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Ypê recorre de suspensão da Anvisa e afirma que pode seguir vendendo produtos até nova decisão
Jornal O Globo

Ypê recorre de suspensão da Anvisa e afirma que pode seguir vendendo produtos até nova decisão

A Ypê informou nesta sexta-feira (8) que apresentou um recurso a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a determinação do recolhimento de produtos da empresa por suspeita de contaminação. Segundo a empresa, com a medida, a proibição de fabricação e comercialização de lava-louças, lava-roupas e desinfetantes teve os efeitos suspensos até nova decisão da Anvisa. O GLOBO procurou a agência sobre o comunicado e aguarda retorno. Na quinta-feira, a Anvisa divulgou que os produtos mencionados acima de lotes que terminam com o final 1 possuem risco sanitário. De acordo com a agência, a decisão foi tomada a partir de avaliação técnica conduzida em articulação com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), após inspeção conjunta realizada com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância Sanitária de Amparo (Visa-Amparo) na última semana. "A Ypê informa que apresentou na data de ontem um recurso perante a Anvisa, com o objetivo de (...) apresentar esclarecimentos adicionais e subsídios técnicos relacionados à Resolução-RE n. 1.834/2026, publicada ontem. Com este recurso, a proibição de fabricar e comercializar produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes teve seus efeitos automaticamente suspensos até novo pronunciamento da agência, tal como dispõe o art. 17 da RDC n. 266/2019/Anvisa", diz um comunicado da empresa. A nota, porém, não deixa claro se a produção e a suspensão serão de fato retomadas. "Ainda que a interposição do recurso tenha resultado na suspensão dos efeitos da medida anterior, a Ypê reforça que a segurança dos seus consumidores é – e sempre será - sua maior prioridade. A Ypê, assim, reafirma seu compromisso de 75 anos com a qualidade, a segurança e a transparência, razão pela qual continuará em diálogo constante e permanente com a Anvisa e demais autoridades", diz o texto. Questionada, a empresa ainda não retornou. O GLOBO mostrou que os produtos da empresa começaram a ser recolhidos dos supermercados nesta sexta-feira (8). Nos mercados Mundial e Super Market, localizados no Bairro de Fátima, no Rio de Janeiro, os produtos da marca Ypê foram recolhidos nesta manhã. Os mercados preencheram os espaços vazios nas prateleiras com produtos de marcas similares. Durante a inspeção, foram constatados "descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, o que inclui falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade", disse a Anvisa em nota. Segundo a agência, os problemas identificados comprometem o atendimento aos requisitos essenciais de Boas Práticas de Fabricação (BPF) de saneantes e "indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de ocorrer contaminação microbiológica, ou seja, presença indesejada de microrganismos patogênicos". A resolução cita que houve uma inspeção sanitária realizada na fábrica entre 27 e 30 de abril que constatou o descumprimento dessas boas práticas de produção. "Ypê reforça que a segurança dos seus consumidores é – e sempre será - sua maior prioridade. A Ypê, assim, reafirma seu compromisso de 75 anos com a qualidade, a segurança e a transparência, razão pela qual continuará em diálogo constante e permanente com a Anvisa e demais autoridades, sempre baseada em critérios científicos e subsídios técnicos, como forma de encontrar uma solução definitiva para a situação, no menor tempo possível", disse a empresa em nota, nesta sexta. Fábrica da Ypê tinha sujeira, e bactéria foi achada em produtos de limpeza duas vezes, dizem fiscais A inspeção que motivou o fechamento de uma linha de produção da fábrica da Ypê em Amparo (SP) constatou, pela segunda vez, a contaminação de produtos de limpeza com micro-organismos. Fiscais que participaram do trabalho relatam ter constatado problemas de higiene e investigam a origem da contaminação da água nas instalações da empresa que produz detergentes, desinfetantes e sabão para roupa. Segundo o diretor do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS), Manoel Lara, a decisão de interromper a produção foi motivada por uma incapacidade da companhia de resolver de maneira consistente o problema, constatado inicialmente em novembro do ano passado. Naquela ocasião, foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras de produtos feitos no ano passado. Esse patógeno não é altamente contagioso, mas oferece risco porque costuma infectar pessoas com baixa imunidade. É um organismo relativamente comum em casos de infecção hospitalar, afetando sobretudo o pulmão, e particularmente em pacientes com fibrose cística.

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