Vogue Brasil
A vila à beira-mar onde Coco Chanel libertou as mulheres e o novo momento da moda – em que peças ultraelaboradas priorizam a satisfação do vestir, e não só performar bem no feed. Confira abaixo as curiosidades do desfile de cruise 2027 da Chanel. Chanel | Cruise 2027 Divulgação Slider Chanel Divulgação Matthieu Blazy segue firme em sua missão de revitalizar a Chanel sem desconectá-la de seu passado. Para isso, apresentou o último desfile da marca em Biarritz, no sudoeste da França, local onde Coco abriu seu primeiro ateliê de alta-costura, em 1915. Na passarela, o franco-belga apresentou aquilo que tem feito de melhor desde que assumiu a maison – um minucioso trabalho artesanal que propõe novas técnicas e resulta em roupas que, apesar de complexas em construção, jamais restringem o corpo da mulher. Um único look mistura rede de pesca, animais bordados e estampas de cartão-postal antigo e jornal. Outro é uma releitura do clássico tailleur, mas em seda, hiperfluido; um terceiro, com estampa de jacquard impressa em jérsei, é inspirado em um conjunto que Coco usava. Tecidos listrados que parecem linho, mas são seda, forros estampados com mapas do sudoeste da França, golas e mangas duplas, sobreposições, amarrações na cintura, saias rodadas, bolsas bordadas e vestidos finíssimos com formas art déco. Tudo é muito mais elaborado quando visto de perto. É uma roupa pensada para dar prazer a quem a veste, e não só para ficar bonita em uma foto no feed. Chanel | Cruise 2027 Divulgação Revistas Newsletter Em suas coleções, Matthieu vem frisando como a revolução de Gabrielle, em sua época, foi ter pegado roupas funcionais, muitas vezes “emprestadas” dos trabalhadores, e dado a elas status aristocrático, ajudando na revolução que trouxe a funcionalidade para o guarda-roupa moderno. Chanel | Cruise 2027 Divulgação Ter montado o seu primeiro ateliê de alta-costura em Biarritz foi importante para esse movimento de Gabrielle. No balneário, longe das formalidades da moda parisiense, ela encontrou espaço para experimentar e, em pouco tempo, definiu que a liberdade de movimento, a simplicidade e a funcionalidade seriam os códigos de sua maison – ideias que eram inovadoras há mais de cem anos. Biarritz estava em ebulição nessa época. Era onde, durante a Primeira Guerra Mundial, a aristocracia e os artistas se refugiavam para nadar, dançar, jogar tênis e ir ao cassino à noite. Coco circulava com Stravinsky, Jean Cocteau e Picasso. O seu sucesso também foi comercial. Foi ali que, órfã, conquistou sua independência financeira, pagou os empréstimos que havia feito para começar o seu negócio e forjou o seu império. 111 anos mais tarde, um sucessor à sua altura vem atualizando esse legado. A mulher de Blazy é moderna, segura, independente. Suas roupas são incríveis, mas essa é só a pontinha do iceberg.
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