Vogue Brasil
Quando Anok Yai ouviu o tema do Met Gala 2026, seu primeiro pensamento foi: preciso ser uma estátua. A modelo sudanesa-americana logo montou um moodboard e mandou mensagem para Pierpaolo Piccioli. Os dois decidiram que o look seria uma forte peça de arte (“obviamente”, ela diz), alinhada ao tema “Fashion Is Art”, mas, mais do que isso, queriam, segundo ela, “enviar uma mensagem”. E chegaram à Black Madonna. “No momento em que estamos vivendo agora, precisamos de esperança”, diz Yai, falando da enquanto fazia o cabelo e a maquiagem no dia do Met Gala. “Sinto que ser a Nossa Senhora preta em um mundo de Trump vai transmitir essa mensagem.” Ainda assim, Yai está apreensiva. “O Met é sempre estressante”, afirma. “Estou animada, mas o nervosismo está batendo forte.” Talvez as próteses também tenham um papel nisso? A segunda etapa do processo criativo, depois que a homenagem de Yai e Piccioli ao ícone religioso foi definida, foi a beleza. “Quando eu entrar no tapete vermelho, não quero parecer um ser humano”, diz Yai, para quem hidratação e tratamentos faciais são a chave para o brilho da noite do Met. “Quero parecer uma estátua ambulante — por isso decidi usar uma prótese de cabelo.” Anok Yai no Met Gala 2026 Getty Images Para uma mulher que é, por profissão, um camaleão da moda — alguém que admite que geralmente “aparece com um visual sexy” — essa mudança em direção ao místico (o significado por trás das centenas de Nossas Senhoras pretas encontradas em igrejas católicas pela Europa é mais profundo e complexo do que um resumo de moda do Met Gala permite) vai além da religião. O Met Gala 2026 é, além da gala do Time 100 — onde Yai foi celebrada como uma das pessoas mais influentes do ano — o evento mais midiático em que a jovem de 28 anos foi fotografada desde que revelou sua “batalha silenciosa” contra um defeito congênito que, em suas próprias palavras, estava destruindo seus pulmões. Ela encerrou o ano passado não apenas como Modelo do Ano no Fashion Awards, mas também passando por uma cirurgia robótica. Aterrorizante não chega nem perto de descrever. A presença majestosa de Yai no tapete vermelho do Met desafia tudo isso. Ao assumir o protagonismo, a ex-estudante ambiciosa de bioquímica — cuja história de descoberta está rapidamente se tornando folclore da moda — nos lembrou, mais uma vez, por que ela é uma supermodelo de sua geração. Como a própria Yai disse: amém.
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