ainda mais a relação com o Congresso, a menos de seis meses da eleição. Messias teve 34 votos a favor da indicação, sete a menos que o necessário. Foram 42 votos contrários. Ele foi indicado por Lula para ocupar uma vaga na Corte há mais de cinco meses, mas enfrentou resistências da oposição e, principalmente, da cúpula do Senado, sobretudo de Alcolumbre. Mais cedo, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias teve 16 votos em sabatina que foi marcada por um clima de apreensão de governistas diante da falta de segurança se ele seria aprovado. O resultado torna o chefe da AGU o primeiro nome indicado ao STF a ser rejeitado na redemocratização brasileira. A última vez que isso ocorreu foi em 1894, no governo Floriano Peixoto. Auxiliares de Lula creditam a derrota no Senado a uma articulação de Alcolumbre contra Messias. Inicialmente considerado um dos pontos de governabilidade de Lula 3, o senador se afastou do Planalto e passou a criticar publicamente o governo federal após o chefe do Executivo indicar Messias para a vaga no Supremo --e não Rodrigo Pacheco (PSB-MG), aliado de primeira hora do presidente do Senado. Até a noite da véspera da sabatina, auxiliares de Lula atuavam para que Alcolumbre fizesse um gesto público de apoio a Messias, o que não ocorreu. Pacheco, por sua vez, posou para foto com o chefe da AGU na tarde de terça em evento que oficializou o apoio da bancada do PSB ao ministro.
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