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Antes do comeback, um flashback: as belezas mais icônicas de Marc Jacobs | Collector
Antes do comeback, um flashback: as belezas mais icônicas de Marc Jacobs
Vogue Brasil

Antes do comeback, um flashback: as belezas mais icônicas de Marc Jacobs

O anúncio da volta da Marc Jacobs Beauty, descontinuada desde 2021, reacende uma certeza antiga: poucos estilistas entendem a beleza como Marc Jacobs. Mesmo durante as longas temporadas dominadas pelo minimalismo do make nada, o designer nova-iorquino nunca abriu mão de usar a maquiagem e o cabelo como ferramentas narrativas centrais, capazes de amplificar e às vezes até tensionar o impacto das suas roupas na passarela. Ao longo das décadas, Marc construiu não apenas uma estética facilmente reconhecível, mas também um histórico de colaboradores fiéis. Nomes referências na indústria, como Pat McGrath, Guido Palau e Diane Kendal, se repetem desfile após desfile, ajudando a dar forma a personagens que transitam entre o exagero, a fantasia e a cultura pop. A seguir, lembramos oito momentos em que o designer apostou na beleza como parte indissociável de sua visão criativa, sem medo de ousar ou, pior, de que ela roubasse a cena. Marc Jacobs, verão 2025 Marc Jacobs @hunterabrams Parceira de longa data de Marc, Pat McGrath assinou a beleza do verão 2025 da etiqueta, que foi apresentado na Biblioteca Pública de Nova York, em fevereiro do ano passado. Para criar bonecas lúdicas, que conversavam com o conceito da coleção, inspirada pelo trabalho de Rei Kawukubo, Pat lançou mão de recortes de papel vermelho como blush e batom, além de círculos de tecido de veludo para recriar pintas. Cada modelo teve os pontos aplicados de forma personalizada, dependendo de sua roupa e rosto. O resultado trouxe pequenos pontos pretos perto do lábio, que evocavam um ar à la Marilyn Monroe, ou abaixo dos olhos, como Sophia Loren. Já as madeixas com um quê romântico e histórico eram responsabilidade do hairstylist Duffy, outro parceiro de anos do estilista. Para criar os cachos apertados, ele usou um modelador ultrafino com presilha e entrelaçou seções de cabelo entre os dois, como um oito. A partir daí, o cabelo de cada modelo foi empilhado no topo da cabeça em um estilo evocativo dos anos 1800. Saiba mais Marc Jacobs, inverno 2024 Marc Jacobs, inverno 2024 Getty Images “Alegria, ponto final.” foi o título (e quase um manifesto) do inverno 2024 da Marc Jacobs, apresentado fora do calendário tradicional da moda. Em sete minutos precisos, a coleção condensou um maximalismo lúdico com volumes inflados, proporções de desenho animado e uma paleta vibrante que alternava entre o ingênuo e o inquietante. O cabelo ficou novamente sob direção de Duffy com microfranjas deliberadamente teatrais, enquanto a maquiagem de Diane Kendal reforçava a estética de boneca estilizada, com pele polida e aplicações que acentuavam a artificialidade charmosa do conjunto, inspirada por personagens como Minnie Mouse e princesas da Disney. Marc Jacobs, verão 2024 Marc Jacobs, verão 2024 Reprodução/Instagram Na coleção de verão 2024, Marc Jacobs levou a noção de exagero ao limite com uma construção de beleza quase cênica. Foram usadas 108 perucas de cabelo humano, preparadas sob a direção de Duffy, que passou dias tingindo, frisando e estruturando cada peça. Inspirado por ícones como as meninas do grupo The Supremes, o resultado evocava o espírito disco do fim dos anos 60 e início dos 70, com volumes propositalmente desproporcionais e silhuetas de impacto. Na maquiagem, Diane traduziu essa estética em um rosto de boneca hiperconstruído: pele perfeitamente preparada, iluminador branco aplicado em pontos estratégicos e acabamento matte quase porcelanizado. Os cílios, trabalhados em camadas com delineado e máscara intensa, criavam um efeito gráfico dramático, enquanto os lábios em tom taupe com centro suavizado reforçavam a artificialidade sofisticada do look. Initial plugin text Marc Jacobs, verão 2020 Marc Jacobs, verão 2020 Getty Images Pense em um casting composto por Kaia Gerber e Gigi Hadid descalça. Uma celebração à vida orquestrada por Marc Jacobs. Acrescente à conta o trabalho fora da curva de Pat McGrath. Este era o tom do verão 2020, quando a maquiadora criou 61 looks de beleza diferentes para o desfile, que relembrou alguns dos ícones e eventos mais significativos da história recente. Cílios exagerados, glitter solto e olhos adornados com strass e folha de ouro cooperavam com a ideia de reexaminar o passado e o futuro através de uma lente moderna. O mago dos cabelos, Guido Palau seguiu uma trajetória complementar, criando 61 penteados diferentes, inspirados em personalidades como Marilyn Monroe (uma referência recorrente na obra de Marc), Jane Fonda e Shelly Duval. Havia ondas soltas, mas volumosas, cortadas até a altura das orelhas, cortes chanel clássicos com franja lateral e penteados pixie desarrumados com chapéus coloridos. Um aceno da passarela às mulheres da vida real. Marc Jacobs, verão 2020 Getty Images Marc Jacobs, verão 2019 Marc Jacobs, verão 2019 Getty