Revista Oeste
Uma equipe de astrônomos do Japão identificou indícios de uma atmosfera fina ao redor do objeto transnetuniano (612533) 2002 XV93 , localizado além da órbita de Netuno. A detecção foi feita a partir da análise da luz de uma estrela durante um evento de ocultação ocorrido em janeiro de 2024. Objetos transnetunianos são corpos que orbitam nas regiões mais externas do Sistema Solar. Em geral, por causa das baixas temperaturas e à gravidade reduzida, não se espera que esses objetos consigam reter atmosferas por longos períodos. + Leia mais notícias de Tecnologia em Oeste No caso de 2002 XV93, que possui cerca de 500 quilômetros de diâmetro, os pesquisadores observaram que a luz da estrela diminuiu de forma gradual durante a ocultação. Segundo o estudo publicado nesta segunda-feira, 4, “os dados obtidos são consistentes com a atenuação por uma atmosfera”, o que sugere que a luz foi parcialmente absorvida ao atravessar uma camada gasosa. As observações foram realizadas a partir de diferentes pontos no Japão, com uso de telescópios profissionais e também equipamentos operados por astrônomos amadores. Em pelo menos dois locais, os registros mostraram esse padrão de diminuição progressiva da luminosidade, compatível com a presença de uma atmosfera. https://www.youtube.com/watch?v=pHgoRPLFopI&t=31s Dados indicam atmosfera de baixa pressão e curta duração A análise dos dados permitiu estimar a pressão da atmosfera entre cerca de 100 e 200 nanobares. Esse valor é significativamente inferior ao de Plutão, mas “equivalente ou até cerca de cem vezes maior que os limites superiores anteriores obtidos para outros objetos semelhantes”. Modelos utilizados no estudo demonstram que uma atmosfera com essas características não seria estável por longos períodos. A tendência é que os gases escapem para o espaço em intervalos de tempo relativamente curtos, estimados em “ aproximadamente cem a mil anos ”, caso não haja reposição. Observações adicionais feitas com o telescópio espacial James Webb não identificaram a presença de gases congelados na superfície do objeto, o que reduz a probabilidade de que a atmosfera seja mantida por evaporação contínua desses materiais. Hipóteses consideradas para a origem da atmosfera Diante desses dados, os pesquisadores trabalham com duas explicações principais para a formação da atmosfera. Uma possibilidade é a liberação de gases a partir do interior do objeto, por processos associados a aquecimento interno . Outra hipótese considerada é a ocorrência de um impacto recente, que teria liberado gases ao atingir a superfície. O estudo considera que ambos os cenários são compatíveis com a presença de uma atmosfera temporária, que tende a desaparecer ao longo do tempo. Imagem de Netuno, produzida através dos filtros verde e laranja da câmera de ângulo estreito da Voyager 2 | Foto: Divulgação/Nasa Resultado amplia investigação sobre objetos do Sistema Solar externo Até o momento, Plutão era o principal exemplo de objeto transnetuniano com atmosfera detectada. Outras observações, inclusive em corpos maiores, não haviam identificado evidências semelhantes. O caso de 2002 XV93 sugere que objetos menores também podem apresentar atmosferas, ainda que de forma temporária. O próprio estudo afirma que “a ideia tradicional de que atmosferas globais densas se formam apenas em planetas maiores precisa ser revista” . Os autores destacam que novas observações serão necessárias para determinar a composição da atmosfera e sua origem, e ressaltam que a continuidade desse tipo de monitoramento pode ajudar a identificar se a camada gasosa está se dissipando ou sendo renovada. A pesquisa envolveu instituições como o Observatório Astronômico Nacional do Japão, a Universidade de Tóquio e a Universidade de Kyoto, com participação coordenada de astrônomos profissionais e amadores. Leia também: “E tem início a colonização do espaço” , artigo de Dagomir Marquezi publicado na Edição 66 da Revista Oeste O post Astrônomos identificam indícios de atmosfera em objeto além de Netuno apareceu primeiro em Revista Oeste .
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