Collector
'Bolo-pudim' viraliza nas redes e se torna o 'morango do amor' de 2026. Veja em vídeo a sobremesa do momento | Collector
'Bolo-pudim' viraliza nas redes e se torna o 'morango do amor' de 2026. Veja em vídeo a sobremesa do momento
Jornal O Globo

'Bolo-pudim' viraliza nas redes e se torna o 'morango do amor' de 2026. Veja em vídeo a sobremesa do momento

Você já comeu o bolo-pudim? Se ainda não perguntaram isso para você, prepare-se: vão perguntar. Com milhões de visualizações no Instagram e no TikTok, é difícil não esbarrar com a iguaria nas esquinas digitais da internet, em imagens que tocam quem gosta de açúcar. Meme '6 7', ou 'six, seven' invade as aulas em inglês no Brasil: 'Nunca vi uma trend durar tanto', diz professora 'Como você era nos anos 90?': famosos entram na trend viral nas redes e mostram suas versões mais jovens. Veja o antes e o depois Já é uma tradição da internet brasileira: paleta mexicana, coxinhaburger, e pistache. Todo ano tem alguma comida que viraliza nas redes sociais. Neste ano não seria diferente, e o "morango do amor" de 2026 já foi eleito: é o "bolo-pudim". A iguaria da moda A montagem varia, mas costuma unir pão de ló branco, camadas de doce de leite e pudim, cobertura de chantilly e um minipudim no topo. Ao GLOBO, o Google confirma que a curiosidade pela sobremesa anda em alta nos últimos 60 dias. Na ferramenta de buscas, o termo “bolo pudim de leite condensado” cresceu 390%, enquanto “bolo com pudim em cima” marcou 215%. No YouTube, “bolo com recheio de pudim” subiu 425% e “bolo com pudim em cima” 115%. Conheça a sobremesa do momento no vídeo abaixo: Depois da paleta mexicana e do morango do amor, bolo-pudim é o novo fenômeno do sabor A movimentação na internet gera curiosidade no mundo real. Um dos lugares em São Paulo que oferece o bolo-pudim é a barraca “Doce Delícia”, que participa toda quarta-feira da feira noturna do Mandaqui, zona Norte da capital paulista. No período em que O GLOBO esteve por lá, a fila e a curiosidade a respeito do bolo-pudim eram constantes. Tinha até gente tirando foto da sobremesa para ostentar para os amigos em grupos de WhatsApp. Desenrola 2.0: governo Lula detalha novo programa de renegociação de dívidas. Entenda — Eu fazia o morango do amor e parei. Faz um mês e meio que comecei a fazer o bolo-pudim e as vendas triplicaram. Tomara que a moda não passe nunca — conta Daniel Lores, dono da barraca, que, entre um atendimento e outro, falou com a reportagem. Initial plugin text Pela movimentação no local, ele ainda vai fazer muitos bolos-pudim. Até gente de outros bairros começou a aparecer — aos domingos, ele fica em quatro pontos na Avenida Paulista. — Eu vim da Vila Formosa só para conhecer esse bolo — afirmou Cristina Takahari, uma das clientes da barraca no Mandaqui. Desenrola 2.0: Programa de renegociação de dívidas para empresas terá condições melhores para negócios liderados por mulheres Em um dia comum, o trajeto do bairro na zona Leste até a feira leva cerca de 40 minutos de carro, mas, com o começo de noite chuvoso na cidade, o período ultrapassa uma hora. Quase todas as pessoas afirmaram à reportagem que conheceram o bolo pelas redes, como explicou a feirante Ana Beatriz, que, junto com o namorado, levou oito fatias para casa: — Conheci o bolo-pudim pelo Instagram com confeiteiros de Goiás e ainda não tinha achado em São Paulo. Depois, o Instagram me mostrou a “Doce-Delícia” e estou muito ansiosa. Daniel Lores fez sucesso na feira noturna do Mandaqui com diferentes versões do bolo-pudim Edilson Dantas/O Globo Quem não pode ir às feiras, tenta fazer em casa — ou manda buscar. No Google, "como fazer bolo de pudim" cresceu 390% em 60 dias, enquanto "como fazer bolo com pudim" cresceu 250% no YouTube no mesmo período. Já o iFood informou ao GLOBO que foram feitos 8 mil pedidos de bolo-pudim no mês de abril, maior volume da série histórica, iniciada em 2024 — o número era 3,5 mil em janeiro. Segundo a companhia, diferentemente de outras sobremesas, a iguaria brilha no almoço, horário que concentra 39% de todos os pedidos realizados em 2026 (9,4 mil pedidos acumulados só no horário do almoço). Origem no Centro-Oeste O bolo-pudim jogou luz sobre algo um pouco mais antigo: os bolos vendidos em fatias generosas e por preços acessíveis — a fatia de bolo-pudim do Mandaqui sai por R$ 25 e pode pesar até meio quilo. Em algumas cidades, isso se chama de “festival de fatias”, o que inclui a comercialização de diversos sabores de bolo, e pode acontecer em feiras-livres, eventos especiais ou em docerias