Jornal O Globo
Respirar com dificuldade, sentir chiado no peito ou conviver com tosse persistente, principalmente à noite, podem ser sinais de uma doença crônica que ainda representa um grande desafio de saúde pública global: a asma. Hantavírus: Após crise em navio de cruzeiro, relembre surto de infecção nos anos 90 que causou mortes no Brasil Honduras registra 141 casos de mosca-varejeira em humanos e duas mortes após volta de doença erradicada Nesta terça-feira, 5 de maio, quando é celebrado o Dia Mundial da Asma, entidades internacionais reforçam o alerta para uma condição que afeta cerca de 300 milhões de pessoas no mundo. Segundo dados de 2023 da Global Initiative for Asthma (GINA), organização criada em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença está associada a mais de 400 mil mortes anuais, o que representa cerca de mil mortes por dia. A OMS inclui a asma no Plano de Ação Global para Prevenção e Controle de Doenças Não Transmissíveis e também na Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável. A entidade destaca que a ampliação do diagnóstico precoce e do tratamento adequado é uma das principais estratégias para reduzir complicações e mortes evitáveis. Entre os fatores que agravam a doença estão o tabagismo e a poluição do ar, além da dificuldade de acesso ao acompanhamento contínuo. Asma ainda mata e exige atenção contínua A asma é caracterizada pela inflamação crônica das vias aéreas e pode surgir em qualquer fase da vida. Entre os sintomas mais comuns estão falta de ar, chiado no peito, sensação de aperto no tórax e crises de tosse. Embora não tenha cura, o tratamento correto permite controle da doença e redução importante das crises. Um dos principais entraves, no entanto, está no uso inadequado dos dispositivos inalatórios, as chamadas bombinhas. Uma revisão publicada no Journal of the COPD Foundation mostrou que 87% dos pacientes com asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) utilizam esses dispositivos de forma incorreta, e 77% cometem falhas em ao menos 20% das etapas necessárias. Erros como não expirar completamente antes da inalação, inspirar rápido demais, não agitar o inalador e não prender a respiração após o uso podem comprometer a chegada do medicamento aos pulmões e praticamente anular o efeito do tratamento. Segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF), a bombinha deve ser agitada pelo menos cinco vezes antes do uso, o paciente deve expirar o máximo de ar possível, posicionar corretamente o bocal entre os lábios e, ao acionar o dispositivo, inspirar de forma lenta e profunda. Após a aplicação, é recomendado prender a respiração por cerca de dez segundos e, ao final, fazer higiene bucal para evitar efeitos adversos . No Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas convivem com a doença. São aproximadamente 350 mil internações e 2,5 mil mortes por ano, segundo dados citados pelo CFF. Para ampliar o diagnóstico e melhorar a adesão ao tratamento, a entidade lançou a campanha “Respira + Brasil”, com ações gratuitas em vários estados, incluindo avaliação da função respiratória, vacinação e orientação sobre o uso correto dos medicamentos . Especialistas da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) ressaltam que o tratamento da asma exige acompanhamento contínuo e educação do paciente. O uso correto da medicação controladora, geralmente com corticoides inalatórios, é considerado a base do controle da doença, enquanto os broncodilatadores de alívio devem ser reservados para crises agudas. A mensagem do Dia Mundial da Asma é direta: respirar pode parecer automático, até deixar de ser. E, nesse cenário, informação e tratamento adequado ainda são as ferramentas mais eficazes para salvar vidas.
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