Jornal O Globo
O presidente da República Dominicana anunciou nesta segunda-feira a suspensão de um projeto de mineração da empresa canadense GoldQuest, após centenas de cidadãos protestarem no dia anterior contra a iniciativa devido ao seu impacto ambiental. O ouro é a principal exportação desta ilha caribenha, conhecida principalmente pelo turismo. A mineração representa cerca de 2% do seu Produto Interno Bruto (PIB). Leia também: modelo brasileiro utiliza Inteligência Artificial para proteger ecossistemas no fundo do mar Alerta de agência: emissões de metano de combustíveis fósseis estão em níveis muito altos O projeto Romero gira em torno de um depósito de ouro, prata e cobre com reservas equivalentes a 1,1 milhão de onças (unidade de medida usada na mineração, igual a 31,1035 gramas), avaliadas em aproximadamente US$ 5 bilhões a preços atuais, segundo a empresa canadense. Centenas de pessoas marcharam no domingo contra o projeto, preocupadas com o fato de a atividade prejudicar o solo e a água dos quais dependem cerca de 130 mil habitantes da província agrícola de San Juan (sul), próxima à área de mineração. "Quando os cidadãos expressam preocupações e receios, nosso dever é agir com prudência e transparência. Por isso, ordenei a suspensão imediata de qualquer atividade relacionada ao Projeto de Mineração Romero", disse o presidente Luis Abinader em uma breve mensagem à nação transmitida por seu canal no WhatsApp. Nas últimas semanas, a GoldQuest comemorou o compromisso do governo dominicano com a fase exploratória do projeto, que ainda não havia recebido autorização formal. "A iniciativa está apenas na fase de avaliação ambiental, sem qualquer autorização para sua exploração", esclareceu Abinader. "Meu compromisso é com o país, seu povo e seu futuro", afirmou. O protesto anterior, que ocorreu em vários locais, de San Juan à cidade de Sabaneta, foi dispersado com gás lacrimogêneo e resultou em quatro policiais feridos em confrontos com os manifestantes. Sabaneta abriga a principal barragem da província, que irriga mais de 30 mil hectares de terras agrícolas e gera energia hidrelétrica. Essa é a água que a população de San Juan temia que fosse afetada pelo projeto.
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