Revista Oeste
A Universidade de São Paulo (USP) encerrou, nesta segunda-feira, 4, as negociações com os estudantes em greve. A reitoria apresentou o que classificou como proposta final para reajustes. A paralisação estudantil começou em 15 de abril. Já a greve dos servidores, iniciada no mesmo período, foi encerrada no dia 23. Ao contrário dos funcionários, os alunos da USP apresentaram uma série de reivindicações e mantiveram a greve . Já são 104 cursos da USP paralisados, de acordo com o Diretório Central dos Estudantes (DCE). Leia também: "Greve da USP tem programação com campeonato de pebolim" Depois de três reuniões e quase 20 horas de negociação, a reitoria decidiu encerrar as discussões. "Diante dos avanços obtidos e das propostas apresentadas neste documento e na reunião de 28 de abril, a reitoria considera encerrada a negociação das pautas estudantis", informa, em comunicado oficial. Segundo a USP, a proposta contempla os avanços possíveis dentro do orçamento atual, incluindo aumento dos auxílios estudantis e ajustes em benefícios. Os estudantes da USP participam de uma manifestação no centro de São Paulo, nesta segunda-feira, durante a reunião do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas. Eles tentam ampliar a paralisação e conseguir apoio da Unesp e da Unicamp. Os alunos ainda não comentaram o assunto. Estudantes em greve exigem salário mínimo para manter estudos O principal ponto de divergência entre a USP e os alunos é o aumento do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil ( Papfe ), principal política de assistência socioeconômica da USP. Hoje, o benefício varia entre cerca de R$ 330 (com moradia) e R$ 885 mensais, além de gratuidade nos restaurantes. A USP propõe um reajuste com base no Índice de Preços ao Consumidor do Município de São Paulo (IPC-Fipe). Com isso, o auxílio passaria para R$ 912 na modalidade integral e R$ 340 na parcial, voltada a estudantes com moradia. Os estudantes querem que o valor seja equivalente ao salário mínimo paulista, hoje em R$ 1.804. Eles também pedem a ampliação do programa. + Leia mais sobre Brasil em Oeste Em abril, o programa atendeu 17,5 mil estudantes de graduação e de pós-graduação, conforme a reitoria. O orçamento de 2026 para auxílios, bolsas, moradia estudantil, restaurantes, esporte e assistência à saúde para os alunos da USP é de mais de R$ 460 milhões. A instituição afirma que vai manter a negociação que acrescenta R$ 27 ao Papfe. As aulas da pós-graduação, atividades de extensão universitária, bancas de defesa de trabalhos de conclusão, consultas à biblioteca e eventos previamente marcados não pararam, apesar da greve. Contudo, outros eventos foram remarcados e os professores continuam sem ministrar aulas. Ver esta publicação no Instagram Uma publicação partilhada por Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP (@antigosalunos_fdusp_oficial) Ver esta publicação no Instagram Uma publicação partilhada por Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP (@antigosalunos_fdusp_oficial) Os estudantes também relatam problemas de qualidade nos restaurantes da Faculdade de Direito, incluindo denúncias recentes de comida estragada e presença de larvas nos alimentos. A Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (Prip) afirma que a Vigilância Sanitária não encontrou irregularidades no local e que "uma equipe especializada realiza diariamente controle de qualidade das refeições". Desde o início de 2026, foram realizadas cinco visitas de autoridades sanitárias nos restaurantes da USP, afirmou o órgão. Também foram colocadas propostas sobre a criação de grupos de trabalho para avaliar cotas trans e indígenas no vestibular, demanda antiga do movimento estudantil. Outro seria para discutir o uso de espaços pelos centros acadêmicos. Uma minuta que visava a regulamentar o tema acabou cancelada pela reitoria depois de receber críticas. O texto previa obrigações como prestação de contas, critérios de transparência e regras para contratação de serviços. Também definia que a autorização para uso de espaços tem caráter precário, podendo ser revogada pela universidade mediante justificativa. https://www.youtube.com/live/0G5A5XUoHhU?si=4oDZV1puMmoS72dX&t=5658 Sobre a criação de um grupo de trabalho para tratar da questão da reserva de vagas de ingresso para Pessoa com Deficiência (PCDs), a reitoria reafirma que "o grupo já foi criado, como pode ser verificado em matéria publicada no Jornal da USP". "Importante ressaltar que, em relação aos demais pontos discutidos na reunião anterior – espaços estudantis, restaurantes universitários, cotas trans e indígenas, moradia estudantil, linhas de ônibus e calendário escolar —, as propostas estão mantidas", acrescenta a reitoria. Em comunicado anterior, a reitoria declarou que "o assunto será sugerido à Câmara de Cursos e Ingresso do Conselho de Graduação da USP como tema para discussão e contará com estudantes convidados". Também prometeu que seriam montados dois grupos de trabalho para discutir ações de permanência estudantil para pessoas trans e indígenas. A greve começou depois da insatisfação de servidores com a concessão de um bônus de R$ 4,5 mil a docentes, pago por meio da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas. Após pressão, os funcionários obtiveram isonomia e encerraram a paralisação. O post USP encerra negociação com estudantes em greve apareceu primeiro em Revista Oeste .
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