Jornal O Globo
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística lançou, nesta segunda-feira, um novo mapa-múndi que coloca o Brasil no centro e apresenta os continentes em posição invertida em relação ao padrão tradicional. A publicação, intitulada “Riqueza de Espécies 2025”, invertido propositalmente, reúne dados sobre biodiversidade global e marca o início das comemorações pelos 90 anos do órgão. Polícia apreende 156 kg de cocaína escondida sob esterco, naftalina e graxa em caminhão no interior de SP; carga é avaliada em R$ 3,1 milhões Justiça rejeita laudo de sanidade mental de juiz que usou nome falso por mais de 40 anos O material incorpora um indicador que estima a quantidade potencial de espécies — como anfíbios, aves, mamíferos, répteis, crustáceos e peixes de água doce — em áreas de 100 km². No mapa, regiões como a Amazônia aparecem em destaque, com maior concentração de biodiversidade, representada por tons mais intensos. Em nota, o Instituto afirmou que a centralização do Brasil reflete sua “importância no atual contexto social e político” e ressaltou que há diferentes formas de representar o planeta além da orientação tradicional Norte–Sul. Segundo o IBGE, a proposta também busca ampliar o debate sobre preservação ambiental, em referência ao Dia Internacional da Diversidade Biológica, celebrado em 22 de maio. — O objetivo é conscientizar sobre a relevância da fauna, da flora e dos ecossistemas para o equilíbrio da vida, da saúde e do bem-estar humano — informou o órgão. A iniciativa ocorre durante a gestão do economista Marcio Pochmann, que já havia promovido projetos semelhantes em anos anteriores. Mapas com o Brasil em posição central já tinham sido divulgados pelo Instituto em 2024 e 2025, gerando repercussão dentro e fora da comunidade acadêmica. Debate sobre cartografia e crítica interna Na ocasião, Pochmann afirmou que as propostas buscam destacar o protagonismo do país em fóruns internacionais, como Brics, Mercosul e conferências climáticas. As iniciativas tiveram apoio de parte de pesquisadores, que defendem a pluralidade de representações cartográficas, mas também foram alvo de críticas. Um núcleo da Assibge, sindicato dos servidores do Instituto, questionou o caráter das publicações. Para o grupo, o IBGE deve priorizar a produção de informações técnicas e objetivas, evitando materiais com interpretações simbólicas. Durante o lançamento, realizado em Brasília, o presidente do Instituto voltou a defender a proposta. — Estamos falando de um planeta que não é plano e, portanto, permite diferentes perspectivas de observação. Inovamos ao estimular a reflexão sobre as transformações em curso no mundo e o papel que o Brasil pode desempenhar — afirmou. O mapa utiliza a projeção cartográfica Equal Earth, considerada mais fiel às proporções reais dos continentes. De acordo com o IBGE, o modelo reduz distorções presentes em projeções tradicionais, como a de Mercator, que amplia regiões próximas aos polos e diminui áreas como a África e a América do Sul. Além da divulgação institucional, o material também passou a ser comercializado na loja virtual do Instituto, em versões em português e inglês, com preços entre R$ 25 e R$ 90. Algumas edições já apresentavam indisponibilidade de estoque até o início da noite desta segunda-feira.
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