Collector
Como o governo viu a derrota de Messias no Senado | Collector
Como o governo viu a derrota de Messias no Senado
Revista Oeste

Como o governo viu a derrota de Messias no Senado

A derrota do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias , para uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) no Senado expôs fragilidades na articulação política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O caso surpreendeu até aliados diretos do Palácio do Planalto. A expectativa de uma aprovação relativamente folgada, com algo entre 45 e 48 votos, contrastou com o resultado final de 34 a 42 e evidenciou dificuldades na consolidação de uma base fiel em votações sensíveis. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), admitiu a frustração, mas buscou minimizar o impacto político. “Não esperávamos a derrota. Estávamos esperando 45, 46 votos". Ele destacou que não entende o resultado "como traição, pois cada um vota de acordo com as suas crenças”. Ao tentar afastar a ideia de infidelidade, o governo esbarra no fato de que parte relevante do apoio não se concretizou. Porém, nos bastidores, a leitura é de que houve falha de coordenação, embora a gestão petista tente atribuir o resultado ao ambiente político pré-eleitoral. Intervenção de Alcolumbre ou desgaste político de Lula O líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), descartou a tese de interferência do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). O petista classificou a rejeição como fruto de “circunstâncias”. Randolfe citou outras votações recentes que foram apertadas, como a indicação ao comando da Procuradoria-Geral da República, para sustentar que o cenário atual é de derrota pontual. "Não, em absoluto não foi interferência de Alcolumbre. Essa rejeição é uma circunstância", disse Randolfe. "Veja só, nós tivemos indicado pelo presidente da República, pelo menos, quatro, cinco nomes aqui no Senado." O advogado-geral da União, Jorge Messias, durante sabatina, no Senado, para o cargo de ministro do STF - 29/4/2026 | Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo No entanto, ouvidos por Oeste , senadores próximos a Alcolumbre disseram que o presidente do Senado articulou sim para a rejeição de Messias. Já o relator da indicação, senador Weverton Rocha (PDT-MA), foi mais direto ao reconhecer o revés. “É uma derrota do governo", enfatizou. "Tem que se procurar todas as respostas de todas as perguntas.” Segundo Rocha, o placar reuniu desde votos já esperados da oposição até posicionamentos de senadores independentes, que aproveitaram o momento para “mandar recados” em meio ao ano eleitoral. A avaliação de aliados é a de que o episódio deve forçar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a recalibrar a relação com o Senado e rever as rotas na corrida eleitoral para a Presidência da República. Rocha disse que o petista convocará uma reunião com todos os senadores governistas para entender melhor a falha na articulação. Por fim, o relator destacou que, embora confie na capacidade de articulação do petista, a derrota indica um desgaste que vai além de um episódio isolado e levanta dúvidas sobre a força do governo em votações de alto risco político, especialmente às vésperas das eleições presidenciais de 2026. https://youtu.be/enuv-8ob7iQ?si=dG5HWjl6QMi01Ps2 Plenário do Senado rejeita indicação de Messias ao STF Em derrota histórica para o governo Lula, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias, para a vaga de ministro do STF, nesta quarta-feira, 29. Esta foi a primeira rejeição de um indicado para a Corte em 132 anos. Messias teve 42 votos contrários e 34 a favor (eram necessários 41 favoráveis) na sessão plenária, cujo sufrágio ocorreu de forma secreta. O placar desfavorável se deu mesmo com a liberação bilionária de emendas parlamentares e entrega de cargos em agências reguladoras, pelo Palácio do Planalto, a nomes indicados pelos senadores. + Entenda o que é Política em Oeste Lula fez ainda trocas na composição da Comissão de Constituição e Justiça para deixá-la "mais governista" na sabatina, onde Messias obteve o apoio de 16 parlamentares, depois de quase oito horas sob escrutínio. O post Como o governo viu a derrota de Messias no Senado apareceu primeiro em Revista Oeste .

Go to News Site