GloboNews
O Banco Central do Brasil decretou nesta quinta-feira (30) a liquidação extrajudicial da Frente Corretora de Câmbio S.A., com sede em São Paulo. Segundo a autoridade monetária, a decisão foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, além de graves violações às normas legais e regulamentares que regem sua atividade. A corretora está enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial — grupo que reúne instituições de menor porte — e tem baixa representatividade no Sistema Financeiro Nacional, segundo o BC. Em 2025, a empresa ocupou a 78ª posição no ranking de câmbio do Banco Central. No período, suas operações corresponderam a 0,021% do volume financeiro e a 0,054% do total de transações realizadas no mercado. Com a liquidação extrajudicial, o Banco Central passa a conduzir o processo de encerramento das atividades da instituição e a apuração de sua situação patrimonial. A autarquia informou que continuará adotando todas as medidas necessárias para investigar responsabilidades, o que pode resultar em sanções administrativas e comunicações a outros órgãos competentes. A partir da decretação, os bens dos controladores e ex-administradores da corretora ficam indisponíveis, conforme previsto em lei. Quem é a Frente Corretora Fundada em 2017, a Frente Corretora de Câmbio S.A. nasceu com a proposta de enfrentar a concentração do mercado de câmbio no Brasil, então dominado por grandes bancos, segundo informações do site institucional. Sob a liderança da CEO Daniela Marchiori, a companhia apostou em tecnologia e na ampliação de parcerias para facilitar o acesso ao câmbio, desenvolvendo a plataforma Simple, baseada no modelo B2B2C. Durante a pandemia, expandiu sua presença internacional, fechou acordos com empresas de grande porte e, em 2022, recebeu investimento da Travelex. O grupo reúne ainda as operações FrenteTech, Frente USA e Comm.Pix, além de parcerias com empresas como PicPay, MoneyGram, Smiles e Livelo. A Travelex adquiriu 10% da companhia naquele ano, fatia atualmente em processo de recompra pelos fundadores, entre eles Marchiori e Baraçal, ex-executivo da XP Inc.. Em 2024, a corretora movimentou mais de US$ 2 bilhões em operações de câmbio — um salto significativo em relação aos cerca de US$ 80 milhões registrados em 2021 —, alcançando a segunda posição no ranking do Banco Central do Brasil. Segundo o Pipeline, o crescimento foi impulsionado principalmente por transações ligadas a plataformas internacionais de apostas. *Reportagem em atualização
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