Jornal O Globo
A situação da ativista iraniana Narges Mohammadi se agravou e mobiliza apoiadores internacionais. Presa desde dezembro no Irã, a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023 foi hospitalizada há cinco dias com um problema cardíaco e está em estado crítico, segundo aliados e organizações de direitos humanos que pedem sua libertação imediata. Impacto da guerra: Bloqueio e sanções agravam crise e podem forçar concessões do Irã, mas sem a rendição esperada por Trump Bloqueio rompido?: EUA anunciam tráfego de contratorpedeiros e navios mercantes americanos no Estreito de Ormuz; Irã nega Mohammadi, de 54 anos, foi detida em 12 de dezembro, na cidade de Mashhad (leste do Irã), após criticar autoridades religiosas durante um funeral. Desde então, sua saúde teria se deteriorado significativamente. “Não estamos lutando apenas pela liberdade de Narges, estamos lutando para que seu coração continue batendo”, disse sua advogada, Chirinne Ardakani, em coletiva de imprensa em Paris, acrescentando que ela está “entre a vida e a morte”. “Nunca tememos tanto pela vida de Narges; a qualquer momento corremos o risco de perdê-la”, afirmou Ardakani. Seus apoiadores pressionam há semanas por sua libertação para que ela possa receber tratamento médico adequado em Teerã, citando um “estado crítico” e perda de cerca de 20 quilos durante a prisão. Jonathan Dagher, jornalista francês e chefe do escritório do Oriente Médio da organização Repórteres Sem Fronteiras, e as advogadas franco-iranianas Chirinne Ardakani e Mona Armande realizaram uma coletiva de imprensa após a hospitalização da ganhadora iraniana do Prêmio Nobel da Paz, Narges Mohammadi, no Irã Xavier Galiana / AFP De acordo com o grupo de apoio, Mohammadi sofreu dois supostos ataques cardíacos, em 24 de março e 1º de maio, enquanto estava detida na prisão de Zanjan, no norte do país, sendo posteriormente transferida para um hospital próximo. Agora, enfrenta uma “deterioração sem precedentes” de sua saúde. Leia também: Israel estende até domingo detenção de brasileiro Thiago Ávila e ativista de flotilha para Gaza “É a primeira vez que dizemos que ela está entre a vida e a morte”, afirmou Jonathan Dagher, da Repórteres Sem Fronteiras. “Precisamos agir antes que seja tarde demais”, acrescentou. Filhos da iraniana Narges Mohammadi após lerem o discurso da mãe, vencedora do Nobel do Paz, que está presa no Irã. Fredrik Varfjell / NTB / AFP Com mais de duas décadas de atuação, Mohammadi é uma das principais vozes contra a pena de morte e o uso obrigatório do hijab no Irã. Ao longo de mais de 25 anos, foi presa e julgada diversas vezes por seu ativismo. Em fevereiro, recebeu uma nova sentença de seis anos de prisão por colocar em risco a segurança nacional e mais um ano e meio por propaganda contra o sistema islâmico. Ela também iniciou uma greve de fome em protesto contra as condições de detenção.
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