Jornal O Globo
A nova versão do programa Desenrola Brasil 2.0 começa nesta terça-feira. A medida mira a renegociação de dívidas e a redução do comprometimento de renda das famílias com o pagamento das prestações aos bancos. Desenrola Brasil: programa começa nesta terça-feira Desenrola 2.0: bancos vão limpar nome de clientes com dívidas de até R$ 100 De acordo com ministro da Fazenda, Dario Durigan, o desconto médio será de 65% da dívida. Veja detalhes da medida e tire suas dúvidas. Como funciona? Crédito novo para pagar, com descontos, dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC). A dívida renegociada terá: Descontos entre 30 a 90%; Taxa de juro máxima de 1,99% ao mês; Até 48 meses de prazo; Prazo de até 35 dias para pagamento da primeira parcela; Limite da nova dívida (após descontos) até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira; Garantia do FGO. Para entrarem no Desenrola, as pessoas devem procurar os canais oficiais dos bancos. Desenrola: governo vai usar 'dinheiro esquecido' nos bancos para cobrir eventual calote em novo programa Quem pode participar? Brasileiros com renda até 5 salários-mínimos (R$ 8.105). Desconto que será aplicado Percentual vai variar de acordo com a modalidade de crédito e o tempo de atraso, confira: Atraso de 91 a 120 dias: desconto de 40% Atraso de 121 a 150 dias: desconto de 45% Atraso de 151 a 180 dias: desconto de 50% Atraso de 181 a 240 dias: desconto de 55% Atraso de 241 a 300 dias: desconto de 70% Atraso de 301 a 360 dias: desconto de 85% Atraso de 1 a 2 anos: desconto de 90% Crédito direto ao consumidor ou parcelamento do cartão de crédito Atraso de 91 a 120 dias: desconto de 30% Atraso de 121 a 150 dias: desconto de 35% Atraso de 151 a 180 dias: desconto de 40% Atraso de 181 a 240 dias: desconto de 45% Atraso de 241 a 300 dias: desconto de 60% Atraso de 301 a 360 dias: desconto de 75% Atraso de 1 a 2 anos: desconto de 80% Contrapartidas Desenrola 2.0: Governo reduz margem de consignado do INSS e amplia prazo para pagamento; entenda Para famílias: Bloqueio de CPF em casas de apostas por 12 meses. Para instituições financeiras: Limpar o nome (desnegativar) de quem tem dívida de até R$ 100 e do crédito renegociado; Destinar à educação financeira o equivalente a 1% do valor garantido pelo FGO; Proibição de envio de recursos a casas de apostas via cartão de crédito, crédito parcelado, pix crédito e pix parcelado. Desenrola 2.0: empresas terão condições melhores para negócios liderados por mulheres Como o FGO participará do Desenrola? O Fundo garantirá o crédito novo para que famílias renegociem dívidas atrasadas e serão utilizados como fonte de recursos para o FGO: Parcela do saldo já disponível (R$ 2 bi); Novos aportes (autorização de aporte de até R$ 5 bi); Utilização dos recursos não resgatados disponíveis na tesouraria do sistema financeiro (SVR), podendo mobilizar entre R$ 5 a R$ 8 bilhões. Como o FGTS poderá ser usado no Desenrola 2.0? O Novo Desenrola traz como novidade a possibilidade de os trabalhadores usarem parcela da sua poupança FGTS para reduzir seu endividamento; Ao entrar no Desenrola, o trabalhador poderá usar 20% do saldo da conta ou até R$ 1 mil, o que for maior, para pagar parcial ou integralmente dívidas; O requisito de só poderem acessar o FGTS após renegociar a dívida no Programa protege o trabalhador porque obriga a instituição a dar os descontos mínimos na dívida original; A utilização do FGTS melhora a capacidade de as famílias renegociarem suas dívidas; Os valores resgatados poderão alcançar o limite global de R$ 8,2 bilhões. Desenrola 2.0: governo vai liberar até R$ 8,2 bi do FGTS para pagamento de dívidas de trabalhadores Consignado do INSS O que mudará? Acabam os 10% de margem exclusiva para cartão consignado e de benefícios (5% e 5%), e o limite de consignação total que antes era de 45% (5% do cartão de crédito, 5% do cartão de benefícios e 35% geral) passa a ser de 40%, limitando a participação do cartão consignado e de benefícios a no máximo 5% cada; Ampliação do prazo da operação de 96 para 108 meses; Fim da vedação à carência e permissão para que ela seja de até 90 dias; Além da redução de 45% para 40%, haverá redução gradual da margem consignável de 2 pontos percentuais