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Vítimas de abuso temiam denunciar ginecologista e ex-deputado por medo de 'influência política', diz delegado | Collector
Vítimas de abuso temiam denunciar ginecologista e ex-deputado por medo de 'influência política', diz delegado
Jornal O Globo

Vítimas de abuso temiam denunciar ginecologista e ex-deputado por medo de 'influência política', diz delegado

Solto nesta quinta-feira após ser preso sob a suspeita de estuprar uma paciente em trabalho de parto, o ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, já havia sido vereador e deputado estadual no Paraná. Segundo o delegado Luis Henrique Dobrychtop, o passado político do médico foi um dos fatores que fez com vítimas tivessem receio de denunciá-lo. Após a repercussão do caso, outras mulheres também denunciaram abusos. Vontade de 'tacar fogo': cliente ameaçou cabeleireiro por WhatsApp semanas antes de ataque com faca em SP Leia mais: Patroa suspeita de torturar doméstica no Maranhão diz estar grávida e vai pedir prisão domiciliar Segundo a RPC, o médico foi solto nesta quinta-feira por conta da idade avançada. Após o primeiro caso ser denunciado em fevereiro deste ano, casos mais antigos vieram à tona: "Elas disseram que não procuraram a polícia antes por medo da influência política do autor. Antes achavam que não ia dar em nada se registrassem a ocorrência, mas agora viram que deveriam ter relatado antes", disse o delegado Luis Henrique Dobrychtop ao g1. Felipe Lucas é médico desde 1975. Ele já foi vereador e prefeito de Irati e deputado estadual duas vezes. Em 2020, chegou a tentar uma vaga de vice-prefeito, mas sem sucesso. A primeira denúncia foi feita em fevereiro. A paciente, uma mulher de 24 anos residente em Teixeira Soares, havia ido sete dias antes na rede pública de saúde de Irati. No relato, ela descreveu que o ginecologista fez "massagens íntimas" e alegou ser uma orientação para o "estímulo da libido". O filho da vítima, que tem cinco anos de idade, estava no consultório no momento. Os outros dois casos ocorrerem em 2011 e 2016. Segundo Dobrychotp, uma das pacientes relatou que o ginecologista "havia tocado as suas partes íntimas durante cerca de 5 minutos (...) de uma forma totalmente inusitada e contrária aos protocolos clínicos". A outra paciente relatou que "e durante um exame pré-natal foram realizados cerca de 10 'exames de toque' em sua área vaginal com periodicidade no máximo 10, 15 minutos". Segundo a defesa do ginecologista, a prisão desta semana aconteceu devido ao caso de 2011. Os advogados afirmaram em nota que a prisão era "injusta e desnecessária, tanto pelo fato do médico estar realizando a rotina de um parto, quanto porque os fatos investigados ocorreram há 15 anos". Leia abaixo a nota na íntegra "A defesa do médico ginecologista e obstetra Dr. Felipe Lucas informa que o Poder Judiciário determinou sua imediata soltura. O Dr. Felipe foi preso em razão de uma acusação relacionada a fato decorrente do exercício da profissão, ou seja, a um atendimento médico realizado durante um parto no de 2011. Desde o início, a defesa sustentou que a prisão era injusta e desnecessária, tanto pelo fato do médico estar realizando a rotina de um parto, quanto porque os fatos investigados ocorreram há 15 anos. Ao final, a própria Justiça reconheceu que o Estado já não poderia mais aplicar qualquer punição no caso. Na decisão, o Poder Judiciário reconheceu a extinção da punibilidade e determinou a expedição imediata do alvará de soltura do médico. O caso causa profunda preocupação jurídica e social, especialmente porque envolve a prisão de um profissional da medicina, idoso, em razão de acusação relacionada a atendimento obstétrico realizado há mais de uma década e meia. A defesa seguirá acompanhando o caso e adotará todas as medidas cabíveis para preservação da honra, da dignidade e das garantias constitucionais do Dr. Felipe Lucas".

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