Jornal O Globo
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira nos mercados asiáticos, com o Brent atingindo um novo recorde acima de US$ 125 por barril, após os Estados Unidos expressarem preocupação com um possível prolongamento do bloqueio do Estreito de Ormuz. Por volta das 4h30 GMT (1h30 de Brasília), o Brent, referência do Mar do Norte, subia 6,8%, para US$ 126, o maior valor em quatro anos. Míriam Leitão: mercado de petróleo pode se normalizar em poucas semanas encerrada guerra no Irã Leia também: Equador inicia exploração de petróleo na Amazônia com técnica criticada por impacto ambiental Enquanto isso, o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subia 3%, para US$ 110,09. Na quarta-feira, já havia subido quase 7%. Os preços consolidaram, assim, os fortes ganhos de quarta-feira em meio a preocupações de que uma solução para reabrir o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica por onde normalmente passa um quinto do petróleo bruto mundial e que está fechada desde o final de fevereiro, possa ser adiada. Segundo um alto funcionário da Casa Branca, o presidente Donald Trump mencionou a líderes da indústria petrolífera uma possível extensão "por vários meses" do bloqueio imposto por Washington aos portos iranianos. Enquanto isso, Trump declarou ao site de notícias Axios: "O bloqueio é mais eficaz do que os bombardeios. Eles estão sendo sufocados." Ele acrescentou que a ação naval não terminará até que um acordo seja alcançado com Teerã para tratar de seu programa nuclear. Esse cenário está preocupando os investidores. O petróleo Brent chegou a atingir US$ 122,53 por barril na sessão desta quinta-feira, seu nível mais alto desde meados de 2022, quando a invasão militar russa da Ucrânia provocou uma forte alta nos preços do petróleo e do gás. "O contexto geopolítico não mostra sinais de acalmamento [...]. A capacidade de armazenamento está saturada [no Golfo], as exportações são limitadas e o risco não se restringe mais a uma simples perda de oferta, mas agora abrange um declínio duradouro na produção", alertou Stephen Innes, da SPI Asset Management. Os mercados de ações asiáticos também sofreram, com perdas significativas em Tóquio (-1,2%) e Hong Kong (-1,2%) e leves ganhos em Xangai, Singapura, Wellington e Taipei.
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