Images À esta altura, você já deve ter percebido, mas o mantra de Marc Jacobs parece ser: mais é mais. Portanto, se uma coleção tinha como paleta central tons pastel, nada mais justo que uma profusão de amarelo, rosa, azul, verde e laranja com baixíssima saturação pintasse não só os tecidos, mas também os cabelos das modelos. A missão de colorir os fios de três dúzias de modelos em um arco-íris de algodão doce foi encarregada a Josh Wood, colorista londrino, que à época desembarcou em Nova York exclusivamente para executar a tarefa. Guido, novamente, foi o responsável pelos cabelos e concebeu um trio de penteados retrô-futuristas: um rabo de cavalo inspirado nos anos 60 que flutuava acima da cabeça das modelos, um bob degradê em formato de ovo e cortes raspados ousados. A maquiagem, leves pinceladas de sombras em tons de verde prateado, rosa salmão e branco papel, eram obra de Diane. Marc Jacobs, verão 2019 Getty Images Marc Jacobs, inverno 2016 Marc Jacobs, inverno 2016 Getty Images Em meados dos anos 2010, a semana de moda de Nova York vivia uma de suas crises mais severas. As críticas da imprensa especializada falavam em “desfiles sem graça e repetitivos”, “falta geral de ousadia”, “frio congelante” e até o trânsito da cidade que nunca dorme entrou na conta. Foi nesse cenário que o inverno 2016 da Marc Jacobs, gótico, sombrio e dramático, foi traduzido como um sopro de fé. Para o desfile, o estilista escalou um time de pesos pesados da beleza: Guido e François Nars. François criou seis looks para contar a história da garota que Marc tinha em mente: inspirada por cantores como Alice Cooper, Beetle Juice e a própria Big Apple, muito underground. As modelos, entre elas Lady Gaga, desfilavam com olhos escuros com delineador bem marcado e sem batom. Pouca base, um pouco de brilho e nada com cara de maquiagem. As sobrancelhas sumiram para criar uma tela em branco, permitindo reestruturar todo o rosto e fazer aumentar a pálpebra. Já Guido criou silhuetas finger waves miúdas com textura dupla. O topo liso, com risca ao meio e muito gel contrastava com o comprimento seco e volumoso das pontas. O destaque capilar, no entanto, ficou por conta dos desenhos de onda criados nas modelos de cabelo curto, uma variação em trompe l'oeil desenhada à mão que remetia aos penteados dos anos 20. Para a tarefa, o hairstylist contou com a ajuda da artista corporal Anastasia Durasova e do próprio François. Marc Jacobs, inverno 2016 Getty Images Louis Vuitton, verão 2013 Louis Vuitton, verão 2013 Getty Images Antes de se dedicar exclusivamente à sua marca homônima, o designer comandou a Louis Vuitton por 16 anos, de 1997 a 2013. Em um dos seus últimos desfiles à frente da maison francesa, ele encerrou a semana de moda de Paris no Cour Carrée do Museu do Louvre. Nas escadas rolantes do espaço, foi criado, em colaboração com o artista Daniel Buren, um cenário de tabuleiro amarelo vibrante, por onde as modelos desciam em duplas. Na beleza, os anos 60 surgiam em versão pop: sombras pêssego com acabamento quase molhado cobriam as pálpebras até acima do côncavo, combinadas a delineado preto fino e camadas generosas de máscara. Nos cabelos, Guido (ele, de novo!) evitou o risco do retrô literal ao reinterpretar o volume sessentista com leveza. Entre bouffants, twists e laços, o destaque ficava para as tiaras de cetim, usadas de forma cool e nada caricata. Louis Vuitton, verão 2013 Getty Images Louis Vuitton, verão 2011 Louis Vuitton, verão 2011 Getty Images Opulência sem pudor: foi sob esse espírito que Marc Jacobs construiu o verão 2011 da Louis Vuitton. Nos bastidores, Pat McGrath apostou em uma maquiagem de impacto, com olhos marcados por sombras em ouro e ametista, aplicadas sobre uma base intensa de delineador preto. O resultado eram pálpebras profundas e luminosas, enquanto os lábios, em tons vinho com acabamento glossy, reforçavam a ideia de uma beleza quase barroca. As sobrancelhas finas, redesenhadas, evocavam divas do cinema das décadas de 1920 e 30. Nos cabelos, Guido trouxe sofisticação escultórica com um coque estruturado em torções que se encontravam na nuca, complementado por uma franja lateral dramática que deslizava até a maçã do rosto e cobria um dos olhos de todas as modelos. O conjunto, entre brilho, cor, excesso e mistério, trazia à passarela uma mulher extrovertida, noturna e absolutamente entregue ao glamour. Revistas Newsletter Bônus: collab com Pat McGrath Labs Marc Jacobs x Pat McGrath Labs Divulgação Em 2024, quando a Marc Jacobs completou 40 anos de história, o designer que já havia encerrado as operações de sua linha de beleza três anos antes, matou um pouco da saudade do universo da maquiagem ao lançar uma collab com Pat McGrath. Juntos, os dois apresentaram o batom Matte Trance Lipstick Marc Jacob's edition, na cor "Forbidden Love". De edição limitada, o produto era todo revestido na logomania assinatura do estilista, com uma boca dourada em relevo, um verdeiro item de desejo entre as fashionistas. Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!

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