Jornal O Globo
O Banco Central (BC) detalha nesta terça-feira a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na última semana, de 14,75% para 14,50% ao ano. Os motivos que justificam o corte serão expostos pelos diretores do BC na ata da reunião realizada na última quarta-feira, que será divulgada nesta manhã. A redução da taxa básica de juros na última semana repete o movimento realizado em março, quando foi iniciado o ciclo de "calibração" dos juros. Mesmo com a queda, a Selic permanece em níveis bastante elevados, no maior patamar desde outubro de 2006, em um esforço do Copom para alcançar a meta de 3,0% da inflação. Ao divulgar o corte, o BC reconheceu piora nos dados recentes de inflação e atividade e elevou as projeções de inflação, mas optou de novo por não dar detalhes sobre os próximos passos no processo de redução a fim de observar os desdobramentos do conflito, que aumentou bastante os preços de petróleo e derivados. Na avaliação da maioria dos analistas, o BC passa um recado de que pretende continuar cortando a Selic ao ritmo de 0,25pp, mas a redução total do ciclo pode ser menor. Para 2026, a estimativa oficial do BC para a inflação saltou de 3,9% para 4,6%, acima do limite de tolerância da meta, de 4,5%. Para o fim de 2027, prazo com o qual o colegiado trabalha para alcançar a meta, subiu de 3,3% para 3,5%. Ou seja, se distanciou mais do alvo que o BC mira. Essas projeções consideram o cenário da Selic do Boletim Focus (13% no fim de 2026 e 11% no fim de 2027). Assim como em março, o BC adotou a estratégia de deixar em aberto os próximos passos do ciclo de redução dos juros para incorporar novas informações sobre os efeitos da guerra no Oriente Médio na inflação doméstica. "O cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", afirmou o BC no comunicado da última semana. Segundo o colegiado, o ambiente externo "permanece incerto", em função da indefinição a respeito da duração, extensão, e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. "Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", considerou.
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