Jornal O Globo
O último adolescente suspeito de participação no estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, se apresentou à polícia na manhã desta segunda-feira (4). O menor, de 15 anos, foi localizado no bairro Ermelino Matarazzo, em São Paulo, durante o cumprimento de mandado de busca. Ele foi encaminhado à delegacia acompanhado da mãe. O caso ocorreu em uma comunidade de São Miguel Paulista, também na Zona Leste da capital. Estupro coletivo em SP: o que se sabe sobre caso de crianças vítimas em São Miguel Paulista Policiais da Bahia afirmam que adulto acusado de estupro coletivo de crianças em SP admitiu o crime Com a apresentação, todos os quatro menores envolvidos já foram apreendidos. O único adulto suspeito segue preso na Bahia. Alesandro Martins dos Santos, de 21 anos, foi localizado em Brejões e, segundo a polícia, confessou participação no crime. Ele está detido em Jequié, no interior baiano, e deve ser transferido para São Paulo ainda nesta segunda-feira. No domingo, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, havia informado que o governo negociava a rendição do adolescente com a família. — Tem uma pessoa foragida ainda, que é o Christian. Mas temos equipes negociando com a família nesse momento para ele se entregar, que é melhor pra ele — afirmou. Ao comentar as imagens do crime, o secretário disse não ter conseguido assistir ao vídeo até o fim. — Em 45 anos de polícia, não consegui ver o vídeo até o fim, cena terrível, inesquecível, vai ficar no meu subconsciente por muito tempo — declarou. Segundo a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, responsável pela investigação, o caso veio à tona inicialmente por meio das redes sociais, sem registro imediato na delegacia. — Assim que tomamos conhecimento, os investigadores saíram a campo, conseguiram localizar as vítimas, porque elas estavam sendo pressionadas a não registrar o boletim de ocorrência. Embora os vídeos estivessem circulando, a família não havia formalizado a denúncia — disse. O crime ocorreu no dia 21 de abril, mas só chegou ao conhecimento formal da polícia três dias depois, quando a irmã de uma das vítimas recebeu um dos vídeos e procurou uma delegacia. As imagens permitiram a identificação dos suspeitos, mas a divulgação do material configura crime por violar a intimidade das vítimas. De acordo com a investigação, as famílias das crianças foram pressionadas a não denunciar o caso e chegaram a deixar suas casas por medo. — A família saiu com medo. Teve gente que saiu só com a roupa do corpo. Foi uma dificuldade encontrar as vítimas. Elas vieram à delegacia, foram ouvidas e submetidas a exames — afirmou a delegada. Os cinco envolvidos conheciam as vítimas. Moradores do Jardim Pantanal, também na Zona Leste, eles atraíram as crianças sob o pretexto de soltar pipa. — Eles eram vizinhos e as crianças tinham confiança neles. Um dos adolescentes disse que se tratava de “uma brincadeira que acabou escalando”, mas a iniciativa de gravar teria sido de Santos, que começou as “brincadeiras” e passou a filmar — disse Janaína. Todos os suspeitos responderão por estupro de vulnerável. No caso do adulto, também devem ser incluídas acusações de corrupção de menores e divulgação de imagens das vítimas. A polícia afirma que, após a conclusão das prisões, vai avançar na identificação de pessoas que compartilharam os vídeos nas redes sociais. Delegados também fizeram um apelo para que o material não seja divulgado, a fim de evitar mais sofrimento às vítimas e suas famílias.
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