com ponto físico fixo. Quem trabalha no front dos bolos aponta para Goiânia como a origem desses festivais, que tem como tradição de comida de rua os bolos de feira — por lá, eles são chamados de “tortas”. Lorena Tartuce, confeiteira da cidade que viralizou em 2024 com suas fatias turbinadas e hoje vende quatro toneladas de bolos por mês, conta a origem: — Minha mãe começou vendendo em feira há 26 anos e, desde antes, a gente já via os bolos. Isso se tornou tradição. É cultural. O vendedor mais antigo é conhecido como “Peruano”, e fazia bavaroá e merengue. A fatura sempre chamou atenção das fatias. Initial plugin text De lá, a ideia das mega-fatias começou a se espalhar em 2025 pelo Brasil — e pelas redes sociais — e passou a turbinar os negócios de pequenos confeiteiros em todo país. Em Cuiabá, a confeiteira Beatriz Benevides, 33, e seu cunhado Rhoover Ben Hur, 33, tinham renda conjunta média de R$ 5 mil até julho do ano passado, quando começaram a apostar nas megafatias. Em novembro, veio a viralização — somente um dos vídeos no TikTok tem mais de 20 milhões de visualizações — e a renda saltou: hoje o faturamento bruto é de R$ 150 mil mensais e o negócio conta com oito funcionários. — A minha cunhada estava querendo ir embora da cidade porque o negócio não estava dando certo. A renda não estava legal. Então, veio o boom dos bolos nas redes e agora a gente só vive disso — conta Rhoover. Mordomia no ar: Companhias aéreas ampliam oferta de assentos premium para fisgar quem quer mais conforto (e pode pagar) Hoje, a família atende duas vezes por semana, onde são comercializados meia tonelada de bolos por dia, e todas as vendas são feitas de forma antecipada pela internet para evitar filas. Rhoover diz que as aglomerações na frente do negócio geravam filas com até 300 pessoas, o que colocava em risco a segurança das pessoas. Um relato comum de quem vende as fatias, principalmente de bolo-pudim, é de que os doces acabam rapidamente, o que gera frustração em quem não consegue comprar. A viralização do bolo-pudim e outros bolo se espalhou para além das capitais e é comum encontrar em diversas cidades do país. Na região de Juíz de Fora (MG), o principal nome é de Raphaela Garbeto Brandi, 35. A confeiteira abriu uma loja física apenas seis meses antes do bolo-pudim e hoje alguns de seus vídeos cruzam os 10 milhões de visualizações no TikTok: — Nosso faturamento aumentou pelo menos 40%. Quando fazemos os festivais de fatias, elas acabam em uma hora. O poder do viral Para João Finamor, professor de marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a explosão do bolo-pudim não é uma surpresa, considerando que empreendedores brasileiros aprenderam a “manipular” o algoritmo das redes, produzindo conteúdo sobre o que já está em alta para garantir que suas postagens sejam recomendadas: — O empreendedor brasileiro consegue aplicar as técnicas que a gente estuda na faculdade só por observar, na tentativa e erro. É muito interessante observar que eles entendem gatilhos emocionais, como desejo, curiosidade e nostalgia. Cristina Takahari saiu da Zona Leste para conhecer o bolo-pudim e fez até fotos da iguaria; sucesso nas redes garante vendas Edilson Dantas/O Globo Por combinar sobremesas clássicas da cultura brasileira, o doce gera uma emoção imediata nas pessoas, como explica Sophie Deram, nutricionista e pesquisadora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP): — A gente tem vários estímulos para o apetite e um deles é a parte visual. Outros dois gatilhos importantes nas escolhas do comer são prazer e memória. Você vê que esse bolo traz um pouquinho de tudo junto. Os especialistas também lembram que o sucesso de comidas virais também está ligado ao fato de que as pessoas querem experimentar para se sentirem parte do grupo ou da tendência, algo ligado ao comportamento conhecido pela sigla em inglês Fomo (“fear of missing out”, ou “medo de ficar por fora”) . Ou seja, novos “morango do amor” devem continuar surgindo. Finamor reforça que, para os empreendedores, o importante é ter uma estratégia que vá além do viral: — Nada vai ser consolidado se eu não tiver mais produtos portfólio. A gente não consegue manter o viral por muito tempo. As pessoas sempre estão dispostas a se apaixonar por uma nova coisa, por um novo produto e uma nova tendência. Não parece ser impossível para quem vive de fazer bolo, como lembra Lorena: — Eu não faria o morango do amor. Ele foi um hype. O bolo não. Existem diferentes ocasiões para comer bolo, e as pessoas sempre vão comer.

Go to News Site