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Fórmula 1 volta no GP de Miami com mudanças no regulamento para evitar acidentes | Collector
Fórmula 1 volta no GP de Miami com mudanças no regulamento para evitar acidentes
Jornal O Globo

Fórmula 1 volta no GP de Miami com mudanças no regulamento para evitar acidentes

As bruscas mudanças no regulamento da Fórmula 1 chachoalharam a principal categoria do automobilismo mundial nas primeiras corridas do ano além do esperado. Para aparar algumas arestas, a Federação Internacional do Automobilismo (FIA), após auto avaliação e reclamações de pilotos e chefes de equipes, anunciou novidades nas regras que já entraram em vigor neste fim de semana do GP de Miami, cuja prova acontece no domingo, às 14h (Sportv 3 transmite. A corrida seria às 17h, mas foi antecipada em razão do risco elevado de tempestade com raios no seu horário original). As reuniões com todas as partes do ecossistema da F1 decidiram por alterações em quatro quesitos: classificação, corrida, largada e condições de pista molhada. Líder da temporada, o italiano Kimi Antonelli, da Mercedes, vai largar na pole, seguido pelo holandês Max Verstappen, da Red Bull, e pelo o monegasco Charles Leclerc, da Ferrari. O brasileiro Gabriel Bortoleto, da Audi, teve problemas no seu carro, que chegou a pegar fogo, e sairá na 22ª e última posição. Na corrida sprint, dobradinha da McLaren com o inglês Lando Norris em primeiro, e o australiano Oscar Piastri na segunda posição. Leclerc completou o pódio — Bortoleto foi desclassificado. Um dos pontos mais controversos do novo regulamento da F1 no início desta temporada tem sido o gerenciamento de energia a cada volta — os motores dos carros são híbridos, sendo pouco mais de 50% da potência gerada por combustão e a outra parte por energia elétrica, que precisa ser recuperada sobretudo nas frenagens. Apesar de ter aumentado o número de ultrapassagens nesse início de temporada, as mudanças, em geral, deixaram as corridas menos seguras e um tanto superficiais, segundo os pilotos. O acidente com o piloto Oliver Bearman, da Haas, durante o GP do Japão, com um impacto de 50G a mais de 260 km/h na curva Spoon, foi o estopim para a reação da FIA. A batida do britânico aconteceu após a tentativa de ultrapassar Franco Colapinto, que estava muito mais lento por não poder acelerar mais até finalizar o processo de recuperação da energia ao longo da volta. Para especialistas, no entanto, as novidades não passam de um paliativo, pois o problema principal só poderia ser equacionado na próxima temporada, com alterações estruturais nos monopostos. — As mudanças foram no caminho certo. Mas é só um curativo, não é a cura total do problema porque tem limitações técnicas para fazer mais do que isso. Para corrigir esses principais problemas, o motor a combustão tem que ser mais relevante. De 50/50, para 60/40 ou 70/30. Porém, quando você aumenta a potência do motor a combustão, você consome mais combustível e não tem como aumentar o tanque de gasolina no carro deste ano. Essa mudança só pode ser feita para o próximo ano — diz o ex-piloto Luciano Burti, comentarista da TV Globo. As novidades também podem ter impacto na disputa dos títulos de pilotos e de construtores. As equipes tiveram um mês para fazer ajustes nos carros e tirar a diferença para a Mercedes, que despontou como grande favorita após três vitórias seguidas (Austrália, China e Japão). — Qualquer mudança pode ajudar um pouquinho mais um do que o outro. Quem estava levando vantagem, no caso a Mercedes, é quem mais sai perdendo com qualquer mudança. Se a receita estava funcionando, melhor não mexer. Quando mexe, abre a oportunidade para os outros. Não quer dizer que isso vai acontecer, pois ela também não ficou parada. Mas as equipes devem antecipar alguns upgrades da parte aerodinâmica, e podemos ver mudanças de performance não só pelas regras, mas, principalmente, pela evolução dos carros. Confira as novidades no regulamento Classificação Após o limite de recarga ter sido reduzido no Japão (8MJ), decidiu-se que quantidade máxima passa de 8 para 7 megajoules (MJ) nos treinos classificatórios. O objetivo é reduzir o gerenciamento de energia nas voltas de classificação e a possibilidade de pisar fundo no acelerador. Outra mudança foi o aumento da potência máxima no superclipping de 250 para 350kW (momento em que o carro passa a usar a parte elétrica para carregar a bateria ainda que o piloto esteja acelerando). A novidade deve diminuir o tempo de recarga nas voltas tanto na classificação quanto nas corridas. Corrida Além do aumento da potência do superclipping, a potência liberada pelo botão de boost terá um teto de 150 kW. A expectativa é evitar diferenças de velocidade muito grandes de forma repentina. Esse foi um dos motivos do forte acidente de Oliver Bearman no GP do Japão, quando se deparou com Franco Colapinto em velocidade muito mais baixa. Outra mudança limita o uso do MGU-K (sistema no motor que recupera energia cinética) em zonas que não sejam os principais pontos de aceleração nas pistas (da saída da curva ao ponto de frenagem, incluindo zonas de ultrapassagem). O objetivo é manter a frequência de ultrapassagens nesta temporada. Largadas Um novo sistema capaz de identificar carros com aceleração "anormalmente baixa", logo depois de o piloto soltar a embreagem na largada, foi desenvolvido pela FIA. Nas primeiras corridas do ano, alguns carros têm tido dificuldades quando as luzes vermelhas se apagam. Quando o sistema detectar esse problema, o MGU-K vai ser acionado automaticamente e o carro terá um nível mínimo de aceleração, mas sem receber vantagem na largada. Os monopostos também terão as luzes laterais e traseiras ativadas por um mecanismo para alertar aos demais pilotos caso o problema ocorra. Corridas na chuva A FIA reduziu o uso do sistema de recuperação de energia e simplificou as luzes traseiras. Também aumentou a temperatura dos cobertores dos pneus intermediários a fim de aumentar a aderência.

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