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Apesar de ser uma obra de ficção, "O Diabo Veste Prada" tem raízes em uma experiência profissional bastante concreta - e intensa. Lançado em 2003, o best-seller de Lauren Weisberger - que deu origem ao icônico filme de 2006 sobre uma jovem recém-formada que passa a trabalhar para a rigorosa editora-chefe da revista fictícia Runway - foi livremente inspirado no período em que a autora atuou como assistente de Anna Wintour, então à frente da Vogue. "Foi um primeiro emprego louco depois da faculdade, não faço ideia de como aconteceu", disse Weisberger durante uma entrevista no programa Today em junho de 2021. "Fiquei lá pouco menos de um ano, e isso definitivamente influenciou todo o livro... foi uma loucura." Meryl Streep como Miranda Prisley Divulgação Mesmo com paralelos evidentes entre sua trajetória e a narrativa do livro, a autora afirmou aos jornalistas que "nada" da história foi baseado diretamente em sua antiga chefe, conforme publicado pela Entertainment Weekly. Já Wintour respondeu de maneira típica ao ser questionada, em entrevista ao The New York Times em 2003: "Eu sempre gosto de uma boa obra de ficção. Ainda não decidi se vou lê-la ou não." Revistas Newsletter Afinal, "O Diabo Veste Prada" é inspirado em fatos reais? Weisberger confirmou que a obra se baseia de forma geral em sua vivência como assistente de Wintour, função que assumiu em dezembro de 1999, pouco depois de se formar na Universidade Cornell. No longa-metragem, a protagonista Andrea Sachs (Anne Hathaway) também inicia sua carreira logo após concluir os estudos, na Universidade Northwestern. Desde o início, porém, Weisberger demonstrava mais interesse pelo jornalismo do que pelo trabalho de assistente, como relembrou Laurie Jones em Anna: A Biografia (2022), ao afirmar que ela "não conseguia receber nenhuma pauta nossa". Assim como Andy, a autora declarou à Penguin Random House que ligava "muito pouco com a alta moda" e tinha como objetivo seguir carreira como escritora. Menos de um ano depois, Weisberger deixou o cargo para acompanhar o então editor da Vogue, Richard David Story, em sua nova função na revista Departures. Dois anos mais tarde, vendeu seu primeiro romance, O Diabo Veste Prada. Na adaptação cinematográfica, Andy enfrenta pedidos excêntricos de sua chefe Miranda Priestly (Meryl Streep), como conseguir um manuscrito inédito de Harry Potter ou providenciar um prato específico em poucos minutos - situações que misturam realidade e invenção. Anne Hathaway como Andy Sachs em "O Diabo Veste Prada" usando um minivestido Cortesia "Muitas das anedotas, exigências e loucuras são produtos da minha imaginação, histórias que criei às quatro da manhã enquanto tomava café e lutava contra a privação de sono", disse ela à Penguin Random House. A escritora completou: "Mas também há realidade nisso. Algumas dessas histórias não estão tão distantes das tarefas que eu ou meus amigos em diversos setores - seja moda, revistas, relações públicas ou publicidade - enfrentamos nos nossos primeiros anos após a faculdade." Anne Hathaway em 'O Diabo Veste Prada'; Lauren Weisberger em 2018 Barry Wetcher/20th Century Fox/Kobal/Shutterstock; Roy Rochlin/Getty Miranda Priestly foi inspirada em Anna Wintour? Anna Wintour e Meryl Streep Annie Leibovitz/ Vogue Magazine Weisberger sempre sustentou que a personagem Miranda é completamente fictícia, afirmando na época do lançamento que "nada foi baseado em Anna". Ainda assim, leitores e espectadores frequentemente enxergam semelhanças entre as duas figuras. Para Wintour, essa interpretação fica a cargo do público. Em entrevista à BBC, em dezembro de 2024, ela declarou que "cabe ao público e às pessoas com quem trabalho decidir se há alguma semelhança entre mim e Miranda Priestly". Anteriormente, ela já havia minimizado a associação, dizendo ao programa 60 Minutes, em 2009, que "era entretenimento, não era uma representação fiel do que acontece dentro desta revista". Questionada sobre a percepção de frieza, respondeu de forma direta: "Estamos aqui para trabalhar. Se alguém às vezes parecer frio ou brusco, é simplesmente porque estou buscando a excelência." Quem inspirou a personagem Emily? Leslie Fremar e Emily Blunt em 'O Diabo Veste Prada' Jamie McCarthy/WireImage; 20th Century Fox A autora nunca revelou oficialmente a inspiração para Emily. No entanto, em abril de 2026, a stylist de celebridades Leslie Fremar afirmou ter servido de base para a personagem vivida por Emily Blunt no filme. “Eu definitivamente disse a ela que um milhão de garotas matariam por esse emprego”, disse Fremar no podcast The Run-Through da Vogue. “Essa foi definitivamente a minha frase, porque eu realmente acreditava nisso, e sabia que ela não necessariamente queria estar lá.” Emily Blunt como Emily em "O Diabo Veste Prada" Divulgação Segundo ela, só tomou conhecimento do livro após sair da Vogue para trabalhar na Prada - e foi a própria Wintour quem comentou sobre o lançamento. “Recebi um telefonema do escritório da Anna dizendo que ela queria me ver”, lembrou Fremar. “Fiquei apavorada. [Wintour] perguntou: 'Quem é Lauren Weisberger?' E eu respondi: 'Ela era sua assistente júnior'. E ela disse: 'Bem, ela escreveu um livro sobre nós, e você é pior do que eu'.” Embora reconheça que talvez "não foi muito gentil" com Weisberger na época em que trabalharam juntas, Fremar descreveu a obra como algo desconfortável. “Foi como uma exposição”, disse Fremar sobre o livro. “Embora alguém obviamente a tenha aconselhado a transformá-lo em ficção, ele foi realmente baseado em muitas coisas que, você sabe, eu vivi, ela viveu.” Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!
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