Jornal de Brasília
A política brasileira às vezes oferece cenas que parecem escritas por roteiristas de comédia - e, desta vez, o enredo mistura um carro oficial, a boemia da capital e uma rivalidade antiga do futebol que ganhou novos capítulos fora das quatro linhas. Nesta segunda-feira (4), o site Diário do Poder divulgou imagens de um veículo ligado ao gabinete do senador Romário (PSB-RJ) estacionado em uma área conhecida pela vida noturna da Asa Sul, em Brasília. O registro teria sido feito por volta de 1h30 da madrugada, nas proximidades de bares bastante frequentados. Segundo o relato, o carro aguardava alguém que estaria em um dos estabelecimentos da região. Até aqui, nenhum crime, nenhuma acusação - apenas mais um daqueles flagrantes curiosos que a política brasileira insiste em produzir. Mas o episódio ganha um tempero especial quando entra em campo o comentarista Walter Casagrande. Isso porque, semanas antes, Casagrande havia feito críticas públicas à atuação de Romário no Senado, dizendo que o ex-atacante “nunca está lá” e que sua presença é mais comum em podcasts, no futevôlei das praias cariocas do que no Congresso. Romário, como de costume, não deixou barato. Em resposta, afirmou estar licenciado do cargo dentro das regras e aproveitou para devolver com ironia e acidez - marca registrada desde os tempos de jogador. Disse que Casagrande “nunca ganhou nada de importante” e que entende pouco de futebol e menos ainda de política. Um clássico duelo de egos, daqueles que não precisam de estádio para acontecer. É nesse ponto que a cena do carro na madrugada ganha contornos quase cinematográficos. Afinal, enquanto um questiona a rotina do outro, Brasília segue oferecendo seus próprios capítulos - ora nos plenários, ora nas quadras da Asa Sul. Importante registrar: não há confirmação de quem utilizava o veículo no momento, nem se havia qualquer compromisso oficial envolvido. A própria matéria do Diário do Poder aponta que o espaço segue aberto para esclarecimentos. Ou seja, mais um episódio que vive na fronteira entre o fato e a curiosidade. O episódio serve, no mínimo, para ilustrar um velho fenômeno brasileiro: quando futebol e política se cruzam, dificilmente sai algo protocolar. Sai debate, sai provocação - e, vez ou outra, uma boa história para contar.
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