Vogue Brasil
Na noite deste sábado (02.05), quando Shakira encerrou sua apresentação na Praia de Copacabana diante de um público estimado em 2 milhões de pessoas, a última imagem que ficou foi assinada por um brasileiro. O stylist Dario Mittmann, natural de Santa Catarina e radicado em São Paulo, criou o figurino de encerramento da colombiana para o megashow do projeto Todo Mundo no Rio, numa parceria que já passa por toda a Las Mujeres Ya No Lloran World Tour. O momento em que Shakira aparece no palco para o bloco final do show tem uma lógica própria. "O fim do show é o ápice. O palco se transforma em uma grande rave licantropa, os lasers e a iluminação, assim como os beats frenéticos, trazem um ar cyberpunk, que eu gosto muito e combina com minha estética de trabalho", contou Mittmann à Vogue Brasil. A inspiração parte da narrativa construída para a turnê, que posiciona Shakira em sua persona Loba dentro de um universo cyber tribal. Para Copacabana, porém, o estilista foi além da referência já estabelecida e propôs algo exclusivo para o megashow. A brasilidade entrou na equação de um jeito que foge do óbvio. Em vez do verde e do amarelo que tradicionalmente codificam o Brasil para o mundo, Mittmann optou pelo azul como cor dominante, numa leitura mais contemporânea e menos literal da identidade do país. "Abordamos a estética do Brasil de uma forma não tão óbvia", disse. O resultado, nas próprias palavras dele, é o look mais bonito que já criou para ela. Segundo ele, criar para uma artista cujo corpo está sempre em movimento exige uma equação específica entre forma e função. "Criar para a Shakira é muito sobre sentir o ritmo dela. Tudo precisa acompanhar o corpo, que está sempre em movimento, sempre muito vivo. Ela tem uma clareza grande do que funciona no palco, então o figurino precisa ser livre, confortável, mas ao mesmo tempo visualmente impactante. É encontrar esse equilíbrio entre funcionalidade e presença de palco", explicou. Além do look de Shakira, Mittmann também assina os figurinos de todo o corpo de bailarinos que divide o palco com ela no encerramento, um elenco que, para o show do Rio, é ainda maior do que o habitual da turnê. A conexão entre o estilista e a cantora tem raízes emocionais que antecedem qualquer parceria profissional. "Eu me lembro perfeitamente de uma boneca que cantava Whenever, Wherever que eu queria. Também lembro de assistir os clipes dela na televisão — Hips Don't Lie foi um visual que me marcou muito. Amo She Wolf desde o lançamento. Como fã, é muito um momento de sonho se tornando realidade", revelou. A virada de perspectiva, de espectador a criador, também tem um marco preciso na memória de Mittmann. No ano passado, ele estava na plateia de Copacabana assistindo ao show de Lady Gaga quando imaginou como seria criar um figurino para um espetáculo daquela dimensão. "Mal sabia eu que um ano depois estaria fazendo isso. É meio surreal pensar que tanta gente vai ver, sentir e criar uma memória a partir disso." Revistas Newsletter Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!
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