ao ano até atingir 30%. Consignado do Servidor O que mudará? Acabam os 10% de margem exclusiva para cartão consignado, que é dívida cara, e o limite de consignação total que antes era de 45% (10% consignado do cartão e 35% geral) passa a ser de 40%, limitando a participação do cartão a no máximo 10%; O prazo máximo da operação irá de 96 para 120 meses, diluindo o peso do pagamento da dívida no orçamento familiar do servidor; Haverá autorização de carência de até 120 dias; Além da redução de 45% para 40%, haverá redução gradual da margem consignável de 2 pontos percentuais ao ano até atingir 30%. Comida, aluguel, gasolina: inflação pesa mais no Nordeste, reduto lulista Fies Também haverá negociação para o Fies Dívidas vencidas e não pagas há mais de 90 dias: Se o pagamento for à vista, desconto da totalidade dos juros e multas e de 12% do principal Se parcelar o pagamento (em até 150 vezes): desconto da totalidade dos juros e multas Dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias de estudantes fora do CadÚnico: desconto de até 77% do valor total da dívida, incluindo principal, juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor. Dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias de estudantes do CadÚnico: desconto de até 99% do valor total da dívida, incluindo principal, juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor. Mais de um 1 milhão de estudantes serão beneficiados com a renegociação de suas dívidas. Para empresas Microempresas (Procred/FGO): As mudanças para as microempresas, que tem faturamento anual de até R$ 360 mil, serão: A carência irá de máximos 12 para 24 meses. É mais fôlego ao microempreendedor que precisou de crédito; O prazo máximo da operação subirá de 72 para 96 meses, diluindo o peso do pagamento da dívida no caixa do microempreendedor; A tolerância no atraso para concessão de novos créditos subirá de 14 para 90 dias; Aumento do valor total do crédito de 30% do faturamento (com teto de R$150 mil) para 50% (com novo teto em R$180 mil). É mais crédito barato para a empresa se financiar; Para empresas lideradas por mulheres, o limite sobe de 50% do faturamento para 60% (com novo teto em R$180 mil). Pronampe/FGO Para atender micro e pequenas empresas, ou seja, empresas com faturamento anual até R$ 4,8 milhões por ano, as alterações no Pronampe serão: A carência sairá de até 12 para até 24 meses, dando fôlego ao quem precisou de crédito; O prazo máximo da operação subirá de 72 para 96 meses, diluindo o peso do pagamento da dívida no caixa da empresa; A tolerância no atraso para concessão de novos créditos subirá de 14 para 90 dias; Aumento do valor total do crédito de R$250 mil para R$500 mil. É mais crédito barato para a empresa se financiar. Novo desenrola: veja quando começa e quem pode aderir ao programa Desenrola Rural Além de famílias, estudantes e empresas, os agricultores familiares, também terão a chance de sair da dívidas. O Desenrola Rural fará a regularização de dívidas e a reinserção produtiva de agricultores familiares, facilitando o acesso ao crédito rural. Como funciona? Amplia o prazo do Desenrola Rural, permitindo que mais agricultores familiares renegociem e liquidem suas dívidas antigas. Esses agricultores são sobretudo de baixa renda. Esses agricultores são, sobretudo, de baixa renda. O Desenrola Rural já beneficiou cerca de 507 mil produtores e, com a reabertura do prazo até 20/12/2026, pode alcançar mais 800 mil agricultores familiares, totalizando 1,3 milhão de pessoas. Primeira versão Em 2023, a primeira versão do programa beneficiou mais de 15 milhões de pessoas, com a negociação de R$ 53 bilhões em dívidas de diferentes setores. A política ajudou a reduzir o endividamento. Acesso a crédito: benefício dobra entre jovens e acende alerta sobre inadimplência precoce Há um diagnóstico no governo de que os bons números da economia e do mercado de trabalho não estão se refletindo em ganho de popularidade para Lula já que parte relevante do orçamento vem sendo usada para pagar dívidas. Segundo o Banco Central, quase 30% (29,7%) da renda dos brasileiros está sendo consumida pelo pagamento de dívidas, o maior patamar da série histórica, iniciada em 2005. Initial plugin text
Go to News Site