Vogue Brasil
Para além do aguardado retorno de uma semana de moda na capital carioca, o Rio Fashion Week também foi marcado por outra volta: a de presenças internacionais na semana de moda do Brasil. Um desses nomes foi Alix Morabito, diretora de oferta e compras das Galeries Lafayette, que veio ao evento participar do talk "O que compradores internacionais procuram na moda brasileira?", uma conversa sobre a perspectiva de buyers que definem o que desembarca nas principais lojs do mundo. Alix começou sua carreira na Galeries Lafayette em 2005, como compradora de moda feminina. Entre 2008 e 2015, passou por cargos estratégicos no setor de luxo, incluindo a função de diretora de coleção de acessórios e licenças na Chloé antes de retornar à Galeries Lafayette em 2015 como diretora adjunta de compras masculinas e, no ano seguinte, assumir como diretora de moda. Desde 2022, lidera as compras das linhas feminina, lingerie e infantil, além de colaborações especiais. Entre desfiles e talks na capital carioca, Alix conversou com a Vogue sobre a moda brasileira e o que chama a atenção de uma das mais importantes buyers da Europa. Confira abaixo! Alix Morabito, Chief Merchandising Officer na Galeries Lafayette Cortesia de RioFW Vogue: O que uma marca precisa para chamar a sua atenção? Alix: Essa é a resposta que todo mundo quer saber! É sempre uma pergunta difícil, mas acho que tudo passa por uma sensação de coerência. Entre o todo, a coleção, a forma como ela é apresentada, o lugar onde é mostrada, e também a própria pessoa por trás, o designer. É importante que tudo isso dialogue e crie algo que pareça genuíno, real. Claro que também é preciso gostar do produto, ainda que não estamos comprando para nós, e sim para os clientes. Então é fundamental entender se aquilo faz sentido para o seu mercado e se atende às necessidades do público. Ao mesmo tempo, precisa haver um impacto imediato. É importante que a proposta seja compreendida rapidamente, quase de forma intuitiva. No caso de uma grande loja de departamentos como a Galeries Lafayette, onde há muitas marcas e um espaço amplo, isso se torna ainda mais essencial. A marca precisa conseguir contar uma história, mesmo dentro de uma coleção de roupas, e trazer algo que a torne realmente especial. Vogue: O que te chamou atenção nas grifes brasileiras na primeira edição do Rio Fashion Week? Alix: Acho que fiquei, de certa forma, surpreendida, porque já venho ao Brasil há muito tempo e percebo uma evolução. Tenho a sensação de que antes havia mais cores e peças mais leves, mais voltadas ao verão. Agora, a moda brasileira está mais sofisticada, mas mantém sua essência e uma conexão com a juventude e com a forma como as meninas se vestem aqui no Rio. Então acho que isso traz uma abordagem mais internacional, que também pode se adaptar melhor a diferentes mercados. Galeries Lafayette Getty Images Revistas Newsletter Vogue: O que vem te deixando empolgada sobre a moda atualmente? Alix: Na verdade, sinto falta de um pouco mais de empolgação na moda hoje. Acho que os últimos anos de dificuldades no mercado acabaram, de certa forma, afetando alguns jovens designers. Então parece que há menos iniciativas novas. Falo de forma global, não especificamente do Brasil, mas sinto que existe uma diminuição dessa energia, dessa movimentação. Mas a moda sempre foi assim. Funciona em ciclos. Há momentos em que surgem novas marcas, com mensagens inéditas, muito conectadas ao que as pessoas querem e a novas formas de se expressar. E, neste momento, tenho a impressão de que isso está menos forte do que em outros períodos. Por isso, confesso que estou um pouco menos empolgada. Ao mesmo tempo, no mercado global, vemos grandes marcas de luxo concentrando muitos designers, e isso me interessa. Fico curiosa para entender como essas casas mais tradicionais conseguem incorporar novas mensagens a partir desses nomes e como isso se traduz em suas propostas. Vogue: Quais são os seus conselhos para jovens designers? Alix: Sinceramente, é uma pergunta muito difícil. Se eu soubesse a resposta, talvez tivesse a minha própria marca. Acho que essa ideia de consistência é fundamental. Uma consistência completa, que envolve a coleção, a forma de comunicar, de se expressar, o desfile, o casting, enfim, todos os elementos. Quando tudo isso é verdadeiro, gera emoção. Quando não é, não gera nada. E é justamente essa emoção que eu busco. A sinceridade e a coerência da mensagem são essenciais. E, dentro disso, também precisa existir algo que as pessoas queiram usar, queiram gostar, tocar, algo que proporcione uma boa sensação.
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