Jornal O Globo
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira, uma operação para aprofundar as investigações que resultaram na prisão de cinco vereadores de Morada Nova, no Ceará, em março, suspeitos de envolvimento no financiamento ilícito de campanhas eleitorais. Batizada de "Consorte", a ação policial apura um fluxo financeiro ilícito superior a R$ 500 milhões entre os investigados e cumpre 27 mandados de busca e apreensão e seis de prisão. Desastres naturais: Brasil gasta três vezes mais com reconstrução do que na prevenção a desastres como as chuvas em PE e na PB Duas mortes e cinco minutos no ar: o que se sabe sobre a queda de avião em prédio de Belo Horizonte A operação, comandada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), ocorre de forma simultânea em municípios do estado e também em Belo Horizonte (MG). Ao menos 108 policiais federais e civis foram mobilizados em 27 equipes operacionais. Segundo a PF, o objetiva desta fase da operação é a "desarticulação financeira da organização criminosa, com ênfase na apuração de crimes de lavagem de capitais e de delitos correlatos". O fluxo bancário de meio bilhão de reais, conforme a polícia, indica "possível utilização de mecanismos para ocultação e para dissimulação de recursos ilícitos". Fase anterior No dia 12 de março, na operação intitulada como "Traditori", foram presos os seguintes vereadores: Claudio Roberto Chaves da Silva - Cláudio Maroca (PT); José Regis Nascimento Rumão (PP); José Gomes da Silva Júnior - Júnior do Dedé (PSB); Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT) - presidente da Câmara de Morada Nova; Lucia Gleidevania Rabelo - Gleide Rabelo (PT) - secretária da mesa diretora da Câmara. Ainda em março, todos eles tiveram a prisão domiciliar concedida. Eles cumprem medidas cautelares como o uso de tornelezeira eletrônica e foram afastados dos respectivos cargos e mandatos. A FICCO/CE é composta pela Polícia Federal, pela Polícia Civil do Ceará, pela Polícia Militar do Ceará, pela Perícia Forense do Ceará, pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização, pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará e pela Secretaria Nacional de Políticas Penais. Segundo a Polícia Federal, vereadores e agentes públicos investigados tiveram as campanhas de 2024 financiadas por uma facção criminosa e, em troca, concediam benefícios políticos e institucionais ao grupo. Ao todo, a Traditori cumpriu 16 mandados de prisão preventiva — cinco contra vereadores — e 30 de busca e apreensão, na Câmara Municipal e em endereços ligados aos investigados. As ordens foram expedidas pela 93ª Zona Eleitoral de Fortaleza. "A investigação, iniciada após o compartilhamento legal de dados fornecidos pela Delegacia de Polícia Civil de Morada Nova e pela DPI Sul, revelou a existência de um esquema criminoso vinculado a uma facção responsável pela movimentação e pela ocultação de recursos de origem ilícita, posteriormente utilizados para financiar campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024, evidenciando a infiltração do crime organizado na esfera pública", informou a PF àquela altura. (Matéria em atualização)
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